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SBC e Conasems promovem debate sobre telemedicina

“Telemedicina na atenção básica: possibilidade e perspectivas em tempos de pandemia” foi tema de webinar com o objetivo de capacitar equipes de saúde dedicadas à atenção primária e discutir como a telemedicina pode

ajudar neste momento de pandemia


Como parte do Projeto Cuidando do Coração, uma parceria entre a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), foi realizado no último dia 15 de setembro o webinar “Telemedicina na atenção básica: possibilidade e perspectivas em tempos de pandemia”, cujo foco foi a capacitação de equipes de saúde dedicadas à atenção primária por meio de plataforma digital.


Foram convidados o presidente da Sociedade Internacional de Eletrocardiologia e professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Antônio Luiz Pinho Ribeiro; o diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e coordenador do Departamento de Saúde Digital, Tecnologia e Telemedicina da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Marcio Krakauer; a responsável pela implementação da telemedicina e novas tecnologias e coordenadora do Serviço de Atendimento Pré-Clínico de Florianópolis, Fernanda Melchior; além do vice-presidente do Conasems, Charles Tocantins. O diretor de Promoção de Saúde Cardiovascular da SBC, José Francisco Keer Saraiva, moderou o debate.


Ribeiro iniciou as exposições trazendo o viés de como a telemedicina pode ajudar o clínico e compartilhou sua experiência à frente da Rede de Teleassistência de Minas Gerais (RTMG), uma parceria entre sete universidades públicas com o objetivo de desenvolver, implementar e avaliar sistemas de telessaúde.


Segundo Ribeiro, o espectro de ação da RTMG inclui suporte clínico – teleconsultorias, telediagnóstico; tele-educação – cursos e webaulas, FAQs, objetivos de aprendizagem; e serviços de suporte – auditoria clínica, monitoramento e suporte técnico. No serviço de telecardiologia, por exemplo, se oferece plantão de médicos 24 horas, sete dias da semana, com três a cinco cardiologistas atuando simultaneamente durante o dia, respondendo exames em menos de quatro horas e urgências em até dez minutos.


“Desenvolvemos um sistema We-based, in house, ultra-avançado, compatível com diferentes aparelhos de eletrocardiogramas (ECGs), ferramentas de medidas, interpretação automática e um sistema de laudos sofisticados. A telessaúde existe e funciona se tiver realmente conectada com as necessidades da ponta (dos pacientes)”, ressaltou Ribeiro.


A partir da RTMG criou-se um projeto para orientar a população sobre os cuidados frente à pandemia de COVID-19. Atende-se remotamente a casos suspeitos, a fim de reconhecer os graves e os encaminhar precocemente para o atendimento médico hospitalar; perceber os de menor gravidade e os encaminhar para o isolamento domiciliar; e monitorar remotamente os pacientes em casa bem como orientar sua volta às atividades.


“A telessaúde não vai substituir o profissional de saúde. O contato humano, as decisões humanas são essenciais, insubstituíveis, mas não há motivo para que a tecnologia, que usamos para tudo, não seja incorporada no dia a dia da atenção primária à saúde, trazendo melhorias a como as pessoas são tratadas e vivem”, afirmou Ribeiro.


Foram 5.123 pacientes atendidos, sendo 5.025 para teleconsulta e monitoramento. Como resultados e benefícios, Ribeiro destacou a redução das demandas da população pelos serviços de saúde; a maior possibilidade de diagnósticos precoces; bem como o suporte aos profissionais e organização sistema de saúde.


Tecnologia a serviço do médico e do paciente


Para Krakauer, a colaboração entre profissionais é que vai criar para todos um conhecimento brasileiro de como utilizar as ferramentas de tecnologia à serviço do médico e do paciente. Ele lembrou que, pela Resolução 2.227/18, do Conselho Federal de Medicina (CFM), telemedicina é “o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde”, podendo ser realizada em tempo real (síncrona) ou off-line (assíncrona).


Por conta da pandemia, criou-se uma lei emergencial. A Nota Técnica (autorizando a telemedicina em caráter excepcional durante a pandemia) não a caracteriza como um novo procedimento. “Telemedicina não é um procedimento diferente. A telessaúde já está incorporada na cobertura obrigatória. A telemedicina é a medicina só que com o uso de tecnologia. Outras tecnologias que têm os seus limites. Tem vantagens e desvantagens. As desvantagens são fáceis de saber: o paciente não está do seu lado, você não consegue examiná-lo imediatamente em todos os aspectos”, falou Krakauer.


