Saúde se constrói com educação

Dia de Formação de Monitores dá início ao programa “SBC vai à escola” em Palhoça, Santa Catarina. Esta é a primeira vez que a iniciativa é realizada em uma instituição particular e ocorre através de parceria da SBC com Universidade Sul de Santa Catarina (Unisul)


A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) realizou, no dia 19/6, a formação dos 52 monitores que irão atuar no programa “SBC vai à escola” junto ao Grupo Educacional Bom Jesus, localizado no município de Palhoça/SC. Esta é a primeira vez que uma instituição de ensino privado recebe a iniciativa, e nesse caso, especificamente, se deu através de parceria entre a diretoria de Promoção da Saúde Cardiovascular/FUNCOR, com a regional de Santa Catarina (SBC/SC) e a Universidade Sul de Santa Catarina (Unisul), que incluirá a ação como um projeto de extensão junto à sua Liga Acadêmica de Cardiologia e Emergências Cardiológicas.


Os monitores assistiram, de maneira online, as palestras de especialistas da SBC, sobre fatores de risco para doenças do coração, bem como fatores protetores para essas enfermidades. O presidente da SBC, Celso Amodeo; o diretor de Promoção e Saúde Cardiovascular/FUNCOR, José Francisco Kerr Saraiva, o representante da FUNCOR/SBC/SC, Leandro Giacomello, e o professor orientador da Liga Acadêmica de Cardiologia da Unisul, Jamil Cherem Schneider, acompanharam o evento.


“Esse é um grande passo a ser dado para a capilarização e divulgação do programa em todos os estados brasileiros, mesmo em um período tão delicado como o que estamos vivendo com a pandemia de Covid-19”, fala a cardiologista e coordenadora do programa e do Comitê da Criança e do Adolescente da SBC, Carla Lantieri.


A educadora física, membro do Comitê da Criança e do Adolescente da SBC, Kátia De Angelis, falou sobre atividade física como protetor cardiovascular e da necessidade de educação e cuidado ao longo da vida.


Ela elencou os benefícios da atividade física, como controlador da pressão arterial, do peso corporal, para melhorar a mobilidade articular, a densidade óssea, por exemplo. Atividades físicas fazem bem para a mente, à autoestima, reduzem depressão, mantém autonomia, aumentam o bem-estar e aliviam estresse.


“As crianças tornaram-se menos ativas nas últimas décadas, incentivadas pelos avanços tecnológicos. O American Heart Association relata que as crianças assistem, em média, 17 horas de televisão por semana. O risco de obesidade é cinco vezes maior em crianças que assistem a mais de cinco horas de TV por dia comparado com as que assistem de zero a duas horas por dia. Temos que começar a pensar como vamos prevenir esse risco que envolve ambiente e genética. É preciso tirar as crianças e adolescentes dos sofás e das telas, integrá-los às atividades domesticas e cotidianas do lar”, disse Kátia aos professores que acompanhavam a conferência.


O programa segue, desde 2014, as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira. Nesse contexto, a nutricionista do Comitê da Criança e do Adolescente da SBC, Giorgia Russo, ministrou aula sobre alimentação saudável como protetora da saúde cardiovascular e destacou que evidências científicas mostram que o ambiente alimentar, em que as pessoas estão inseridas, influencia muito nas escolhas alimentares da população.


“Entende-se por ambiente alimentar o ambiente físico, econômico, político, sociocultural, as oportunidades e condições que influenciam as escolhas de alimentos e bebidas das pessoas e seu estado nutricional. O acesso, a disponibilidade, o preço, a informação, a rotulagem e a publicidade são alguns exemplos de componentes do ambiente alimentar”, explicou Giorgia.


“Bem-estar e saúde mental” foi tema da palestra da psicóloga do Comitê da Criança da SBC, Silvia Cury Ismael. A especialista explicou que o estresse é um mecanismo de defesa do organismo, sendo ativado quando se percebe uma situação de ameaça. É desencadeado quando o indivíduo esgota seus recursos pessoais para enfrentar a situação. Quando a pessoa está estressada ocorre descarga de adrenalina, catecolaminas e cortisol, hormônios que se liberados em excesso diminuem a imunidade.


