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SBC alerta: controle do colesterol é fundamental para minimizar riscos de doenças cardiovasculares

Nível elevado de gordura saturada no sangue pode levar a comorbidades que agravam as condições de pacientes com Covid-19


Neste sábado, 8 de agosto, é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Colesterol e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) faz um alerta para os riscos de doenças cardiovasculares. O colesterol elevado no sangue é uma das principais causas de dessas patologias, e pode levar ao infarto e acidente vascular cerebral (AVC), importantes fatores de risco de morte.


As doenças cardiovasculares são líderes de mortalidade no Brasil. Segundo o presidente da SBC, Marcelo Queiroga, aproximadamente 14 milhões de brasileiros têm alguma doença no coração e mais de 380 mil morrem por ano em decorrência dessas enfermidades, o que corresponde a 30% de todas as mortes no país. “São cerca de mil mortos por dia, o que é mais ou menos o que vem estimando hoje a sociedade brasileira em função da pandemia da Covid-19. É um assunto de absoluta relevância que precisa ser encarado pelas autoridades públicas como prioritário”, afirma.


Produzido no organismo, o colesterol é uma gordura com a função de manter as células em funcionamento para produção de hormônios e da bile, metabolização de vitaminas, entre outras funções.


Existem dois tipos de colesterol presentes na corrente sanguínea. O LDL, conhecido como “ruim”, e o HDL, que protege o coração de doenças e, por isso, é considerado “bom”. Um dos motivos da alteração dos níveis de colesterol ruim é o consumo excessivo de gorduras saturadas e trans, presentes em alimentos de origem animal, como carnes, ovos, derivados do leite, além de produtos ultraprocessados, como biscoitos, margarina, salgadinhos de pacote, comidas congeladas, bolos prontos e sorvete. “Cerca de 70% do colesterol é produzido pelo próprio organismo, no fígado. Os demais 30% vêm da dieta e, por isso, é tão importante manter uma alimentação equilibrada”, alerta Antonio Carlos Palandri Chagas, presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC.


Um dos mitos mais ultrapassados é acreditar que o colesterol é problema apenas de quem sofre de obesidade. Pessoas magras também podem apresentar descontrole nos níveis de gordura no sangue e estar no grupo de risco de infarto e AVC. “É importante que as pessoas saibam que o colesterol elevado, na maioria dos casos, não dá sinais nem qualquer tipo de sintomas. Por isso, é essencial fazer os exames periódicos e acompanhamento médico, além de adotar hábitos que incluem a alimentação saudável e adequada e a prática de atividades físicas regularmente”, explica Chagas.


O diagnóstico para risco cardiovascular é feito pelo médico, que avalia além dos valores de colesterol e frações, também leva em consideração à genética, a história familiar e todos os fatores de risco associados para fechar o diagnóstico e definir a conduta. Uma pesquisa feita pela SBC, em 2017, mostrava que 67% das pessoas desconheciam os valores dos níveis de colesterol do próprio organismo. “Ter as taxas de gorduras no sangue controladas são importantes para diminuir os riscos que levam a doenças cardiovasculares, silenciosas na maioria das vezes. É preciso que o assunto seja cada vez mais divulgado para que as pessoas aprendam a cuidar da própria saúde, atinjam suas metas de colesterol e, como consequência, mais vidas sejam salvas”, reforça Chagas.


Uma das comorbidades que preocupam é a aterosclerose, doença degenerativa que se caracteriza principalmente pelo depósito de gordura (colesterol LDL) e de outras substâncias nas camadas internas das artérias do coração, do cérebro, da aorta, obstruindo a passagem do sangue em porcentagens variáveis. Forma-se o ateroma, uma espécie de “calombo” nas artérias.


