O IJCS se junta à Gildete Amorim para medidas voltadas à comunidade surda
O IJCS se junta à Gildete Amorim para medidas voltadas à comunidade surda

12/02/2023, 16:14 • Atualizado em 21/12/2023, 17:30

Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) assina editorial da publicação a respeito do acesso aos serviços de saúde entre pessoas surdas

O editor-chefe do International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), Claudio Tinoco, se une à professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e intérprete de LIBRAS, Gildete Amorim para a realização do editorial Access to Health Services Among Deaf People: An Issue of Inclusion and Linguistic Rights.

A publicação é o primeiro passo de uma série de iniciativas que o IJCS vem tomando com o objetivo de garantir acesso de informações e garantia de direitos por parte da comunidade surda.

“As ações fazem parte do DEIA (Diversidade, Equidade, Inclusão e Acessibilidade), um movimento internacional que o IJCS já faz parte. Em busca de uma maior aproximação desses princípios, começamos a trabalhar com a professora Gildete Amorim na causa da comunidade surda”, explica Claudio.

Claudio comenta as principais dificuldades dos surdos que foram identificadas e comentadas no editorial: “a pessoa surda muitas vezes tem dificuldade de se comunicar com os próprios familiares não surdos. Muitos não sabem o histórico de saúde familiar”.

Ele ainda ressalta o dado que aponta para um maior sedentarismo entre os jovens surdos. “Sendo mais sedentários na juventude, eles podem enfrentar piores desfechos cardiovasculares, como infarto, obesidade e hipertensão. Tudo por conta de uma dificuldade na comunicação”, diz Claudio.

O enfrentamento das barreiras que afastam a comunidade surda dos serviços de saúde é tema tratado por Gildete, coautora do artigo, desde 2017. A professora trabalha com Libras na área da saúde no meio acadêmico desde 2017, quando criou a extensão Libras em Saúde na UFF.

Ela também desenvolveu um projeto de pesquisa voltado para a saúde da mulher e realizou, em seu doutorado, um material informativo com orientações a respeito de biossegurança na Língua de Sinais brasileira, LIBRAS.

O glossário multilíngue, utilizado em instituições, já foi traduzido para as línguas de sinais chilena, americana e argentina.

“Meu primeiro contato com o Claudio se deu durante a pandemia, a partir de um convite do professor. O objetivo era que eu realizasse vídeos em LIBRAS com informações atualizadas sobre a pandemia da COVID-19”, diz Gildete.

Ela comenta que a proximidade com o professor Claudio chamou sua atenção para barreiras específicas da cardiologia.

“Os termos da cardiologia são muito abstratos. Esse contato me fez ver que a dificuldade dos surdos está muito além da área de biossegurança e de saúde da mulher. Ela também está nos aspectos cardiológicos”, explica Gildete.

A parceria entre a pesquisadora e Claudio, motivada por uma série de ações do IJCS tem como objetivo expandir o léxico de informações que poderiam ser banais para a comunidade surda, mas não são pela falta de profissionais bilíngues e ausência de materiais informativos criados com esse fim.

“Não batalhamos só pela inclusão educacional, mas também pela inclusão social. Os surdos precisam ter a garantia dos seus direitos enquanto cidadão e enquanto pacientes”, ressalta a professora.

O IJCS está produzindo alguns materiais que visam auxiliar a comunidade de médicos cardiologistas no atendimento de pessoas surdas. Além disso, existe o objetivo de produção de uma cartilha de sintomas cardiológicos em LIBRAS, destinada à comunidade surda.

É importante ressaltar que a criação de uma cartilha não passa pela simples adaptação de um material de língua portuguesa. É necessária a criação de uma cartilha acessível em língua de sinais, que é uma língua viso gestual.

“Estamos traduzindo todos os nossos vídeos e materiais para LIBRAS. O editorial comentado já possui tradução. Além disso, o site da IJCS já está adaptado com recursos de acessibilidade não só para surdos, como também para pessoas com baixa visão”, comenta Claudio.

A estimulação de estudos e publicações, tornando essa necessidade visível a partir de editoriais sobre o tema, utilização de LIBRAS e produção de materiais informativos promove a conscientização da comunidade médica e da sociedade como um todo a respeito dessas questões.

“Os surdos precisam ter o direito de acessibilidade, inclusão, mas principalmente, o direito linguístico. Quando promovemos o direito linguístico, já estamos desencadeando acessibilidade e também inclusão”, ressalta Gildete.

O direito linguístico do surdo passa por proporcionar todo o acesso à língua de sinais de forma plena, não só aos surdos, mas também aos surdos com baixa visão.