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União entre cardiologia e oncologia é fundamental na jornada dos pacientes com câncer

Juntas, SBC e SBOC estão promovendo a especialização

do conhecimento em cardio-oncologia


As doenças cardiovasculares (DCV) e o câncer têm elevada prevalência e são responsáveis por milhares de óbitos todos os anos, liderando todas as estatísticas de mortalidade. Anualmente, são mais de 18 milhões e 9 milhões de óbitos por DCV e neoplasia, respectivamente.


Estima-se que mais de 14 milhões de brasileiros tenham cardiopatias, e são mais de 380 mil mortes todos os anos. Em 2020, aproximadamente 626 mil indivíduos foram diagnosticados com novo câncer, acarretando mais de 200 mil óbitos. Trata-se de relevante problema de saúde pública, por isso o impacto das terapias oncológicas em pacientes com e sem DVC tem sido alvo de recente atenção dos especialistas.


“A colaboração entre a cardiologia e a oncologia é fundamental para o enfrentamento dessas enfermidades e o desenvolvimento alcançado nessas especialidades tem propiciado aumento na expectativa de vida, porém, o envelhecimento da população vai ampliar a necessidade de buscarmos novas fronteiras para superar os desafios futuros”, afirmou o presidente da SBC, Marcelo Queiroga, na live “Novas fronteiras na colaboração entre a oncologia e a cardiologia”, realizada no dia 10 de março, em parceria com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), pelo canal da SBC no YouTube.


A comunidade científica tem se empenhado na pesquisa para garantir inovações capazes de mudar a vida da população e a cada dia mais pacientes com diagnóstico de neoplasia têm possibilidades terapêuticas. Entretanto, essas terapias oncológicas podem causar efeitos deletérios ao coração e elevar a incidência de DCV no paciente oncológico. Também há, dada a alta prevalência de doenças do coração, a concomitância de cardiopatia e neoplasia, o que requer atenção especial.


“A cardio-oncologia, uma área de interesse da cardiologia, promove o diálogo entre os diversos especialistas envolvidos com a terapia oncológica e a cardiologia. O cuidado integral ao paciente com câncer é o principal objetivo, priorizando-se a atenção compartilhada com toda a equipe multidisciplinar que auxilia esses pacientes”, explicou Queiroga.


Os cardiopatas requerem cuidados especiais quando necessitam de tratamentos oncológicos e, por sua vez, o tratamento do câncer pode agravar a condição cardiovascular. E mesmo pacientes sem cardiopatia podem desenvolver complicações em virtude do tratamento.


“Portanto, é necessário prevenir, diagnosticar e tratar as complicações da terapia oncológica, como a cardiotoxicidade, para garantir o tratamento oncológico completo e sem interrupções, ampliando as chances de cura ou dando maior sobrevida livre de complicações”, destacou a presidente da SBOC, Clarissa Mathias.


Para ela, a união das duas especialidades é fundamental na jornada do paciente, trazendo maior segurança e possibilitando a conclusão do tratamento oncológico com menor risco de desenvolvimento de toxicidade e propiciando uma melhor condução. “O trabalho conjunto de SBC e SBOC em prol da cardio-oncologia potencializa a chance dos melhores resultados”, disse Clarissa.


A SBC tem se dedicado à consolidação desse novo ramo da medicina, por intermédio da educação médica continuada e pela edição de diretrizes sobre o assunto. Há dez anos, a cardio-oncologia brasileira vem se estruturando.


“Em 2011, foi publicada, nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, a primeira Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia, e este foi um marco importante para nortear a conduta diagnóstica e terapêutica, bem como iniciar a educação médica nesta área”, lembrou Queiroga.


Em 2020, com o objetivo de renovar o conhecimento e promover a implementação da abordagem racional e sistemática das complicações cardiovasculares no paciente oncológico, a SBC, com o apoio da SBOC, reuniram um grupo de especialistas para abordar novas estratégias, propor recomendações baseadas em evidências e desenvolver o cuidado multidisciplinar, que permitirão o manejo adequado dessa categoria crescente de pacientes.


