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Nova diretriz altera parâmetros de risco cardiovascular de doença rara que provoca colesterol alto

A Hipercolesterolemia Familiar aumenta os níveis de gordura no sangue e o LDL pode chegar a até 500mg/dL nas formas mais graves

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) produziu uma nova edição da Diretriz de Hipercolesterolemia Familiar (HF), que inclui uma nova forma de categorizar o risco cardiovascular em pessoas com colesterol alto por herança genética.


A Hipercolesterolemia Familiar (HF) é uma doença genética autossômica dominanteo que significa que pelo menos um dos dois genes herdados (um de cada genitor) é defeituoso que altera o processo de remoção do colesterol do sangue, acometendo várias gerações da mesma família com nível alto de gordura no sangue e com antecedentes de problemas cardiovasculares. Dessa forma, o componente genético faz com que uma em cada duas pessoas nas famílias afetadas apresentem a doença rara.


As atualizações da diretriz, que foi lançada no 75º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em novembro passado e será publicada em breve, foram conduzidas pela cardiologista Maria Cristina de Oliveira Izar, professora livre docente do Setor de Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular da disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora de Promoção e Pesquisa da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, biênio 2020-2021, e dividem os portadores em três categorias: Muito Alto Risco, Alto Risco e Risco Intermediário.


A classificação de Muito Alto Risco envolve pacientes que apresentam doença aterosclerótica cardiovascular (DASCV) clinicamente manifesta, como infarto prévio do miocárdio, angina pectoris, revascularização miocárdica prévia, acidente vascular isquêmico ou transitório ou claudicação intermitente (dor nos membros inferiores para caminhar distâncias menores que o habitual).


Os considerados de Alto Risco na prevenção primária são divididos em três grupos, dependendo de um ou dois fatores adicionais de risco: os que apresentam LDL-c (fração do colesterol considerada ruim) maior que 400 mg/dl, mesmo sem fatores de risco, os que têm LDL-c maior que 310/mg dl com um fator adicional de risco e aqueles com LDL-c maior do que 190 mg/dl, mas com dois fatores adicionais de risco. Já os classificados como de Risco Intermediário são os pacientes que, na prevenção primária, não apresentam fatores de risco adicionais.


A partir dessa classificação, as metas terapêuticas também mudaram e variam de acordo com o risco cardiovascular do paciente. Segundo Maria Cristina, “na prevenção primária da HF sem fatores adicionais de risco, devem ser consideradas reduções de no mínimo 50%, sendo ideais os valores de LDL-c < 100 mg/dL. Entre aqueles de Alto Risco, a redução deve ser de 50% e a meta do colesterol ruim menor do que 70 mg/dL e, nos de Muito Alto Risco, deve ser menor do que 50 mg/dL. É preciso reavaliar o paciente periodicamente para verificar a instalação de fatores de risco”, comenta a cardiologista.


Os fatores adicionais de risco reúnem algumas causas clássicas e também condições específicas à HF, como idade, tabagismo, sexo, hipertensão arterial, HDL (fração o colesterol considerada boa), diabetes mellitus, histórico familiar, doença renal crônica e índice e massa corpórea, todos com os devidos parâmetros aprovados pela nova diretriz.


A SBC também está preparando um aplicativo de Atualização da Diretriz Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar, que tem abordagem da HF heterozigótica em adultos e crianças e também da forma homozigótica – quando os níveis e as manifestações colesterol alto são mais graves e precoces, podendo levar até adolescentes a infarto.


“O passo a passo para o diagnóstico, estratificação de risco e a forma de tratamento estão contemplados nesse aplicativo e devem ajudar os profissionais de saúde no manejo dessa condição. Esse aplicativo será lançado em breve no site do Departamento de Aterosclerose da SBC e estará disponível para smartphones e tablets nas lojas Google e Apple”, finaliza a especialista.

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