No Simpósio Mulheres do Coração, ministro falou sobre políticas públicas para saúde cardiovascular

Marcelo Queiroga, cardiologista e presidente licenciado da SBC, esteve à frente da Conferência Magna da terceira edição do evento realizado, conjuntamente, pela SBC e pelo ACC


O ministro da Saúde do Brasil e presidente licenciado da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Marcelo Queiroga, esteve à frente da Conferência Magna, do 3º Simpósio Mulheres do Coração, no último dia 17 de julho. O evento digital, realizado pela SBC, em parceria com o American College of Cardiology (ACC), visou incentivar a participação da mulher na cardiologia, assim como a reflexão sobre o cuidar do outro na perspectiva feminina.


“É necessário reafirmar a qualificação das nossas cardiologistas. Nós sabemos que, ao longo do tempo, as mulheres assumiram um papel de grande protagonismo na medicina como um todo e, nesse contexto da pandemia, mais do que nunca, nós sabemos da importância do trabalho que as mulheres têm desempenhado e que realmente fazem a diferença”, disse Queiroga.


Em sua apresentação, o ministro abordou a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) destinada ao diagnóstico e tratamento de problemas cardíacos e cardiovasculares, as ações estratégicas traçadas pelo governo brasileiro e investimentos custeados à cardiologia, entre outros.


“Durante muito tempo as doenças cardiovasculares nas mulheres foram negligenciadas, sobretudo as síndromes coronarianas agudas. Os livros ensinavam as síndromes coronarianas nos homens e não falavam sobre as peculiaridades no sexo feminino, fazendo com que elas não fossem atendidas de maneira adequada”, ressaltou o ministro.


A função do SUS como um sistema universal, integral e de acesso igualitário foi lembrada por Queiroga, que mencionou os mais de 299 estabelecimentos de saúde habilitados como Unidades e Centros de Referência em Alta Complexidade Cardiovascular. No entanto, a assistência inicia nas mais de 50 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS), espalhadas em todos os estados do país.


Segundo o ministro, é na atenção primária que se faz o diagnóstico e se começa o enfrentamento de problemas como hipertensão arterial, diabetes e os próprios agravos das doenças cardiovasculares de maneira geral, sendo objetivo do governo federal priorizar a atenção primária de maneira mais contundente.


Nos cinco primeiros meses de 2021, o Ministério da Saúde investiu R$ 873,7 milhões para custeio de procedimentos de cardiologia no âmbito do SUS. Nos últimos dois anos, foram mais de R$ 5,8 bilhões.


“Nós temos que, cada vez mais, inovar no atendimento com estratégias como a telemedicina, que facilita e amplia e o acesso à saúde, especialmente nas áreas mais remotas. Cerca de 9% da população brasileira reside em áreas remotas e isso não justifica que essas pessoas fiquem sem acesso à saúde”, disse Queiroga.


As doenças cardiovasculares ainda são a principal causa de mortalidade na sociedade moderna. No Brasil, estima-se mais de 380 mil óbitos por ano. Somente em 2021, o país registrou mais de 4 milhões de internações de mulheres por doenças do coração.


“É fundamental que consigamos colocar em prática as linhas de cuidado das doenças cardiovasculares para que esse atendimento aconteça de maneira homogênea nas mais de 50 mil UBSs Brasil a fora. Para tanto, nós temos que ampliar os medicamentos disponíveis para o tratamento das doenças cardiovasculares de forma racional, não necessariamente os fármacos, mas possibilitar o uso de determinadas associações medicamentosas que aumentam adesão ao tratamento e naturalmente fazem com que haja uma eficácia maior nessas políticas públicas”, destacou o ministro.


Inspirado pelo professor Adib Jatene, presidente da SBC entre 1985 e 1987, sócio-fundador e primeiro presidente da Socesp e ministro da Saúde, Queiroga ressaltou que continuará trabalhando para fortalecer o sistema de saúde brasileiro para ser cada vez mais inclusivo, não somente em relação às mulheres, mas para toda população.

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