“Um documento completo e atual que traz abordagens importantes sobre os fármacos utilizados nas terapias dos pacientes oncológicos com evolução cardiovascular. Essa interface é importante e mostra a relevância da relação cardiologia e oncologia”, reforçou Clarissa.


A SBC, em parceria com SBOC, unindo cardiologistas e oncologistas para formar especialistas, criou a matriz de competência em treinamento em cardio-oncologia, área que teve seu ano adicional ao Programa de Residência Médica em Cardiologia aprovado em dezembro passado, pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), do Ministério da Educação (MEC).


“O conhecimento precisa ser democratizado e a melhor maneira de se formar um médico é por meio da residência médica, por intermédio de concurso público, um tipo de treinamento com bolsa, porque o conhecimento não pode ficar restrito a poucas pessoas. Precisamos formar cardiologistas com a interação com os serviços de oncologia. A SBC e a SBOC têm um canal de colaboração permanente, com identidade de propósitos”, garantiu Queiroga.


Recentemente, a SBC estreitou parceria com o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) e o Instituto Nacional do Câncer (Inca) para juntos oferecer a Pós-graduação Lato Sensu em Cardio-oncologia. Queiroga explicou que a SBC e a SBOC assinaram um protocolo conjunto para criar a área de atuação em Cardio-oncologia, que precisa ser avaliado pela Comissão Mista de Especialidade, integrada por representantes do Ministério da Saúde, do Ministério da Educação, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira para que, uma vez criada, a cardio-oncologia possa ser anunciada como área de registro de qualificação de especialista.


“A SBOC está ajudando a encontrarmos os melhores caminhos educacionais para a formação do cardiologista em cardio-oncologia para ofertar os melhores tratamentos aos pacientes oncológicos”, destacou o presidente da SBC.


Prevenção dos fatores de risco


Com todo o conhecimento adquirido e a troca de informação entre os especialistas, outro pronto importante lembrado na live foi a questão de estimular cada vez mais a adoção de um estilo de vida saudável na prevenção às doenças cardiovasculares e às neoplasias. “Faz parte do nosso arsenal de tratamento a prática de exercícios físicos, ter uma alimentação adequada, não fumar e controlar a hipertensão arterial, diabetes e elevação do colesterol”, comentou Clarissa.


Estudos demonstram que pacientes com estilo de vida saudável têm mais força para enfrentar o câncer e as quimioterapias e menor chance de desenvolver ou de voltar a ter tumores.


“Sabemos também que o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo estão relacionados ao desenvolvimento do câncer. Identificar e reverter essas condições é importante para evitar as neoplasias. Defendemos atividade física e combate ao estresse”, afirmou a presidente da SBOC.


Queiroga lembrou que a bandeira defendida desde sempre pela SBC de combate aos fatores de riscos modificáveis para evitar o desenvolvimento e o agravamento das doenças cardiovasculares foi a primeira ponte de colaboração entre as duas sociedades médicas, que também reforçam a importância do cumprimento às determinações das autoridades sanitárias no enfrentamento da pandemia de Covid-19.


“Já são mais de 270 mil óbitos por Covid-19 e há dez meses já tínhamos notícias de aumento de mortes súbitas, porque os pacientes estão deixando de ir ao hospital. Houve redução de 15% no número de notificação de óbitos por infartos e AVC e aumento de 30% no número de óbitos em domicílio por causas inespecíficas”, alertou o presidente da SBC, que reforçou o quanto é importante o uso de máscara, o distanciamento social e a vacinação para os pacientes com doenças cardiovasculares


Clarissa reiterou que os pacientes oncológicos também têm mais risco de morte, assim como os cardiopatas, se contraírem a infeção pelo novo coronavírus, por isso é muito importante, neste momento em que a pandemia registra os seus piores números no país, que cumpram as determinações sanitárias e vacinem-se. “Todos têm de fazer a sua parte”, finalizou.

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