SBC premiou os melhores temas livres durante o 76º Congresso Brasileiro de Cardiologia

Pontos fortes do congresso, as sessões de temas livres permitiram também discutir a pesquisa no Brasil, promovendo o networking, o que é muito importante para o atual momento do país

Os temas livres ganharam destaque no 76º Congresso Brasileiro de Cardiologia, abrindo o evento e dando visibilidade aos pesquisadores brasileiros em diversas categorias. Foram submetidos mais de 900 temas livres, sendo aprovados quase 800.

Durante os três dias de congresso, de 19 a 21 de novembro de 2021, registraram-se mais de 25.000 acessos à plataforma de temas livres. No dia 19, os melhores trabalhos foram apresentados e concorreram a prêmios. Logo depois aconteceu o Fórum de E-pôsteres.

Desde o começo do ano, uma comissão, formada por Silvia Marinho Martins Alves (PE), coordenadora do grupo, e por Sandro Gonçalves de Lima (PE), Jefferson Luis Vieira (CE), Odilson Marcos Silvestre (AC) e Glaucylara Reis Geovanini (SP) se dedicou a selecionar os melhores trabalhos, que foram avaliados por estes e outros profissionais, em duas fases, sendo julgados em grupos de três para cada uma das seis modalidades, ao vivo durante o congresso.

No dia 21 de novembro, na sessão de encerramento do evento, Silvia revelou os ganhadores. Os médicos avaliadores salientaram o fato de terem sido aprovados trabalhos de diversas instituições de todas as regiões do país, o que demonstra a grande capacidade que o Brasil tem de formar pesquisadores.


Dr. Sergio Kaiser e Dra. Glaucia Moraes na abertura da do 76º Congresso Brasileiro de Cardiologia

Para Gláucia Maria Moraes de Oliveira, editora associada das revistas ABC Cardiol e IJCS, da SBC, além de coordenadora de Acompanhamento de Gestão e Controle Interno, o que mais a chamou atenção no congresso foram justamente os temas livres. Ela foi âncora na abertura da apresentação dos trabalhos científicos, em parceria com Sergio Emanuel Kaiser, professor adjunto de Medicina Interna da UERJ.

“Quando o evento era presencial, o que mais nos deixava tristes era a baixa adesão às sessões dos temas livres. Neste ano, durante as discussões dos trabalhos, houve mais de 1.000 acessos. Isso para nós, que trabalhamos com pesquisa, é uma glória. Durante o fórum principal, foram quase 5.000 acessos. No dia seguinte, a plataforma de temas livres registrou mais de 13.000 acessos, isso mostra que as pessoas estavam interessadas em discutir ciência. Este foi um ponto forte do congresso, quando não só se discutiu o próprio tema livre, mas também a pesquisa e se fez networking, que é extremamente importante”, expõe Glaucia.


Segundo ela, uma coisa é discutir ciência, outra é saber o que pesquisadores brasileiros estão fazendo. Isso é algo muito marcante, especialmente no momento em que a ciência do Brasil está sendo tão questionada. Glaucia ressalta, ainda, que os temas selecionados são próprios do Brasil, não replicação do que é feito em outros países, permitindo analisar os dados da nossa população, trabalhando os próprios desafios. Com isso, está sendo criada a estatística cardiovascular no Brasil, o que não existia até então. “As pessoas, em geral, discutiram muito a base epidemiológica do Brasil, o que foi muito importante.”

Concurso Melhores Temas Livres Orais

No Concurso Melhores Temas Livres Orais – Pesquisador, o primeiro lugar foi para o trabalho “Modelo de predição de risco para óbito hospitalar pós-cirurgia de revascularização do miocárdio baseado em rede neural artificial”, de Álvaro Machado Rösler, Gabriel Constantin, Pedro Nectoux, Diego Cardoso, Estevan Letti, Marcela da Cunha Sales e Fernando Antônio Lucchese. Todos do Centro de Pesquisas em Cirurgia Cardiovascular do Hospital São Francisco, da Santa Casa de Porto Alegre (ISCMPA).

Para Álvaro Machado Rösler, que apresentou o tema, o recebimento deste prêmio teve um impacto bastante significativo para o grupo, tanto pela relevância do evento como pela representatividade da SBC. “Essa premiação também dá destaque para a nossa linha de pesquisa em inteligência artificial aplicada às ciências cardiovasculares, uma área com potencial para avançar em nosso país. Nossa equipe de pesquisas é pequena, mas possui larga experiência em estudos com modelação matemática e profissionais com formação na área de estatística e ciência de dados.”

