Revascularização percutânea será tema de várias apresentações clínicas no 77º CBC

Diversos outros aspectos da cardiologia intervencionista serão tratados no congresso, como a troca valvar aórtica e o fechamento percutâneo de forame oval patente


A cardiologia intervencionista vai ser amplamente discutida no 77º Congresso Brasileiro de Cardiologia e no Congresso Mundial de Cardiologia 2022, sempre com o objetivo de levar o conhecimento e possibilitar discussões na perspectiva clínica. Quem comenta o tema é Paulo Ricardo Caramori, membro do Conselho Administrativo e coordenador da Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).


Entre os assuntos destacados está a revascularização percutânea com implante de stents, que será discutida em várias apresentações clínicas, envolvendo o infarto agudo do miocárdio com supra de ST, as síndromes coronarianas agudas e síndromes crônicas da cardiopatia isquêmica, situações com revascularização em disfunção ventricular esquerda e em oclusão total crônica, entre outras.


Paralelamente, as questões relacionadas à revascularização percutânea também serão abordadas considerando o grau de complexidade anatômica, ou seja, pacientes com lesões em um, dois ou três vasos, contemplando o risco cardiovascular global, envolvendo, por exemplo, a presença de diabetes e de outras comorbidades.


Segundo Caramori, outros segmentos da cardiologia intervencionista cresceram muito nos últimos anos, como a TAVI, Troca de Válvula Aórtica Percutânea, que tem grande impacto mundial e hoje é a tecnologia eleita para tratar estenose aórtica na maioria dos pacientes em todo o mundo, assim como no Brasil. “Vamos discutir o que a consolidou como a melhor técnica e os dados recentes, principalmente quanto à eficácia em pacientes de baixo risco, em comparação à cirurgia convencional, além da durabilidade dessas próteses em longo prazo”, explica.


Vários outros aspectos da cardiologia intervencionista serão tratados no congresso, por exemplo, fechamento percutâneo de forame oval patente, fechamento de comunicação interatrial, oclusão de apêndice atrial esquerdo no paciente com fibrilação atrial e alto risco para uso de anticoagulantes, manejo percutâneo da insuficiência mitral e outras situações menos frequentes, porém importantes na cardiologia. “Todos os segmentos relacionados à intervenção por cateter em cardiopatias vão ser discutidos no evento, sempre analisando a técnica frente à necessidade clínica e o resultado para os pacientes”, ressalta Caramori.


Cardiointensivismo

O cardiointensivismo também tem espaço no 77º CBC, como um segmento da cardiologia que ganhou enfoque nos últimos anos devido ao avanço tecnológico na área de medicina intensiva. Em vários hospitais de maior porte no Brasil há UTIs dedicadas ao cuidado cardiovascular. Para Caramori, isso é importante por uma razão epidemiológica, já que a maior causa de morte no Brasil há muitos anos e, provavelmente, vai continuar pelos próximos 30 anos, é a doença cardiovascular.


Focar no conteúdo de cardiointensivismo é algo que todas as sociedades cardiológicas internacionais estão fazendo. “A SBC não deixou de observar isso e hoje tem dado maior ênfase a essa área, que precisa de treinamento específico. A Comissão Nacional de Residência Médica já aprovou um ano adicional de capacitação para que o cardiologista possa se especializar. Queremos trazer isso também para o nosso associado e revisar todos os temas relacionados a cardiointensivismo no nosso congresso”, expõe Caramori.


Entre os assuntos que ganharão foco no evento, está o manejo do choque cardiogênico associado ao infarto ou à piora da insuficiência cardíaca, tema que vem tendo grandes avanços recentemente. A classificação já bem estabelecida do choque cardiogênico baseada em gravidade e as ações associadas que devem ser tomadas fizeram com que surgisse o “choque team”.


“Algumas instituições utilizam essa estratégia terapêutica, baseada em categorizar o paciente e atuar como um time no tratamento, reduzindo a mortalidade, que no passado era extremamente elevada, chegando a 70%, para índices muito mais baixos, de até 30%, representando um avanço impressionante. Por isso, realmente acreditamos que qualificar o manejo do choque determina um impacto significativo na mortalidade”, comenta o médico.


Além desse tema, estarão presentes no congresso vários aspectos relacionados a manejo de situações, como tromboembolia pulmonar aguda, miocardite, arritmias de grande complexidade e grande risco, síndrome coronariana aguda em infartos, mesmo na ausência de choque cardiogênico, e equipamentos relacionados a suporte circulatório (em relação ao choque), que têm grande impacto na medicina em todo o mundo para auxiliar o paciente em momentos mais graves.


O 77º Congresso Brasileiro de Cardiologia e o Congresso Mundial de Cardiologia 2022 acontecem simultaneamente de 13 a 15 de outubro, no Rio de Janeiro, em formato híbrido. Mais informações aqui.

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