Entre as vantagens, o representante da SBD citou o acesso à saúde, o custo efetivo, a conveniência, além do fato de estar ligada à demanda do milênio. De acordo com ele, as pessoas que estão crescendo no contexto da tecnologia se adaptarão mais facilmente. Também são vantagens a redução do absenteísmo, diminuindo a frequência em que os profissionais faltam ao trabalho.


“Na telemedicina para casos de diabetes, por exemplo, sabemos de antemão que controlar o diabetes diminui complicações crônicas micro e macrovasculares. Precisamos ter instrumentos para ajudar o paciente a controlar a glicose. Temos hoje ferramentas muito modernas, como sensores de glicose que podem ser utilizados, mas ainda há custo muito elevado. Também temos testes de glicemia capilar que são nossa realidade e existe, inclusive, fornecimento gratuito, principalmente para pacientes com diabetes tipo 2. A telemedicina é realidade. As clínicas serão cada vez mais virtuais, o médico precisa estar preparado, o paciente precisa se familiarizar e confiar”, disse Krakauer.


Êxito na saúde pública


A Prefeitura de Florianópolis lançou em março um programa inédito no Brasil para atendimento pré-clínico via telefone e aplicativos, gratuitamente, 24 horas por dia. Ao ligar para um 0800, o morador da cidade pode tirar dúvidas sobre o sistema de saúde, aprender sobre autocuidados e até mesmo marcar consultas sem precisar se deslocar até uma unidade de saúde.


A coordenadora do Serviço de Atendimento Pré-Clínico e responsável pela implementação da telemedicina e novas tecnologias na capital catarinense, Fernanda Melchior, trouxe à cena a experiência da telemedicina na saúde pública, a partir da vivência do Programa Alô Saúde Floripa. “O programa não foi criado para ser um ‘alô corona’, um telecovid; ele já estava todo estruturado, inclusive, com os 147 algoritmos adaptados. Trata-se do primeiro serviço pré-clínico por telefone do SUS no Brasil”, revela Fernanda.


O programa começou a ser construído em 2017, com a adequação da estrutura física das unidades de saúde de Florianópolis. Depois, foram as mudanças de fluxos nos Centros de Saúde. Em 2019, começou a implantação do novo prontuário eletrônico, que permite uma conexão do histórico do paciente em tempo real para qualquer local de atendimento.


De acordo com Fernanda, a Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis utilizou a telemedicina como importante reforço aos atributos da assistência primária durante a pandemia. Como estratégia, optou por não segregar os atendimentos a pacientes com COVID-19 em determinado local. Os 49 centros de saúde da cidade se mantiveram funcionando, e a telemedicina foi um apoio essencial.


“Dentro da perspectiva de vídeoconsulta, uma gama de possibilidades se abriu: emissão de receita, envio e reavaliação de exames, agendamento de consultas presenciais, programação de visitas domiciliares, dúvidas sobre uso de medicações/vacinas, avaliação de cumprimento de restrição domiciliar nos grupos de risco, dúvidas e seguimento do cuidado. Atendemos cerca de 60 mil pessoas, das quais 83% eram pacientes com dúvidas ou sintomas relacionados à COVID-19”, disse Fernanda.


O vice-presidente do Conasems complementou a discussão compartilhando a experiência da telemedicina na região norte do país e da utilização do consultório digital. Segundo Tocantins, desde já é possível perceber como a telemedicina pode trazer inclusão gigantesca ao sistema de saúde, de pessoas, porque a própria distância e o meio de transporte não permitem o rápido acesso aos serviços especializados. “É o futuro da medicina e da saúde como um todo”, enfatizou.


Moderador do debate, Saraiva reiterou que muitas vezes, em regiões mais longínquas, como no Norte do país, o indivíduo perde horas para se deslocar a uma unidade de saúde para muitas vezes receber uma avaliação que ele poderia ter sem esse gasto de tempo. Pior ainda quando o sistema de comunicação não permite avisar o paciente de que uma consulta foi cancelada.


“Isso vai totalmente na contramão da humanização, e eu creio que um dos pontos mais fortes dessa tecnologia é que ela não afasta, ela aproxima e facilita tremendamente a vida do cidadão. Para isso temos que criar instrumentos, inclusive de envolvimento da família, porque eu não posso querer que um paciente de 80 anos seja ativo. Muitos deles têm problemas cognitivos e não sabem operar equipamentos que poderiam ser úteis, mas os filhos sabem, os descendentes sabem. Essa estrutura tem que envolver a comunidade como um todo”, finalizou o diretor de Promoção de Saúde Cardiovascular da SBC.


Assista na íntegra ao webinar “Telemedicina na atenção básica: possibilidade e perspectivas em tempos de pandemia” AQUI.

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