Metanálise investiga relação da Covid-19 com a disfunção cardíaca

Atualizado: 1 de set.

Estudo brasileiro inédito avalia achados ecocardiográficos em pacientes com infecção pelo vírus SARS-CoV-2


Diante de um cenário de 11 mil artigos publicados mundialmente sobre a relação da Covid-19 com a função cardíaca avaliada pela ecocardiografia, o estudo Achados Ecocardiográficos Anormais em Pacientes Internados com Covid-19: Uma Revisão Sistemática e Metanálise, publicado na edição de agosto do ABC Cardiol, avaliou com que frequência a infecção pode causar disfunção cardíaca. Silvio Henrique Barberato, principal autor do estudo e diretor administrativo do Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC/SBC), afirma que a expectativa era encontrar maior prevalência de disfunção do ventrículo direito, o que não se confirmou. A avaliação se baseou em 38 artigos que corresponderam aos critérios de análise e apontou que a disfunção ventricular esquerda foi descrita em um quarto dos pacientes.



As conclusões da revisão sugerem que a disfunção ventricular esquerda era predominante pré-existente. Barberato diz que o ideal seria que tivéssemos dados precisos nestes pacientes sobre a presença de doença cardiovascular prévia e relato do ecocardiograma antes da infecção por Covid-19. No entanto, apenas oito estudos do escopo descreveram ecocardiograma prévio. “Ao final da análise, percebemos que existe uma série de vieses nesses estudos publicados, que são retrospectivos e heterogêneos. Então, na verdade aquelas prevalências que variavam muito, e chegaram em alguns estudos até 40%, poderiam ser resultado de dados contaminados com pacientes que já apresentavam disfunção cardíaca antes da infecção”, afirma.


O estudo considerou artigos publicados até junho de 2021, com dados coletados antes da ampla cobertura vacinal, e se pautou principalmente na fração de ejeção do ventrículo esquerdo para determinar os resultados. “Uma conclusão geral do nosso trabalho é que, provavelmente, as taxas de disfunção ventricular esquerda foram superestimadas no início da pandemia, bem como as taxas de miocardite. Diversos diagnósticos foram feitos pelos resultados de exames de sangue, mas muito pouco foi confirmado com ressonância na fase aguda e mesmo com biópsia miocárdica”, diz o médico. No entanto, Barberato também considera importante ressaltar que, mesmo que sem dados suficientes para determinar a incidência, o Covid-19 causou sim disfunção em uma parcela de pacientes sem condições cardíacas pré-existentes.


Para ler o estudo completo, clique aqui.

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