Webinar sobre cardiopatia congênita discutiu situação atual e perspectivas

Organizado pelo DCC/CP da SBC, o fórum abordou diagnóstico pré-natal, atendimento do recém-nascido, hemodinâmica e intervenção, cirurgia cardíaca e seguimento ambulatorial, entre outros tópicos



Em alusão ao Dia de Conscientização da Cardiopatia Congênita, comemorado em 12 de junho, o Departamento de Cardiopatias Congênitas e Cardiologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DCC/CP) realizou um fórum virtual no dia 14 de junho para apresentar a situação atual e as perspectivas futuras.


A presidente do DCC/CP, Cristiane N. Martins, especializada em cardiologia pediátrica e ecocardiografia pediátrica e fetal, organizou e moderou o encontro, que contou com abertura de Andrea Brandão, professora titular de Cardiologia da UERJ e vice-presidente do Conselho Administrativo da SBC.


Cristiane citou os projetos do DCC relativos ao tema: delinear com a comissão executiva um plano de ação em curto e longo prazos; revisar com as áreas de atuação a matriz de competência; desenvolver uma comissão de certificação das especializações em CP no Brasil; manter cursos de atualização em CP e CC, programar datas de revisão das diretrizes e criação de novas; incentivar projetos para maior atuação da área de prevenção na infância no departamento; e incentivar os grupos de estudo e a criação de estudos multicêntricos.


A médica também apresentou os dados da campanha “Alguém muito especial cuida do meu coração”, que contou com mensagem da cantora Sandy e o envio de mais de 1.500 fotos de pacientes ao lado de seu cardiologista pediátrico, para valorização da profissão.


“Manifestamos apoio à iniciativa de ampliar a conscientização sobre a CC, que é uma importante causa de mortalidade, especialmente em crianças abaixo de um ano. Não há dúvidas que a SBC deve ter uma preocupação abrangente, não apenas com adultos e idosos, mas também com crianças, tão afetadas por essa condição. Essa abordagem apresentada pela Dra. Cristiane é fundamental e nos emociona. As fotos, os vídeos e a mensagem da Sandy só reforçam a importância desse tema e do nosso esforço para que as necessidades sejam encaminhadas e as crianças tenham seu tratamento devidamente realizado”, declarou a Dra. Andréa Brandão.


Na área de cardiopatia congênita no adulto, quem palestrou foi Ieda Jatene, líder médica do Serviço de Cardiopatias Congênitas e Cardiologia Pediátrica do Hospital do Coração (HCor) e presidente da Sociedade de Cardiologia do estado de São Paulo (SOCESP). Para falar do seguimento ambulatorial, foi convidada Ana Paula Damiano, coordenadora do serviço de Cardiologia Pediátrica da Unicamp e diretora do DCC-CP.


Pedro Salerno, cirurgião cardiovascular do PROCAPE-UPE e presidente do departamento de cirurgia cardíaca pediátrica da SBCCV, abordou o tema cirurgia cardíaca. Hemodinâmica e intervenção foi o tema apresentado por Renata Mattos, cardiopediatra e hemodinamicista, chefe da Divisão de Cardiologia Pediátrica e Cardiopatia Congênita do INC.


Jorge Afiune, cardiologista, intensivista e ecocardiografista pediátrico, membro do departamento científico da Sociedade Brasileira de Pediatria, falou sobre atendimento ao recém-nascido. Na área de diagnóstico pré-natal, a palestra ficou por conta de Sandra Mattos, diretora da Célula C (Unidade de Cardiologia Materno Fetal – UCFM) do Instituto Caduceus e membro titular da Academia Pernambucana de Medicina, imortal da cadeira de número 8 da APM.


Sobre unidade de terapia intensiva e TX cardíaco, quem palestrou foi Klébia Castello branco, coordenadora do Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital de Messejana, em Fortaleza (CE), e ex-presidente do DCC/CP-SBC.


Entre os maiores desafios do setor, foram citados: carência de centros de diagnóstico e tratamento; lentidão no encaminhamento do bebê para um centro de cardiologia neonatal (o ideal é até o sétimo dia de vida); baixo número de UTIs dedicadas à cardiologia pediátrica e necessidade de maior qualidade das unidades que existem; dificuldades para que mais pacientes tenham acesso à hemodinâmica; dificuldade logística para fazer hemodinâmica no país, incluindo materiais SUS x convênios; déficit de recursos humanos e de material, principalmente na área cardíaca; regulação ineficiente; ausência de fluxo para seguimento ambulatorial; falta de equipe especializada e capacitada para atender a população com CC; e triagem ineficaz.


Segundo os participantes, o fórum foi muito produtivo, pois foi o pontapé inicial para levar as necessidades do setor aos governantes. No entanto, foi salientada a importância de manter a demanda constante, para que o assunto não esfrie. “Nós, como grupo, temos toda a capacidade e possibilidade de trabalhar juntos para trazer um resultado real para os pacientes”, ressaltou a Dra. Renata Mattos.


Os participantes se sentiram muito satisfeitos e estimulados com o fórum e a troca de experiência, que permitirá que muitas iniciativas sejam encaminhadas para as autoridades competentes. Entre as mensagens compartilhadas no evento, destaque para a de Benjamin Disraeli: “O segredo do sucesso é a consistência de propósito”.


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