Doença de Chagas possui alta relevância em casos de transplantede coração, aponta estudo

Atualizado: 18 de nov.

Pesquisa realizada no Distrito Federal projeta o perfil de pacientes que passam pelo transplante cardíaco


A miocardiopatia dilatada é apontada como a principal causa de transplante de coração no Brasil e no mundo. Um recente estudo investiga as especificidades da condição em pacientes brasileiros. A pesquisa releva que mais de 60% das pessoas

que passaram pelo transplante cardíaco na região Centro-Oeste do país possuem

diagnóstico prévio da doença de Chagas.


Os dados pertencem ao Perfil Demográfico e Epidemiológico de Pacientes Envelhecidos e Idosos Recebendo Transplante Cardíaco no Período de 2009 a 2018, publicado na última edição da International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), periódico internacional da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).


O objetivo inicial do estudo era descrever o perfil demográfico e epidemiológico de pacientes idosos que receberam transplante cardíaco no período de 2009 a 2018, na região do Distrito Federal. Logo no início das investigações, ficou clara a necessidade de englobar também perfis em envelhecimento (a partir dos 40 anos).


“Isso porque a doença que levou grande parte desses idosos a realizarem o transplante de coração foi adquirida na idade adulta”, afirma Joseane Ribeiro, docente da Universidade Católica de Brasília na área de Saúde e uma das autoras do estudo. Poucos estudos no Brasil fizeram uma investigação similar. A literatura estrangeira é mais vasta em exemplos. Porém, como Joseane afirma, o perfil de paciente no Brasil é muito específico e diferente de países mais desenvolvidos.


O principal resultado do estudo é um grande exemplo disso. Foi identificado um ciclo. A principal causa dos transplantes cardíacos é a miocardiopatia dilatada. No Brasil, uma das grandes causadoras da condição é a doença de Chagas. A literatura estrangeira não considera a miocardiopatia chagásica na classificação, somente a divisão entre miocardiopatia dilatada de causa isquêmica e não isquêmica.


“O Distrito Federal não é uma região muito acometida pela doença, então eu imagino que essas pessoas nasceram em outros estados e se mudaram para a região já com a doença adquirida”, diz Joseane.


Ela ressalta a necessidade de investigações sobre o tratamento e prevenção da doença de Chagas ao redor do Brasil, ainda muito incidente em diversas regiões endêmicas. Mas esse não é o único impulso para pesquisas futuras.


A partir dos resultados, Joseane enxerga a oportunidade - e necessidade - de entender o passo a passo desses pacientes. Como por exemplo, uma investigação que responde se pessoas na condição de transplante tiveram um tratamento precoce da doença de Chagas, ou não.

SBC atualiza diretriz sobre doença de Chagas


A Sociedade Brasileira de Cardiologia elaborou uma nova diretriz sobre a doença infecciosa que ainda atinge 1,2 milhão de brasileiros. O documento foi apresentado no 77º Congresso Brasileiro de Cardiologia e reúne uma compilação de estudos clínicos e recomendações de políticas de saúde pública. A atualização é um grande passo em direção ao diagnóstico precoce, já que hoje 70% dos infectados não sabem que estão contaminados.

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