Na volta do projeto “Cuidando do coração”, SBC e Conasems celebram Dia Mundial da Atividade Física

Atualizado: 8 de abr.

Tema do primeiro webinar do ano foi “Atividade física na atenção primária: como avaliar e orientar o paciente que está iniciando”


A webinar “Atividade física na atenção primária: como avaliar e orientar o paciente que está iniciando” integra o projeto “Cuidando do Coração”, parceria entre a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais (Conasems) e marca o retorno dos encontros mensais com assuntos relevantes para a classe médica. O convidado foi Tales de Carvalho, Professor Titular da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP (Área de Patologia), Ex-Presidente da SBMEE e SBC/DERC, e diretor da Clínica de Prevenção e Reabilitação Cardiosport, Florianópolis-SC.


O projeto “Cuidando do Coração” tem como objetivo promover a educação de equipes de saúde dedicadas à atenção primária de municípios brasileiros, em relação à prevenção das doenças cardiovasculares, com a expectativa de alcançar 5.500 cidades e mais de 50 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS). Nesse contexto, o incremento da atividade física corresponde a uma importante ação de prevenção não somente das doenças cardiovasculares, mas também de outros males como a obesidade, diabetes, câncer, depressão e ansiedade.

Tales de Carvalho afirmou o seu “prazer de poder trazer informações relevantes e aplicáveis à realidade do SUS”. Inicialmente, lembrou que atividade física (AF) corresponde aos movimentos do corpo, realizados intencionalmente e influenciados pelo contexto social e ambiental, presentes no lazer, tarefas domésticas, trabalho e deslocamentos cotidianos para a escola ou trabalho, por exemplo. Enquanto exercício físico (EF) é um subtipo de AF planejada e estruturada com o objetivo de melhorar ou manter os componentes de desempenho físico (aeróbico, força, flexibilidade, equilíbrio etc.).


O incentivo ao incremento da AF geral, aliada aos programas de EF, tem enorme potencial para uma efetiva prevenção e também para reabilitação/tratamento das ‘doenças crônicas não transmissíveis’, como as cardiovasculares, metabólicas e pulmonares, grupo ao qual foi incorporado recentemente um contingente expressivo de pacientes com complicações da COVID-19.

Saúde e qualidade de vida

Carvalho lembra que “saúde e qualidade de vida são interdependentes, ambas podendo ser classificadas segundo a percepção de bem-estar físico, mental e social”. Na atenção primária à saúde AF/EF merecem lugar de destaque como estratégia de promoção da saúde pública. Nesse contexto, avaliação e orientação devem ser consideradas ações complementares, frequentemente ocorrendo simultaneamente. Ou seja, durante o desenvolvimento das ações de AF/EF deve ocorrer o processo de avaliação que permita eventuais orientações tendo em vista correções de frequência, volume, intensidade etc.

O especialista destaca que o sedentarismo está entre os cinco principais fatores de risco de mortalidade global, sendo isoladamente um fator muito importante, que interage com os outros 4: hiperglicemia, excesso de peso, hipertensão arterial e até mesmo o tabagismo. “Afinal, o incremento da AF/EF por vários mecanismos contribui para a redução da glicemia, redução do peso, controle da pressão e, inclusive, facilita a remoção do tabagismo.”

Diretrizes atuais

A SBC e as entidades internacionais, como a europeia e a americana de cardiologia, recomendam em suas diretrizes que os adultos devem pelo menos praticar ações leves e moderadas durante 30 minutos cinco vezes por semana ou 25 minutos de atividade mais intensa três vezes semanais. Estas ações podem ser feitas no deslocamento para o trabalho, indo a pé ou de bicicleta, por exemplo. Já as crianças devem fazer pelo menos 60 minutos por dia de AF de moderada intensidade. “O que é muito pouco, se considerar o que as crianças faziam há algumas décadas”.

Essas informações são muito úteis na hora de avaliar e orientar pessoas sobre a prática de AF/EF. Tales de Carvalho cita a Holanda, onde é muito fácil alcançar a carga proposta pelas diretrizes ou até superar em muitas vezes, já que a bicicleta ocupa muito espaço nas AF diária (ex. deslocamentos nas idas e vindas do trabalho) e prática de exercícios. Há um aspecto muito importante quando se avalia e orienta alguém sobre a prática de exercício físico: na medida em que se aumenta o volume e a intensidade dos exercícios, os benefícios tendem a aumentar consideravelmente.


Entretanto, Tales observa que há um limite nisso: a partir de um certo momento o aumento de AF/EF pode significar um grande problema, representando um “excesso de treinamento”. Somente até certo ponto os pequenos ganhos de aptidão física proporcionam grande reduções do risco de mortalidade precoce (redução do risco de morte de 13 a 20% a cada aumento do consumo de oxigênio de 3,5 ml/Kg de peso = 1 MET), existindo um limite a ser respeitado, pois há um momento em que o exercício pode se tornar vilão, causando doenças e acelerando o processo de envelhecimento. “Assim, a recomendação-chave é equilíbrio, aliado ao bom senso”.

Durante sua apresentação, Tales de Carvalho fez comentários sobre as mudanças climáticas, a poluição do ar e suas repercussões durante a AF. A poluição do ar em níveis críticos, principalmente durante AF/EF de grande intensidade, é fator de risco associado com descompensação e mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca (IC), por exemplo. Tais efeitos danosos podem ser minimizados com a redução do volume e intensidade da AF/EF e utilização de filtros respiratórios, como as máscaras que ficaram muito populares na pandemia da COVID-19.

Com o retorno do projeto “Cuidando do Coração”, os encontros serão mensais, sempre às quartas-feiras, às 15h, com transmissão, ao vivo e gratuita, pelo canal do YouTube do Conasems, contando com a participação de profissionais especialistas sobre os temas estruturados e produzidos pela SBC, com validação prévia da grade de conteúdo pelo Conasems. Nas próximas semanas, SBC e Conasems divulgarão o calendário completo de eventos para 2022.


Assista na íntegra ao webinar “Atividade física na atenção primária: como avaliar e orientar o paciente que está iniciando”. Clique AQUI.

68 visualizações