Pesquisa demonstra adaptações hemodinâmicas presentes na cardiomiopatia chagásica

Atualizado: 15 de jun.

A análise foi realizada por meio das medidas de volume e fluxo obtidas pela curva volume-tempo por ECO 3D


Os métodos atuais de ecocardiografia bidimensional (2D) para avaliação do volume ventricular esquerdo (VE) são limitados pela variabilidade inter-observador e por premissas geométricas. O advento da ecocardiografia tridimensional (ECO 3D) permitiu que os volumes ventriculares fossem avaliados sem o uso de quaisquer premissas geométricas, permitindo a geração de uma curva volume-tempo representativa das alterações no volume do VE ao longo de todo o ciclo cardíaco, estando, portanto, muito menos sujeitos à variabilidade do observador devido à detecção semiautomática das bordas do VE.


Nesse contexto, o artigo “A curva volume-tempo obtida pela ecocardiografia tridimensional na cardiomiopatia chagásica: análise do mecanismo das adaptações hemodinâmicas”, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (ABC Cardiol) de junho, buscou demonstrar as adaptações hemodinâmicas presentes na cardiomiopatia chagásica por meio das medidas de volume e fluxo obtidas pela curva volume-tempo por meio da ecocardiografia 3D.


Um total de 44 pacientes com cardiomiopatia chagásica foram inicialmente recrutados para o estudo. Foram excluídos pacientes com hipertensão arterial, fibrilação atrial, cardiopatia valvar, cardiopatia congênita, pericardiomiopatia e portadores de marcapasso. Com base nesses critérios de exclusão, 24 pacientes foram excluídos e 20 outros foram incluídos no processo. Os participantes do grupo controle não apresentavam histórico clínico de doença cardiovascular. Os exames clínico e ecocardiográfico estavam normais. Definiu-se cardiomiopatia chagásica como presença de fração de ejeção VE menor ou igual a 54% e diâmetro diastólico final VE maior que 56 mm.


O trabalho mostrou que o fluxo sistólico instantâneo e o volume ejetado foram semelhantes entre pacientes com disfunção ventricular grave devido a cardiomiopatia chagásica e controles saudáveis. Utilizando uma ferramenta não invasiva pela primeira vez na cardiomiopatia chagásica, demonstrou-se que o aumento no volume diastólico final VE, que é uma medida da pré carga ventricular, é o principal mecanismo de adaptação que mantém o fluxo e o volume ejetado no cenário de disfunção sistólica severa. O QS/volume diastólico final VE mostrou-se representativo da função sistólica global do ventrículo esquerdo, cuja utilidade e valor prognóstico devem ser estudados em pesquisas cuja utilidade e valor prognóstico devem ser estudados em pesquisas posteriores.


Referência: PintoAS, NunesMCP, RodriguesCA, OliveiraBMR, Medrado NetoJR, TanTC, RochaMOC. A Curva Volume-Tempo Obtida pela Ecocardiografia Tridimensional na Cardiomiopatia Chagásica: Análise do Mecanismo das Adaptações Hemodinâmicas. Arq. Bras. Cardiol. 2022;118(6):1099-105.


Leia o artigo na íntegra, acesse: A curva volume-tempo obtida pela ecocardiografia tridimensional na cardiomiopatia chagásica: análise do mecanismo das adaptações hemodinâmicas

33 visualizações