Novo curso sobre cuidados paliativos estimula o trabalho em equipe multidisciplinar

O cardiologista irá adquirir algumas competências mínimas para reconhecer os principais sintomas de uma pessoa que sofre de uma doença grave no final da vida

Os pacientes cardiopatas desenvolvem condições crônicas e, assim como seus familiares, convivem com sofrimentos da ordem física, emocional, social e espiritual relacionados aos tratamentos e à própria evolução da doença, culminando com o fim da vida. Para melhores resultados no tratamento, o cardiologista precisa ter as habilidades para identificar e prestar a melhor assistência paliativa, incluindo a necessidade do trabalho em equipe multidisciplinar, visando sobretudo à qualidade de vida dos seus pacientes.


Esta é a apresentação do curso “Cuidados paliativos para cardiologistas”, oferecido à distância pela Universidade do Coração SBC (UC/SBC). Voltada para cardiologistas, geriatras e acadêmicos de medicina, a capacitação inédita é composta por 25 aulas assíncronas de aproximadamente 30 minutos cada, totalizando 15 horas.



O coordenador do curso é o médico geriatra Filipe Gusman, membro fundador das Regionais Sudeste e Rio de Janeiro da ANCP – Academia Nacional de Cuidados Paliativos e responsável pelos Cuidados Paliativos do Hospital Pró-Cardíaco – RJ. Segundo ele, para identificar e prestar a melhor assistência paliativa, o médico precisa, acima de tudo, entender o que é o cuidado paliativo, pois não é um conhecimento transmitido de forma linear e homogênea na graduação.


“O curso de Medicina é muito voltado para a doença e seu tratamento, mas falta, muitas vezes, focar no olhar da pessoa que adoece. Quando falamos em trabalhar a qualidade de vida, estamos falando de algo muito individual”, explica. O cardiologista precisa exercitar isso, tentando identificar o que pode ser feito do ponto de vista farmacológico, ou não, para prevenir e amenizar o desconforto do paciente no fim da vida. É preciso reconhecer suas necessidades, seus sintomas e sofrimentos, não apenas físicos, como dor e falta de ar, mas também sociais, emocionais, espirituais, como ansiedade, depressão e insônia.


Gusman diz que o objetivo do curso não é treinar o cardiologista para ser um profissional do cuidado paliativo, mas ensinar algumas competências mínimas para que ele possa reconhecer os sofrimentos em todas as suas dimensões e chamar o profissional do cuidado paliativo para atuar em conjunto. “A proposta maior é estimular a integração entre profissionais da equipe multiprofissional. Por isso, temos enfermeiros, psicólogos e um capelão hospitalar compondo o corpo docente”, ressalta.


Com a capacitação, o cardiologista estará apto a reconhecer os principais sintomas de uma pessoa que sofre de uma doença grave no final da vida, como dor, falta de ar e delirium. Estes três sintomas são bem trabalhados neste curso. A ideia também é levar ao profissional ferramentas que estimulem a reflexão do prognóstico, para que ele possa organizar melhor o plano de cuidado.


De acordo com Gusman, o cuidado paliativo ainda é mal interpretado, o que, infelizmente acaba levando a práticas inadequadas, por exemplo, deixar de tratar o paciente antes da hora, fazê-lo sofrer com excesso de tratamentos ou até usar morfina em doses elevadas, o que é extremamente indevido no final da vida. “O curso é uma introdução ao cuidado paliativo, levando minimamente algumas ferramentas e estimulando o cardiologista a sair da zona de conforto”, resume Gusman.


Ele conta que a escolha dos professores foi bem minuciosa. São profissionais que já militam no cuidado paliativo há muitos anos, com artigos e livros publicados. “Estou muito orgulhoso por ter conseguido compor esse time e tenho certeza de que ele vai ser muito bem recebido pelos colegas cardiologistas. Aproveito para agradecer ao Evandro Tinoco, coordenador da UC/SBC gestão 2020-2021, que me convidou para atuar na linha de frente deste curso, por quem tenho muito carinho”, finaliza.


Mais informações sobre o curso, clique aqui.

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