SBC participa de Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis

Comitê publicou Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19. Principal entidade da cardiologia brasileira propôs o detalhamento de quem deve ser considerado prioritário à vacinação na qualidade de cardiopata


A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recebeu, em dezembro, convite para participar da Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis, ligada ao Governo Federal, que por meio da Secretaria de Vigilância Sanitária, Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis - Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI), publicou no mês passado o Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19.


Trata-se de uma medida adicional de resposta ao enfrentamento da doença, tida como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), mediante ações de vacinação nos três níveis de gestão.


Para colaboração na elaboração deste plano, o Ministério da Saúde instituiu a Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis, composta por representantes deste e de outros órgãos governamentais e não governamentais, assim como Sociedades Científicas, Conselhos de Classe, especialistas com expertise na área, Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).


As diretrizes definidas visam apoiar os estados e municípios no planejamento e operacionalização da vacinação contra a doença. O êxito dessa ação será possível mediante o envolvimento das três esferas de gestão em esforços coordenados no Sistema Único de Saúde (SUS), mobilização e adesão da população à vacinação.


As informações contidas no plano serão atualizadas conforme o surgimento de novas evidências científicas, conhecimentos acerca das vacinas, cenário epidemiológico da Covid-19, em conformidade com as fases previamente definidas e aquisição dos imunizantes após aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


“O Ministério da Saúde publicou a primeira versão do Plano Nacional de Imunização contra Covid-19 e o colocou em consulta pública. A SBC foi convidada a opinar. O fato já ocorreu. Eu revisei o documento por solicitação da diretoria da SBC. Fiz algumas sugestões, após consulta à diretoria”, disse o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante da Comissão Científica da SBC, Wolney de Andrade Martins.


Ao jornalismo da SBC, Martins destacou que, especificamente, a entidade propôs o detalhamento de quem deve ser considerado prioritário à vacinação na qualidade de cardiopata. Também foram especificadas as principais cardiopatias que incorrem em risco para formas graves de Covid-19. “Não sabemos se tais sugestões serão incorporadas no plano”, afirmou o médico.


De acordo com a SBC, as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares prioritárias à vacinação contra Covid-19 são:

  • Síndrome/Doença cardiovascular ou cerebrovascular

  • Insuficiência cardíaca (IC)

  • Cor-pulmonale e Hipertensão pulmonar

  • Hipertensão Arterial Resistente (HAR)

  • Hipertensão arterial estágio 3

  • Hipertensão arterial estágios 1 e 2 com LOA e/ou comorbidade

  • Cardiopatia hipertensiva

  • Síndromes coronarianas

  • Valvopatias

  • Miocardiopatias e Pericardiopatias

  • Doenças da Aorta, dos Grandes Vasos e Fístulas arteriovenosas

  • Arritmias cardíacas

  • Cardiopatias congênita no adulto

  • Próteses valvares e Dispositivos cardíacos implantados

  • Doença cerebrovascular


Referência mundial


O PNI, criado em 1973, é responsável pela política nacional de imunizações e tem como missão reduzir a morbimortalidade por doenças imunopreveníveis, com fortalecimento de ações integradas de vigilância em saúde para promoção, proteção e prevenção em saúde da população brasileira. É um dos maiores programas de vacinação do mundo, sendo reconhecido nacional e internacionalmente.


Atualmente o PNI atende 212 milhões de pessoas, é um patrimônio do estado brasileiro, mantido pelo comprometimento e dedicação de profissionais de saúde, gestores e de toda população. São 47 anos de ampla expertise em vacinação em massa e está preparado para promover a vacinação contra a Covid-19.

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