SBC e CONASEMS debatem saúde mental antes e depois da pandemia

Webinar destacou a temática na perspectiva do SUS e buscou propostas sobre como cuidar do paciente com tais problemas, agravados por mais de um ano de pandemia


A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) promoveram, no último dia 23/6, o webinar “Saúde mental antes e depois da Covid-19”, que debateu a temática na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS) e buscou propostas sobre como cuidar do paciente com tais problemas, agravados por mais de um ano de pandemia, além de como acolher e cuidar das famílias que estão sofrendo o luto da perda nesse período. A ação está inserida na parceria entre as entidades para promover em conjunto a educação de equipes da atenção básica de saúde dos municípios, chamada de Cuidando do Coração.


O presidente do Departamento de Aterosclerose (DA) da SBC, Antonio Carlos Palandri Chagas, foi o mediador da conferência, que teve considerações da psicóloga, gerente de Saúde Mental, coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Cardiovascular e vice-diretora do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital do Coração (HCor), Silvia Maria Cury Ismael, e da psicanalista com expertise na área de Psicologia e ênfase em Intervenção Terapêutica, que atua principalmente em espiritualidade e saúde, Suzana Garcia Pacheco Avezum.


“Para a SBC, através da Diretoria de Promoção de Saúde Cardiovascular/Funcor e o Departamento de Aterosclerose, é uma enorme satisfação estar falando para todo o Brasil, pois sei que estamos conectados a mais de cinco mil municípios através do programa Cuidando do Coração. É alta a relevância de poder interagir com os colegas profissionais de saúde, as inúmeras unidades básicas e avançadas de saúde e poder trazer a imagem multiprofissional da cardiologia”, falou Chagas.

Ele lembrou ainda que o emocional das pessoas se encontra, indiscutivelmente, afetado não só para os pacientes de Covid-19, mas também para os familiares, amigos e vítimas da doença que já tirou vida de mais de 500 mil brasileiros e outras milhões ao redor do mundo. “Precisamos muito, realmente, ter o coração um pouco aliviado”, falou o presidente do DA/SBC.


Para Silvia, a saúde mental sempre foi extremamente importante de ser cuidada e acompanhada, e a impressão que se tem agora é de que apenas mediante todo esse processo que todos tem passado, a pandemia, é que isso ficou em evidência, assim como o trabalho desenvolvido por psicólogos, psicanalistas e psiquiatras.


“Sabemos o quanto é importante e necessário termos profissionais da psicologia disponíveis para esse cuidado, referenciando esse paciente para o médico de família, encaminhando através de algum agente comunitário, que nos traz alguma situação que esteja ocorrendo. Todos nós, profissionais de saúde ou não, estamos tendo um processo de vivenciar esse contexto, a angústia de viver uma situação totalmente diferente, pela qual, duvido, que alguém tenha passado nesse nosso século XX”, falou a psicóloga referindo-se à pandemia do coronavírus.

Segundo ela, é fundamental observar o momento, que exige enfrentamento e aprendizado. Lições e inovações resultaram desses mais de 16 meses, as quais para Silvia, as pessoas não haviam tido na última década.


“O aprendizado foi muito grande, as inovações vão acontecendo e nós temos que enfrentar e ter uma certa tranquilidade para poder ajudar o próximo. E para isso nós temos, também, que estar bem”, ressaltou Silvia.


Suzana ressaltou que houve um aumento exponencial na procura por profissionais da área psíquica. As agendas nunca estiveram tão cheias e as queixas são sempre as mesmas: angústia, medo, crise de ansiedade, síndrome do pânico.


“Nós todos temos vivido situações de medo e pânico, de raiva e frustração, de dor e entristecimento. E primeiro, o mais importante, vivemos uma sensação de vulnerabilidade. Nunca, na nossa geração e talvez nas anteriores, nos sentimos tão inseguros, tão sem controle e tão impotentes como estamos agora. A única comparação que eu faria, e que nós brasileiros nunca experimentamos, são situações de guerra. Não temos nenhum paralelo na nossa história que ilustre o que estamos vivendo com a pandemia”, disse a psicanalista.


Isso justifica o fato de os indivíduos estarem bravos e mais nervosos. De acordo com Suzana, a sociedade está se deparando com um sofrimento mais difícil, mais profundo e mais humano, que é a sensação de desamparo e de abandono. Trata-se do sentimento mais primitivo, puro e difícil de enfrentar que o ser humano possui.


“Sentimos falta de outro que nos cuide e qual seria esse outro: o governo, a ciência, a falta de recursos médicos, a incerteza com as vacinas? Temos medo da morte, da minha ou de uma pessoa querida, medo das perdas, da redução dos laços afetivos, da redução dos contatos sociais, da perda do dinheiro, de perder o emprego”, destacou Suzana.


Segundo o Ministério da Saúde, o aumento dos sintomas psíquicos e dos transtornos mentais durante a pandemia pode ocorrer por diversas causas, entre elas a ação direta do novo coronavírus no sistema nervoso central, as experiências traumáticas associadas à infecção ou à morte de pessoas próximas, o estresse induzido pela mudança no dia a dia devido às medidas de distanciamento social ou pelas consequências econômicas, na rotina de trabalho ou nas relações afetivas e, por fim, a interrupção de tratamento por dificuldades de acesso.


Este foi o quarto webinar da série Cuidando do Coração, parceria da SBC com o CONASEMS. Os encontros são mensais, transmitidos pelo canal do YouTube do CONASEMS com a participação de profissionais especialistas sobre os temas estruturados e produzidos pela SBC, cuja validação prévia da grade de conteúdo é feita pelo Conselho.


Assista na íntegra o webinar “Saúde mental antes e depois da Covid-19” AQUI.

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