• Cardiol

Os defechos cardiovasculares da Colchicina (COLCOT)

Atualizado: Fev 17

Revisor:

  • Oscar Dutra - Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul

  • Raphael Guimarães

Fundamentação: a doença arterial coronariana é multifatorial e a inflamação desempenha papel fundamental na sua gênese e evolução. No estudo CANTOS1, o anticorpo monoclonal canakinumab promoveu redução de 15% na incidência de eventos cardiovasculares, porém com elevado custo. A colchicina tem ação anti-inflamatória impedindo a polimerização da tubulina, evitando a formação de microtúbulos no interior da célula e prejudicando a adesão celular. Em estudo prévio com apenas 532 pacientes portadores de doença coronariana estável tratados com colchicina na dose de 0,5mg uma vez ao dia, observou-se menor taxa de eventos cardiovasculares.


Metodologia: o COLCOT2 foi um ensaio clínico randomizado, duplo cego, placebo controlado e multicêntrico (167 unidades em 12 países). Foram incluídos 4.745 pacientes (idade média de 61 anos e com 19% de mulheres) e randomizados para receber baixas doses de colchicina (0,5mg uma vez por dia) ou placebo. Os pacientes foram incluídos em uma média de 13,5 dias após o infarto e 93% foram submetidos à angioplastia. O desfecho primário foi uma combinação de morte cardiovascular, necessidade de ressuscitação por parada cardíaca, infarto do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e rehospitalização por angina com necessidade de revascularização.


Principais Resultados: após quase dois anos de seguimento, os pacientes no grupo colchicina apresentaram menor taxa de eventos em comparação ao placebo (5,5% vs. 7,1%; HR 0,77; IC 95%: 0,61-0,96). A redução do desfecho combinado foi conduzida por menos AVC (HR 0,26; IC 95%: 0,10-0,70) e menos revascularização de urgência (HR 0,50; IC 95%: 0,31-0,81). Os demais componentes do desfecho, incluindo morte e IAM foram similares. O uso da colchicina reduziu significativamente o risco de primeiros eventos cardiovasculares isquêmicos em 23% e a combinação de primeiro evento cardiovascular isquêmico e isquemia cardiovascular recorrente em 34%, quando comparada ao placebo. Não houve diferença significativa na ocorrência de diarréia (9,7% vs. 8,9%, p=0,35) e infecção (2,2% vs. 1,6% p=0,15).


Conclusão: o COLCOT reforça a evidência do papel da inflamação no processo de aterosclerose. Em pacientes com IAM recente, o uso de baixa dose de colchicina mostrou efetividade para prevenir eventos cardiovasculares, principalmente AVC e necessidade de revascularização de urgência.


Impacto Clínico na Opinião do Revisor: a colchicina é uma medicação de baixo custo, fácil acesso e com poucos efeitos colaterais. Provavelmente deverá ser adotada no contexto da prática clínica.

Referências:

  1. Ridker PM, Everett BM, Thuren T, MacFadyen JG, Chang WH, Ballantyne C, Fonseca F, Nicolau J, Koenig W, Anker SD, Kastelein JJP, Cornel JH, Pais P, Pella D, Genest J, et al. Antiinflammatory Therapy with Canakinumab for Atherosclerotic Disease. N Engl J Med. 2017;377(12):1119-31;

  2. 1. Tardif JC, Kouz S, Waters DD, et al. Efficacy and Safety of Low-Dose Colchicine After Myocardial Infarction. N Engl J Med 2019;381:2497-505.

#sindrome_coronariana_aguda


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