O trabalho que ficou em segundo lugar foi “Endocardite infecciosa por bactérias gram-negativas não-Hacek: estudo multicêntrico”, de Leonardo Paiva de Sousa, Rinaldo Focaccia Siciliano, Paulo Vieira Damasco, Claudio Querido Fortes, Giovanna Ianini Ferraiuoli Barbosa, Wilma Felix de Oliveira Golebioviski, Clara Weksler, Rafael Quaresma Garrido e Cristiane Lamas, do Instituto Nacional de Cardiologia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

No Concurso Melhores Temas Livres Orais – Jovem Pesquisador, o estudo vencedor foi: “Consumo de laticínios e risco de morte por doenças cardiovasculares em oito anos de seguimento: resultados do estudo longitudinal de saúde do adulto (ELSA-BRASIL)”, de Fernanda Marcelina Silva, Luana Giatti Gonçalves, Luisa Campos Caldeira Brant, Maria de Fátima Haueisen Sander Diniz e Sandhi Maria Barreto, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O segundo lugar foi para “O tratamento com Paracetamol prejudica a contração vascular ao limitar o influxo de CA2+”, de Mikaelle Costa Correia, Eder Soares de Almeida Santos, Bruno Junior Neves e Matheus Lavorenti Rocha, da Universidade Federal de Goiás (UFG).


No Concurso Melhores Temas Livres Orais – Iniciação Científica, o trabalho vencedor foi “Implementação de uma estratégia multifacetada para o controle da hipertensão e diabetes em uma região de baixa renda”, de Victor Schulthais Chagas, Christiane Côrrea Rodrigues Cimini, Thiago Barbabela de Castro Soares, Lucas Tavares Nogueira, Vânia Soares de Oliveira e Almeida Pinto, Junia Xavier Maia, Leonardo Bonisson Ribeiro, Antonio Luiz Pinho Ribeiro e Milena Soriano Marcolino. Eles representam a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Faculdade de Medicina e Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas – Universidade Federal de Minas Gerais (FM-UFMG CTHC-UFMG) e a Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

“O prêmio representa um misto de orgulho com gratidão pela confiança depositada em mim como porta-voz de um projeto tão relevante”, comenta Victor Schulthais Chagas, que foi o apresentador do trabalho durante o congresso.

Para ele, este reconhecimento é um incentivo à continuidade do projeto em si, de sua carreira futura como médico e pesquisador e também representa um símbolo de que, apesar dos constantes desafios que vêm sendo impostos às práticas de produção científica nos últimos anos, a ciência persiste.

O segundo lugar nesta categoria ficou para o trabalho “Acurácia do Escore de Sharpen na predição de mortalidade após a alta hospitalar de pacientes internados por endocardite infecciosa”, de Helena Marcon Bischoff, Sofia Giusti Alves, Fernando Pivatto Júnior, Filippe Barcellos Filippini, Gustavo Paglioli Dannenhauer, Gabriel Seroiska, Luiz Felipe Schmidt Birk, Diego Henrique Terra, Daniel Sganzerla e Marcelo Haertel Miglioranza. Eles representam a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e o Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia (IC-FUC).

Concurso Melhores Temas Livres Pôsteres

No Concurso Melhores Temas Livres Pôsteres – Pesquisador, o primeiro lugar foi para “Avaliação da função microvascular sistêmica de pacientes cardiopatas na fase aguda de Covid-19 e no seguimento de longo prazo pós-recuperação”, de Leticia Roberto Sabioni, Andrea de Lorenzo, Cristiane Lamas e Eduardo Vera Tibiriçá, do Instituto Nacional de Cardiologia.

O segundo lugar foi para “Fetal interventricular septum volumes by 3D ultrasound with 4D-STIC and vocal in fetuses from pre-gestational diabetic women”, de Nathalie Jeanne Magioli Bravo-Valenzuela, Alberto Borges Peixoto, Rosiane Mattar e Edward Araujo Junior, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e da Universidade de Uberaba (UNIUBE).