Uma outra doença, um pouco diferente e com nome parecido, é a arteriosclerose, que se caracteriza pelos depósitos de gordura e cálcio ao longo de toda a extensão de uma artéria, deixando-a endurecida. Ambas são doenças progressivas e silenciosas e provocadas pelo acúmulo de colesterol LDL em placas ou ao longo das artérias. O portador não sente o colesterol elevado, mas se não for tratado corretamente, poderá ter as complicações causadas pelas obstruções dessas artérias: angina do peito, infarto do miocárdio, AVC, aneurismas e outras. E aí sim passa a ser paciente de alto risco se contrair o novo coronavírus.


A ciência já mostrou que a Covid-19 provoca uma agressão direta ao coração e pacientes acometidos por doenças cardiovasculares, como colesterol elevado, podem ter implicações sérias decorrentes da infecção pelo novo coronavírus.

A mortalidade dos portadores dessas enfermidades em decorrência de Covid-19 ocorre, principalmente, por complicações respiratórias, infeciosas e cardiovasculares. Dentre as complicações cardiovasculares, chama atenção a elevada incidência de arritmias cardíacas, as quais podem ocorrer em 15% a 20% dos pacientes. As síndromes isquêmicas agudas ocorrem em aproximadamente 8% dos infectados. A miocardite (inflamação aguda do músculo cardíaco) ocorre entre 5% e 10% dos pacientes.


Por causa da prevalência das doenças cardiovasculares e pelo caráter pandêmico da Covid-19, é comum um indivíduo cardiopata contrair a infecção por SARS-CoV-2, cuja taxa de letalidade é de até 10,5% nos portadores de comorbidades associadas a essas patologias.


“Neste momento de crise de saúde pública, é muito importante informar aos pacientes cardiopatas sobre os riscos que correm ao se contaminarem com o coronavírus, como eles devem evitar o contágio – medida baseada principalmente no isolamento social – e manter os cuidados para o controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol. Também devem seguir seus tratamentos específicos, fazendo o uso regular dos seus medicamentos conforme prescrição médica, atentarem-se para a prevenção às doenças cardiovasculares conforme as recomendações da diretriz de prevenção da SBC e a buscarem precocemente por assistência médica em caso de surgimento de sintomas de Covid-19”, indica Queiroga.


Conhecimento gera prevenção


A SBC está realizando várias ações para orientar os cardiologistas, demais especialistas e outros profissionais de saúde em geral sobre as implicações da infecção pelo novo coronavírus sobre o sistema cardiovascular. “Como sociedade científica de atuação nacional, tem como uma de suas missões oferecer sua contribuição técnica, por meio de seu corpo de especialistas e da educação médica continuada, para colaborar com o poder público, o Ministério da Saúde, com as autoridades sanitárias do Brasil, dos estados e dos municípios no combate à pandemia e levar informação e conhecimento a quem está à frente do cuidado da saúde da população brasileira, pois é a forma que temos de prevenir as doenças do aparelho circulatório e cuidar dos que já têm comorbidades crônicas” afirma o presidente da entidade.


E com o compromisso de proporcionar tratamentos mais eficazes e políticas públicas de prevenção às doenças cardiovasculares, a SBC acaba de lançar a plataforma on-line Estatísticas Cardiovasculares Brasil: 2020, com milhares de dados sobre essas patologias e seus impactos no país. A base reúne informações, números e pesquisas sobre o tema entre 1990 e 2017 e permite a extração dos dados em diferentes recortes, apresentando-os em estatísticas e gráficos que podem considerar a enfermidade selecionada, classificando sua incidência por faixa etária, região e gênero.


“ A ideia é criar e revisar anualmente os dados de estatística e epidemiologia das doenças cardiovasculares no país, para que, com as informações atualizadas, possam ser tomadas decisões tanto do ponto de vista individual quanto no nível de políticas públicas, tão relevantes para o planejamento, prevenção e promoção da saúde”, garante Marcelo Queiroga.


A plataforma Estatísticas Cardiovasculares Brasil: 2020 está disponível no site: https://www.estatisticabrasil.cardiol.br/.

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