Tratamento de doenças cardiovasculares não pode parar

SBC segue promovendo a campanha de conscientização “Parou por quê?”, que alerta a população de que doenças do coração matam mais que o dobro de todos os cânceres juntos no País


Um dos principais fatores para as mortes por doenças cardiovasculares na pandemia foi a interrupção de tratamentos. As pessoas, com medo da Covid-19, deixaram de realizar acompanhamento médico ou mesmo de procurar ajuda, agravando seus problemas ao ficarem em casa.


“Além de todos os prejuízos diretos que o novo coronavírus representa para a saúde e para a sociedade, ele também foi capaz de promover um efeito devastador no cuidado da doença cardiovascular: milhões de pessoas no Brasil deixaram de fazer o diagnóstico, negligenciaram o seu tratamento ou deixaram de lado ações preventivas e curativas. Levantamentos mostram queda das internações cardiovasculares e por infarto, das consultas ambulatoriais, dos procedimentos para diagnóstico e tratamentos como angioplastia e cirurgias cardiovasculares”, fala o presidente do Conselho Administrativo da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), João Fernando Ferreira.


Dados da SBC atestam que as doenças cardiovasculares e metabólicas são responsáveis pelo dobro de mortes registradas no País em relação a todos os tipos de câncer. Matam ainda 2,3 vezes mais que causas externas (como acidentes) e 3,5 vezes mais que todas as doenças respiratórias.


Mesmo assim, segundo o vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC, José Francisco Kerr Saraiva, o brasileiro ainda negligencia o seu tratamento e simplesmente "esquece" situações corriqueiras e indispensáveis para manter a saúde em dia, como as necessárias mudanças no estilo de vida e controle rigoroso da medicação.


Para ampliar a conscientização da população sobre a necessidade de aderir ao tratamento para as doenças cardiovasculares e metabólicas, bem como se posicionar junto aos seus médicos associados e ao público leigo, a SBC segue promovendo a campanha “Parou por quê?”.


“Frente a urgência deste cenário, a SBC desenvolveu esta campanha, pela qual chama a atenção de que todos devem manter o cuidado com a saúde cardiovascular durante a pandemia da Covid-19. Não deixe de fazer exercícios, marcar consultas e exames e tomar os medicamentos prescritos pelo seu cardiologista”, alerta João Fernando Ferreira.


Lançada em novembro passado, a ação, estrelada pelo ator Ary Fontoura, voltou aos veículos de comunicação no último domingo, 23 de janeiro, com vídeo no intervalo do Fantástico, na Rede Globo, especialmente em São Paulo e no Distrito Federal. A peça está disponível nas redes sociais do artista, na página oficial da campanha e no canal do Youtube da SBC.


Outras ações irão acontecer para divulgação da campanha e uma nova parceria com a Rede Globo deverá impactar cerca de 20 milhões de pessoas nas próximas semanas.


"O brasileiro já internalizou que se não realizar o diagnóstico precoce, as mudanças necessárias em seus hábitos e cuidar rigorosamente do seu tratamento, pode morrer de câncer", explica Saraiva. "Mas banalizou doenças como o infarto e o AVC, que matam diariamente muito mais. Precisamos mudar essa realidade", completa.


Com esse intuito de conscientização, a campanha "Parou por quê?" buscou o ator Ary Fontoura para apresentar o tema nos mais variados veículos, para sensibilizar a todos da importância da retomada dos tratamentos médicos. Esta escolha foi motivada em especial, pelo seu grande poder de comunicação nas mídias digitais: no Instagram, Fontoura possui mais de 3,7 milhões de seguidores.


“A cada dois minutos um brasileiro morre de AVC ou de infarto e a principal causa para esses desfechos é a hipertensão arterial, cenário que se torna ainda mais grave porque menos de 30% dos brasileiros tem a sua pressão controlada. A não adesão aos tratamentos - não medicamentoso e medicamentoso - é uma das maiores causas dos piores desfechos e até 2030 projetamos que as doenças cardiovasculares continuarão sendo a primeira causa de morte no Brasil”, salienta o cardiologista membro do Conselho Administrativo da SBC, Celso Amodeo, indicando a necessidade de iniciativas como a campanha "Parou por quê?".


O filme narrado por Ary Fontoura mostra que durante a pandemia milhões de brasileiros simplesmente deixaram de ir ao médico e, ainda mais grave, muitos interromperam seus tratamentos. Mas também deixando claro que isso não é uma prerrogativa da pandemia. A adesão ao tratamento é sempre um desafio em doenças crônicas e a crise da Covid-19 só intensificou um problema já percebido pelos médicos.


"E quando falamos em tratamento, precisamos lembrar que não adianta só tomar remédio e esquecer todo o resto. Exercícios físicos regulares, alimentação equilibrada e controle do peso são fundamentais para o sucesso do tratamento", lembra Amodeo.


Com a campanha "Parou por quê?", que tem apoio da Novartis, Bayer e AstraZeneca, a SBC leva informações para o público leigo, principalmente considerando a retomada do tratamento e das visitas ao consultório bastante prejudicadas no período mais grave da pandemia do novo coronavírus. "Nosso objetivo é mostrar que as doenças cardiovasculares não podem ser minimizadas. Precisamos mudar essa trajetória", completa Saraiva.

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