No Concurso Melhores Temas Livres Pôsteres – Jovem Pesquisador, o trabalho que recebeu o primeiro lugar foi “Consumo de frutose altera poliaminas associadas a fatores de risco Cardiovasculares”, de Fabiane Valentini Francisqueti Ferron, Matheus Antônio Filiol Belin, Thiago Luiz Novaga Palácio, Artur Junio Togneri Ferron, Jéssica Leite Garcia, Hugo Tadashi Kano, Giuseppina Pace Pereira Lima, Camila Renata Corrêa e Igor Otávio Minatel, da Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP) e do Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP)

“Ganhar o prêmio foi uma alegria inenarrável! Ter sua pesquisa conhecida e reconhecida no congresso pela comunidade médica cardiologista do país é ter a certeza de que as pesquisas feitas pelo nosso grupo têm seu valor e relevância e que devemos continuar, mesmo quando pensamos em desistir”, comenta Fabiane Valentini Francisqueti Ferron, apresentadora do trabalho.

De acordo com ela, a iniciativa da SBC, que apoia e premia desde a iniciação científica até as categorias de jovem pesquisador e pesquisador, é fundamental para que a ciência continue sendo valorizada e que o cientista acredite e tenha estímulos para continuar pesquisando e fazendo a diferença na comunidade científica.

O segundo lugar nesta categoria foi para o trabalho “Covid-19 e coração: avaliação da troponina e de comorbidades cardiovasculares como marcadores de prognóstico em pacientes internados por Covid-19”, de Henrique Trombini Pinesi, Fernando Rabioglio Giugni, Bruna Romanelli Scarpa Matuck, Fabio Grunspun Pitta, Cibele Larrosa Garzillo, Eduardo Gomes Lima, Geraldo Busatto Filho, Roberto Kalil Filho e Carlos Vicente Serrano Junior, do Instituto do Coração da HCFMUSP e do HCFMUSP Covid-19 Study Group.

No Concurso Melhores Temas Livres Pôsteres – Iniciação Científica, o primeiro lugar ficou para o trabalho “O impacto do processo de urbanização sobre a saúde cardiovascular: uma análise com populações indígenas do interior do nordeste Brasileiro”. O tema foi desenvolvido por Manoel Pereira Guimarães, Thiago Reis do Carmo, Eliene Aparecida Cerqueira Marcos, Emanuela Giordana Freitas de Siqueira, Alécio Vinícius Sá Gomes e Farias, Mariana Peixoto de Lima Cavalcanti, Gabriel dos Santos Dias, Bruno Eduardo Bastos Rolim Nunes, Lucas Gomes Santos, Ana Marice Teixeira Ladeia, Carlos Dornels Freire de Souza e Anderson da Costa Armstrong, da Universidade Federal do Vale do São Francisco, da Universidade Federal de Alagoas e da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

O apresentador do trabalho, Manoel Pereira Guimarães, explica que o Projeto de Aterosclerose Indígena (PAI) tem o propósito de investigar o impacto do processo de urbanização na saúde cardiovascular de comunidades indígenas em diferentes estágios de urbanização. Além das pesquisas, há uma ação extensionista para levar cuidados de saúde para essas comunidades tradicionais indígenas. “Foi uma honra poder mostrar nossos esforços no maior congresso médico do Brasil. Em nossa análise, mostramos que o grau de urbanização apresentou-se como importante fator de risco para o desenvolvimento de comorbidades relacionadas ao sistema cardiovascular”, comenta.

O PAI é o maior estudo envolvendo povos tradicionais indígenas no nordeste brasileiro. Já são oito anos desde a idealização do projeto. A oportunidade de mostrar dados relevantes para epidemiologia e para saúde pública brasileira deixa todos os membros do grupo PAI orgulhosos. “Cabe ressaltar o empenho da Sociedade Brasileira de Cardiologia em incentivar a pesquisa em nosso país. São grandes eventos como este que fazem com que nós, jovens estudantes e profissionais de saúde, acreditemos no poder da decisão clínica baseada em boas evidências e na responsabilidade que temos em contribuir com o futuro da literatura médica nacional e mundial”, ressalta Guimarães.

No segundo lugar nesta categoria ficou o trabalho “Fatores associados à adesão ao tratamento farmacológico em hipertensos cadastrados no Programa Hiperdia”, de Yuri Barbosa Araújo, Jadyelle dos Santos Teixeira, Emanuel Cardoso de Oliveira, Glebson Santos Sobral e Rafael Alexandre Meneguz Moreno, da Universidade Federal de Sergipe.

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