• Júlio Matos

Livro registra memória da cardiologia brasileira

Prova impressa da obra “Bases históricas da Cardiologia e desenvolvimento no Brasil” foi entregue pelo coordenador, Carlos Antônio Mascia Gottschall, ao presidente da SBC, Celso Amodeo. Expectativa é que a publicação entre em produção gráfica no mês de setembro


Carlos Gottschall entrega prova impressa da obra ao presidente da SBC, Celso Amodeo.

No último dia 18 de agosto, na sede da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em São Paulo, o professor e cardiologista, Carlos Antônio Mascia Gottschall, entregou ao presidente da entidade, Celso Amodeo, o “boneco” – que é uma prova impressa, simulando, de forma aproximada, como deve ficar em seu formato final —, do livro “Bases históricas da Cardiologia e desenvolvimento no Brasil”, que narra, detalhadamente, os 100 anos dessa especialidade no país.


A publicação faz parte do projeto “Memória da Cardiologia Brasileira” e teve apoio de uma equipe de historiadores no trabalho de pesquisa e escrita, além de uma comissão composta por médicos membros da SBC, sob a coordenação de Gottschall.


O livro foi um pedido do ex-presidente da SBC e atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que assinará o prefácio. Amodeo, será o responsável pelo posfácio da obra, que começou a ser desenvolvida no ano passado.


“O objetivo foi criar um relato de todo o percurso que a cardiologia teve durante este século, desde os inícios mais nebulosos e menos conhecidos e todos os avanços importantes que levaram a criação da especialidade que hoje temos. Isso foi trabalho de séculos que passaram por todos os estágios mais importantes do se desenvolvimento”, falou Gottschall durante a entrega do “boneco”.


A obra foi dividida em duas partes. Na primeira, conta as origens da cardiologia, a visão antiga da ciência, os primeiros ideais gregos sobre vasos, coração e circulação. Destaca a descoberta da circulação pulmonar e o surgimento do médico e cientista inglês William Harvey, considerado o pai da cardiologia e responsável pela descoberta da circulação do sangue, a base de tudo e, para muitos, a maior descoberta médica do milênio passado, “porque enterrou concepções míticas e pela primeira vez foi aplicado o método cientifico na medicina”, ressalta Gottschall.


Em seguida, abordam-se as primeiras medidas do coração, as primeiras drogas para tratamento, o estetoscópio, a universidade alemã criando registros de fenômenos fisiológicos, o surgimento do eletrocardiograma e as peculiaridades íntimas da estrutura do miocárdio.


Descrevem-se os primeiros praticantes da especialidade no Brasil, ainda no século XIX, que mesmo com ações rudimentares começaram a “desbravar esse terreno”. São citados, entre tantos mestres, Jairo de Almeida Ramos, Dante Pazzanese, Nelson Botelho Reis, Luiz Décourt, Rubens Maciel, e Carvalho de Azevedo.


“É claro que a fundação da SBC, em 14 de agosto de 1943, não deixaria de ser mencionada, chegando até os fantásticos métodos de diagnóstico e terapêutica que temos atualmente”, completa Gottschall.


A segunda parte do livro registra o desenvolvimento da cardiologia no Brasil, como a Escola de Manguinhos e Doença de Chagas, aborda relações internacionais, o perfil dos presidentes da SBC, a atuação dos departamentos e sociedades estaduais, a história das mulheres na especialidade, inovações, fármacos, epicentros credenciados de ensino, centros de pós-graduação ligados à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e ao Ministério da Educação e funcionam como desenvolvedores do ensino e da pesquisa mais diferenciada na área cardiológica, bem como o papel histórico das universidades brasileiras.


“Até chegarmos, finalmente no avanço da cardiologia brasileira nos últimos 30 anos. Temos depoimentos de médicos cardiologistas sobre perspectivas nas áreas clínicas, cirurgia e intervencionismo, e uma discussão sobre a pandemia de Covid-19 e o papel da SBC contribuindo para que esse problema seja atenuado”, antecipa o coordenador, que disse também que o livro deve entrar em produção gráfica no mês de setembro.


“A SBC tem entre seus objetivos a preservação da memória da cardiologia brasileira, defendendo os valores históricos da especialidade. Desde a sua primeira diretoria, vem trabalhando fortemente para diminuir as mortes por doenças cardiovasculares por meio da difusão do conhecimento cientifico qualificado e da integração nacional, fazendo com que os cardiologistas da entidade sejam igualmente reconhecidos em qualquer região do país”, finaliza Amodeo.

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