Segundo ela, existem três fases do estresse:


1) Fase de alerta: quando o estressor é percebido e a pessoa pode agir;

2) Fase da resistência: quando o estressor está presente por um tempo prolongado. É quando podem aparecer problemas de memória e mal-estar;

3) Fase de quase-exaustão: quando o indivíduo não consegue identificar os sintomas de estresse, e

4) Fase da exaustão: quando a anergia adaptativa esgotou-se. Nesse momento podem surgir problemas como hipertensão arterial, psoríase, infarto e morte súbita.


“São efeitos psicológicos e comportamentais do estresse ansiedade, dificuldade de memória e concentração, ressentimento, raiva, agressividade, fadiga, incapacidade de relaxar, depressão, inquietação, problemas no sono, mudança de hábitos alimentares, choro, fuga de tarefas, entorpecentes e fuga de relacionamentos”, alertou Silvia.


Para o presidente da SBC, é motivo de muito orgulho saber que uma semente plantada em 2002 está sendo levado para todo o Brasil. “O ‘SBC vai à escola’ é um evento que eu vejo uma profundidade tão grande, porque a mortalidade cardiovascular ainda é a primeira causa no país e sabemos que tudo isso tem a ver não somente com a parte genética como comportamental dos indivíduos, principalmente nos primeiros anos de vida, na primeira década. Se nós temos condições de diminuir esse risco cardiovascular, identificando as crianças que potencialmente têm risco de desenvolver problema cardiovascular, devemos atuar para que nenhuma ameaça apareça, nem a morbidade mais adiante”, disse Amodeo.


O programa procura trabalhar a conscientização dos estudantes do ensino fundamental e médio, bem como de toda a rede escolar, para a promoção de saúde e prevenção de doenças cardiovasculares. A abordagem é feita em plataforma digital, permitindo construção conjunta entre especialistas e comunidade escolar.


O “SBC vai à escola” está estruturado em formato intersetorial e interprofissional e contém quatro grandes pilares de ações: Dia da Formação de Monitores, Dia do Coração da Escola, Programa de Educação Cardiovascular Continuada e Ampliação das ações preventivas para a comunidade na totalidade.


Na atividade de educação em prevenção continuada, as escolas que aderem ao programa assumem o compromisso de trabalhar datas temáticas com os alunos e mesmo ainda não tendo feito a formação e o Dia do Coração – no segundo semestre –, o Grupo Educacional Bom Jesus, de Palhoça, promoveu um concurso de redação em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de maio, junto aos alunos do ensino médio, o que destaca o empenho do colégio mesmo antes do início efetivo do programa.


“Nós já estamos realizando ações, fizemos concurso de redação com a temática de conscientização antitabagista e foi um sucesso entre as turmas do ensino médio. Para nós é muito honroso ter uma equipe de tanta magnitude em parceria com nosso colégio”, declarou a professora Marici Mostranges Alves, que com a gestora da unidade, Lucineia Mianis de Carvalho, coordena a atividade no ambiente escolar.


Confira a redação vencedora AQUI.


O Grupo Educacional Bom Jesus, localizado em Palhoça/SC, possui cerca de 750 alunos, e foi indicado pelo representante da FUNCOR/SBC/SC, Leandro Giacomello.


“A palavra que fica é gratidão em ter um grupo tão grande e capacitado querendo levar saúde para as pessoas, saúde ao nível macro, trazer e pulverizar esse pensamento. É uma oportunidade ímpar e um aprendizado maravilhoso que esses monitores receberam para fazer um trabalho magnífico daqui para frente”, disse Giacomello, durante o encerramento do treinamento.


A próxima etapa do programa “SBC vai à escola”, no Grupo Educacional Bom Jesus será a realização do Dia do Coração, em setembro.

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