Pesquisa realizada em Curitiba com 44 mil pessoas constatou relação de baixa renda com doença isquêmica
Pesquisa realizada em Curitiba com 44 mil pessoas constatou relação de baixa renda com doença isquêmica

13/03/2024, 18:38 • Atualizado em 12/03/2024, 10:18

 

Com referências de estudos estrangeiros, artigo investiga a relação entre com dados de um centro especializado em Curitiba

Existe uma associação, no Brasil, entre a caminhabilidade, o nível de renda e a doença isquêmica? Essa é a pergunta que o estudo “Associação de Nível de Renda e Doença Isquêmica do Coração: Papel Potencial da Caminhabilidade”, publicado na ABC Cardiol, busca responder.

O projeto teve início entre 2017 e 2018, período em que o conceito de ´caminhabilidade` estava surgindo. Este termo se refere às características do ambiente urbano que favorecem o ato de caminhar. Dados de investigações em outros países motivaram a realização do estudo no Brasil.

“Em países como Estados Unidos e Austrália, em que as pessoas moram em subúrbios, afastadas do centro da cidade, em que o acesso é feito de carro, o veículo é usado para tudo”, diz Rodrigo Julio Cerci, autor do artigo.

Em centros em que existe esse tipo de subúrbio foi constatada uma associação direta de pessoas que moram nesses lugares com hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto e obesidade, fatores de risco para a doença isquêmica do coração.

“Por outro lado, em países como a Bósnia, com outro perfil, a associação não foi encontrada. Então achamos que havia plausibilidade para fazer no Brasil”, ele explica.

A partir dessas pistas, o artigo atual foi planejado. O objetivo era medir a caminhabilidade e associá-la com a ocorrência da doença isquêmica. O artigo utilizou um banco de dados de mais de cem mil pacientes que realizaram cintilografia do miocárdio em um centro especializado de Curitiba.

Ao todo, 44.589 pacientes foram incluídos no estudo, todos moradores de Curitiba que realizaram o exame entre 2010 e 2017. A medida de caminhabilidade foi fornecida pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Curitiba.

Com as análises, não foi estabelecida uma relação direta entre a caminhabilidade com a doença isquêmica. Por outro lado, a baixa renda foi associada à ocorrência da doença.

“Em um país em desenvolvimento como o nosso não existia esse dado. E nós encontramos essa associação, entre baixa renda e doença isquêmica. Também encontramos associação entre baixa renda e caminhabilidade”, ressalta Rodrigo.

O estudo constata, portanto, que a baixa renda está associada à baixa caminhabilidade. É importante ressaltar que a investigação foi aplicada na população da cidade de Curitiba, e demonstra que setores censitários com baixa caminhabilidade estão associados a uma população de baixa renda na mesma cidade.

Existe uma diferença estrutural e mesmo cultural entre o Brasil e países desenvolvidos. Locais onde, por aqui, a caminhabilidade é mais baixa, como periferias, não possuem o mesmo perfil de locais em que a caminhabilidade é baixa em outros países, desenvolvidos, que se tratam de subúrbios e espaços com pessoas com de maior renda.

“Se você tem uma diferença tão grande de renda, fica difícil provar que a caminhabilidade, apesar de ela poder estar nesse meio do caminho, é um dos fatores para a doença. Ele é menor do que todo o resto”, diz Rodrigo.

Para estudos futuros, o autor demonstra interesse em realizar investigações mais profundas de associação entre renda e ciência cardíaca.

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