SBC lançou Posicionamento sobre Saúde Cardiovascular nas Mulheres 2022 no 77º CBC

Documento orientará profissionais em relação ao que se sabe de mais recente em relação à saúde cardiovascular feminina


A sociedade Brasileira de Cardiologia lançou, no Congresso Mundial e Brasileiro de Cardiologia, um Posicionamento sobre Saúde Cardiovascular nas Mulheres 2022. Intitulado “Carta às Mulheres”, o posicionamento da SBC propõe a redução da mortalidade feminina relacionada às Doenças Cardiovasculares em 30% até 2030.

As Doenças Cardiovasculares são a maior causa de morte no Brasil entre homens e mulheres. No caso específico das mulheres, as doenças cardiovasculares matam mais do que todos os tipos de câncer somados.

“A importância do lançamento deste Posicionamento é chamar atenção pra saúde cardiovascular das mulheres e não pra doenças e, também, para o fato de que as mulheres têm um ciclo de vida e elas se modificam nesse ciclo do ponto de vista hormonal. Por conta disso, tem alguns fatores cardiovasculares que são próprios da mulher. E por outro lado, a mulher sofre com outros tipos de riscos como a violência, questões socioeconômicas e de saúde mental como os fenômenos de ansiedade e depressão”, explica a diretora da SBC e uma das autoras do posicionamento, Gláucia Moraes de Oliveira.

Ainda, nas mulheres brasileiras, observa-se aumento da prevalência e de mortalidade por doenças cardiovasculares após a menopausa, o que agrava as perspectivas em futuro próximo pelo envelhecimento e adoecimento da população feminina no Brasil.

“Este Posicionamento visa chamar a atenção de que as mulheres precisam se cuidar e dado que elas vão mais aos ginecologistas e aos obstetras, é preciso alertar esses colegas para que avaliem essas mulheres não só com os olhos da prevenção do Câncer, mas também com os olhos da prevenção da doença cardiovascular”, explica a diretora.

Um aspecto particular é a desigualdade de acometimento entre as regiões, tanto no acesso quanto no diagnóstico como ao tratamento. Cerca de metade da mortalidade por doenças cardiovasculares em mulheres antes dos 65 anos pode ser atribuída à pobreza e às desigualdades sociais.

Alimentação inadequada, baixa atividade física, consumo de álcool e tabagismo são outros importantes fatores de risco para as doenças cardiovasculares em mulheres, mais prevalentes nas classes sociais menos favorecidas da população, incluindo as crianças e as adolescentes brasileiras.

É fundamental promover iniciativas para aumentar o conhecimento sobre a importância da saúde cardiovascular ao longo da vida da mulher. Além disso, é fundamental compreender melhor as disparidades locais na saúde cardiovascular das mulheres para definir políticas públicas e assistência à saúde, reduzir lacunas e promover a equidade de sexo na atenção à saúde brasileira.

“Em termos de saúde pública, as mulheres são muito importantes para os programas de atenção primária à saúde, que não devem ser exclusivamente voltados pra o acolhimento da gravidez, mas também voltado pra todos os fatores de risco cardiovasculares. E por fim, é muito importante alertar mais uma vez pra sub-representatividade das mulheres nos ensaios clínicos”, finaliza.



Para conferir o posicionamento completo, acesse o link:

https://abccardiol.org/article/posicionamento-sobre-a-saude-cardiovascular-nas-mulheres-2022/

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