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Webinar debateu as lições da pandemia

SBC reuniu Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, e Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da USP, para refletirem sobre aprendizados durante a crise provocada pela Covid-19


A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) encerrou o mês de fevereiro com a realização do webinar “Lições aprendidas em um ano de pandemia de Covid-19”, que contou com as ilustres participações de Margareth Dalcomo, médica pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, e de Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Universidade de São Paulo (USP). A moderação foi Carlos Eduardo Rochitte, editor-chefe do Arquivo Brasileiro de Cardiologia (ABC Cardiol) e Cláudio Domênico, especialista em cardiologia pela SBC.


“O momento que estamos vivendo propicia que sejamos criativos e corajosos e que a sociedade civil realmente traga para a si a responsabilidade que muitas vezes não tem mostrado, se comporta negando a existência do problema. Estamos diante de patógenos que mutam o tempo inteiro, estamos dando condições para que as variantes apareçam, então é preciso que a sociedade entenda isso. Nesse momento qualquer representação da sociedade civil é legitima, qualquer uma que queira contribuir para resolver”, disse Margareth.


A pneumologista lembrou que em 13 de março do ano passado, quando concedeu a sua primeira entrevista para falar sobre a pandemia de Covid-19 que se iniciara no Brasil, falou à imprensa que “não adianta querer controlar uma epidemia que será muito dura para nós, será uma tragédia no Brasil pela nossa desigualdade social, que será desnudada de maneira obscena e se a iniciativa privada não comparecer”.


Segundo ela, a iniciativa privada brasileira, pela primeira vez, mostrou o que se espera que seja permanente: a criação de uma nova modalidade de voluntariado.

Lotufo mencionou que em relação à iniciativa privada, existe aquela que não aparece e faz pouca propaganda, mas que chegou a investir R$ 1 bilhão para que um grupo de notáveis da ciência nacional tomasse a decisão do que fazer. Por outro lado, há feituras que são egoístas e visam lucrar em cima da pandemia.


“Nos Estados Unidos, país onde surgiu o capitalismo, os mais ricos estão tomando as mesmas vacinas que os mais pobres, enquanto no Brasil querem vender vacinas. Considero algo muito ruim, um caráter ruim da sociedade”, refletiu o professor da USP.


Em um cenário ideal, a proposta de Margareth não é vacinar a população brasileira até setembro. É possível e plausível que até o final deste semestre sejam vacinados 70% dos indivíduos, mas para isso é fundamental que o governo adquira imunizantes. Para além disso, a sociedade, juntamente com a iniciativa privada poderosa, poderá se organizar para as questões logísticas. “Este é um momento muito bom de mobilizar essas coisas”, garantiu.


Medidas não são passageiras


Há uma quantidade muito grande de estudos que mostram que máscaras, distanciamento social e ventilação de ambientes de fato são medidas eficazes para impedir a propagação do novo coronavírus. Lotufo assegurou que a transmissão aérea também está comprovada, por isso é importante que se evite corais em igrejas, por exemplo.


“Essas medidas serão mantidas por muito tempo. Quando falamos em vacinação do indivíduo, vacinação coletiva, nenhuma é 100% eficaz. Você vai estar com chance de se contaminar e ter a doença, por isso temos que vacinar toda a população e continuar com o uso de máscaras e distanciamento”, afirmou o professor.


Não existe tratamento precoce


Já sobre a ação de medicamentos antivirais e anti-inflamatórios como tratamento para Covid-19, os conferencistas disseram que não há nada de positivo até o momento.


“As pessoas precisam entender a diferença de uma virose aguda para uma crônica. A Covid-19 é uma virose aguda e a solução para ela é vacina, não é remédio, não estamos falando de hepatite C ou de Aids. Para viroses crônicas nós temos remédios para tratar. Virose aguda, como febre amarela, sarampo tratamos com vacina. Foram as vacinas que fizeram a diferença e que mudaram a vida de nós todos ao longo do século 20”, ressaltou Margareth.

Assista na íntegra o webinar “Lições aprendidas em um ano de Pandemia de Covid-19”.

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