Nova Diretriz de Chagas foi apresentada no 77° Congresso Brasileiro de Cardiologia

A Doença de Chagas atinge 1,2 milhão de brasileiros e mais de 7 milhões de pessoas ao redor do mundo, 70% dos pacientes com Doença de Chagas desconhecem o problema


A Sociedade Brasileira de Cardiologia apresentou, no 77° Congresso Brasileiro de Cardiologia, uma nova diretriz sobre Doença de Chagas. Considerada a mais letal entre as chamadas doenças cardiovasculares negligenciadas, a Doença de Chagas atinge 1,2 milhão de brasileiros e mais de 7 milhões de pessoas ao redor do mundo. A última diretriz sobre a doença foi publicada há 11 anos.

Com este documento, que concentra uma compilação de estudos clínicos e recomendações de políticas em saúde pública, a OMS propõe erradicar a doença até 2050.

Embora nos últimos 40 anos tenha se reduzido drasticamente o número de infectados no país (a partir da erradicação da transmissão pelo vetor e do controle da transmissão nos bancos de sangue - eram 16 milhões em 1980), a doença segue apresentando elevado índice de letalidade e a principal causa é a falta de diagnóstico, pois 70% dos pacientes com Doenças de Chagas desconhecem o problema.

Embora ainda continue sendo majoritariamente típica de regiões mais distantes, a doença de Chagas vem adquirindo cada vez mais um perfil urbano. O contágio é feito por meio da transmissão do vetor (zonas rurais e regiões mais carentes), transmissão por via congênita e por consumo de alimentos contaminados com o parasita, principalmente o açaí e o caldo de cana in natura.

“Não existe barbeiro na Europa e identificam-se 60 mil pacientes infectados na Espanha, por exemplo, em sua maioria bolivianos ou colombianos. Nos Estados Unidos, onde a transmissão vetorial é pouco importante, em alguns estados foram identificados um total de 300 mil mexicanos com a doença”, analisa o cardiologista Anis Rassi Junior, um dos editores da nova diretriz.

O consumo da carne de alguns animais, como aves, não oferece risco de contaminação, por mecanismos de defesa próprios desses mesmos animais. “A contaminação é via oral, pelo consumo de caldo de cana, açaí ou outros alimentados processados e que carreguem os dejetos do inseto barbeiro”.

Essa nova realidade levou a SBC a criar a nova diretriz, substituindo a que foi lançada em 2011. Mas a principal preocupação, complementa Anis Rassi Junior, é incentivar o diagnóstico para que os pacientes possam ser tratados o mais precocemente possível. “Cerca de 70% dos infectados não sabem que estão contaminados. É importante o empenho em diminuir esse percentual para que o tratamento antiparasitário seja mais implementado.”, finaliza.

Da mesma forma, é importante conscientizar os cardiologistas, infectologistas e médicos de assistência primária que a doença pode ser curada se tratada precocemente.

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