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Possível relação entre o volume de gordura epicárdica e dois marcadores subclínicos de aterosclerose

Estudo recente investiga a relação entre o acúmulo de gordura visceral com a função endotelial e escore de cálcio coronariano, ambos preditores

de eventos cardiovasculares

A gordura visceral é caracterizada pelo acúmulo de gordura na região abdominal, próxima a órgãos vitais. Das deposições ectópicas, esse tipo de adiposidade é a mais estudada.


A relação entre o aumento da gordura visceral com alguns fatores já é clara na literatura. São eles, a intolerância à glicose, a resistência insulínica e as doenças cardiovasculares.


O recente estudo Volume de Gordura Epicárdica está Associada com Disfunção Endotelial, mas Não com Calcificação Coronariana: Do ELSA-Brasil investiga outros fatores que podem (ou não) se relacionar com a adiposidade visceral.


A pesquisa, divulgada na última edição do ABC Cardiol, periódico nacional da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cruzou dados de aumento no volume de gordura epicárdica (VGE) com marcadores subclínicos da aterosclerose.


Quando se fala em gordura epicárdica, é preciso considerar que esta possui efeitos potencializados sobre o processo aterosclerótico e inflamatório coronariano. Estudos anteriores indicam que o volume de gordura epicárdica (VGE) está diretamente relacionado com fatores de risco cardiovasculares, obesidade, distúrbios metabólicos, hipertensão e doença arterial coronariana (DAC).


Dessa forma, o VGE tem sido indicado como capaz de prever eventos cardiovasculares. Diferentes pesquisas apontam para uma possível relação entre o VGE e os mecanismos de formação de placas ateroscleróticas.


Levando em consideração esse contexto, o presente estudo busca avaliar a associação entre VGE e dois marcadores subclínicos da aterosclerose: escore de cálcio coronariano (CC) e função endotelial microvascular, ambos preditores de eventos cardiovasculares.


A amostra final contou com 470 pacientes, todos participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), que tem como objetivo estudar determinantes de doenças cardiovascular e diabetes em mais de 15 mil adultos brasileiros.


Para avaliação do VGE, foi utilizado um método automatizado, que consistia em duas fases: segmentação do coração e quantificação do VGE em mL. Para a medição do escore de CC, imagens de uma tomografia computadorizada foram avaliadas por um radiologista experiente, que utilizou o método Agatston.


Por fim, o exame de Tempo de Atividade da Protrombina (TAP) foi o recurso escolhido para medir a função endotelial. Foram consideradas duas variáveis: APB média e a razão TAP, que reflete a resposta à hiperemia reativa.


Algumas variáveis mantiveram-se associadas com um VGE mais alto: sexo masculino, idade mais avançada, circunferência de cintura e triglicerídeos. No modelo final, pacientes de pele negra foram associados a um VGE mais baixo.


Somente tabagismo, atividade física e escolaridade não mostraram associação significativa com VGE.


Os estudos apontam para a conclusão de que indivíduos com VGE elevado possuem mais fatores de risco cardiovasculares e piores medidas de função endotelial. Em modelos multivariados, o VGE não foi associado com CC.


Dessa forma, uma hipótese é levantada para futuras investigações: estaria o VGE elevado associado com DAC por uma via diferente do CC?


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