Evento debaterá melhorias para a abordagem clínica cardiológica e intervencionista da mulher

I Simpósio Internacional de Doenças Cardiovasculares na Mulher é organizado pelo Departamento de Cardiologia da Mulher e será realizado no dia 30 de outubro, em formato virtual e gratuito


O Departamento de Cardiologia da Mulher (DCM), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), realizará no próximo dia 30 de outubro, das 8h às 18h, o I Simpósio Internacional de Doenças Cardiovasculares na Mulher. A proposta do evento será apresentar e discutir, através de expertises nacionais e internacionais, temas que promovam informações bem como fundamentos quanto às doenças cardiovasculares no sexo feminino, propiciando melhorias na abordagem do tratamento nesse público específico. Inscrições gratuitas podem ser realizadas AQUI.


Dra. Celi Marques Santos, presidente do DCM/SBC

“As mulheres precisam de intervenção e informações específicas sobre suas particularidades, principalmente em relação aos fatores de risco cardiovascular, assim como as diferenças biológicas, fisiopatológicas e sociais existentes entre os sexos. A maioria dos grandes ensaios clínicos que abordam as doenças cardiovasculares não são conduzidos com um quantitativo suficiente de mulheres para gerar evidências robustas”, explica a cardiologista Celi Marques Santos, presidente do DCM/SBC, que está à frente da organização do evento.




Segundo Celi, as doenças cardiovasculares no sexo feminino permanecem mal reconhecidas, subdiagnosticadas e subtratadas, gerando nas mulheres desfechos piores, entre eles, o aumento na mortalidade, em comparação com os homens. “É necessário mudar essa realidade para que as mulheres sejam abordadas de acordo com suas singularidades e possamos contribuir na redução da Carga Global de Doenças em 2030”, fala.


Dados da Carga Global de Doenças no Brasil, em 2019, indicam que doença cardíaca isquêmica e derrame foram responsáveis por 12,03% e 10,39% das mortes por doenças cardiovasculares em mulheres, em comparação com 12,22% e 8,41% nos homens, respectivamente. Ao se observar na mesma fonte, os DALYs (Disability Adjusted Life Years - Anos de vida ajustados por incapacidade) relacionados à doença isquêmica do coração, atribuídas ao risco metabólico, em mulheres na faixa etária de 50 – 69 anos, vê-se que o percentual é da ordem de 6,26% do total, taxa de 2,536.92 DALYs por 100 mil habitantes.


Mulheres: sexo frágil?


O subtema desta primeira edição do evento é “As mulheres são o sexo frágil? Ou o sexo singular?”. De acordo com Celi, foi escolhido um subtema provocativo para enfatizar as dificuldades que as mulheres enfrentam, o quanto elas são subjugadas quanto à estratificação de risco cardiovascular, nos pronto-atendimentos, o quanto o seu atendimento é postergado frente a uma emergência clínica-cardiológica.


“Muitas mulheres infartadas não são diagnosticadas em tempo hábil e tampouco recebem as intervenções necessárias. A doença arterial coronária não obstrutiva na mulher tem maior prevalência do que no homem. A mulher sofre mais agravos quando é sedentária, obesa, hipertensa. Quando jovem, ser portadora da Síndrome dos Ovários Policísticos, desenvolver Pré Eclâmpsia, Diabetes gestacional e inúmeras alterações durante a gravidez são considerados importantes fatores de risco para doenças cardiovasculares. Portanto, além de chamar a atenção no editorial publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), transpus o título para o simpósio com o objetivo de, cientificamente, responder que a mulher não é frágil, ela é singular e, como tal, merece uma abordagem mais ampla, científica e efetiva”, garante a presidente do DCM/SBC.


Apesar do reconhecimento da importância do sexo e gênero na pesquisa acerca das doenças do coração, ainda persistem lacunas de conhecimento importantes. Celi mencionou uma revisão dos ensaios cardiovasculares incluídos nas avaliações da Cochrane (rede internacional com informações para tomadores de decisões em saúde), que revelam que em 258 ensaios, apenas 27% do total de participantes eram mulheres.


“Logo, mais inclusão de mulheres é necessária em ensaios clínicos, assim como serem validados escores de risco que incluem fatores de risco cardiovasculares específicos. Muitos gaps existem e as mulheres estão longe de receberem atendimento cardiológico adequado. Além disso, todos os segmentos da sociedade, científico, político e socioeconômico devem estar envolvidos, a fim de buscar soluções customizadas para cada país”, afirma Celi.


Programação


Logo após a abertura, as duas primeiras palestras do simpósio descortinarão a enriquecedora programação abrilhantadas por ilustres cardiologistas nacionais, cujos temas e nomes podem ser conferidos AQUI. “Conheça as mulheres e onde elas estão para fornecer cuidados cardiovasculares” e “Cardiopatia e Gravidez: como reduzir a mortalidade?”, serão os temas das apresentações de Glaucia Moraes de Oliveira, coordenadora de Acompanhamento da Gestão e Controle Interno, da SBC, e Walkíria Ávila, diretora administrativa do DCM/SBC, respectivamente.


O programa científico abordará desde prevenção aos desfechos das doenças cardiovasculares, passando por abordagens e tratamentos específicos às doenças que incidem durante a gravidez, permeadas por discussões de casos e atualizações dirigidas por palestrantes nacionais e internacionais. Como convidados internacionais, participarão Joan Briller, professora de Medicina da University of Illinois; Lourdes Campos, da Sociedade Interamericana de Cardiologia; Nanette Wenger, professora da Emory University School of Medicine; Peter Libby, chefe de Medicina Cardiovascular no Hospital Brigham and Women; e Roxana Mehran, professora e diretora de pesquisa cardiovascular intervencionista e ensaios clínicos do Zena and Michael A. Weiner Cardiovascular Institute.


Os assuntos estão distribuídos em 16 atividades: 11 conferências, 2 sessões de discussão de casos, 1 mesa redonda, 1 simpósio patrocinado pelo NovoNordisk e a sessão de encerramento, onde serão homenageados membros do DCM/SBC, assim como o fundador do departamento, professor Januário de Andrade.


Posicionamento


O I Simpósio Internacional de Doenças Cardiovasculares na Mulher será uma importante oportunidade para se ressaltar o “Posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia para Gravidez e Planejamento Familiar na Mulher Portadora de Cardiopatia”, publicado em 2020. A iniciativa do DCM/SBC tem como finalidade discorrer sobre as patologias cardiovasculares mais prevalentes que acometem a mulher durante o ciclo gravídico-puerperal e para as quais existem poucas evidências substanciais ou ensaios clínicos randomizados.


Retrocedendo ao ano de 1999, o DCM/SBC, outrora denominado Departamento de Cardiopatia e Gravidez, publicou o 1° Consenso sobre Cardiopatia e Gravidez e Planejamento Familiar, pioneiro no mundo, que atraiu a atenção para a evolução da gestação em cardiopatas, quando a máxima vigente era “mulheres com doenças cardíacas não devem engravidar, porque a mortalidade materna é proibitiva”.


Passados dez anos, a experiência do departamento exigiu que fossem reconsideradas as restrições da gravidez em cardiopatas. Então, em 2009, foi publicada a Diretriz para Gravidez da Mulher Portadora de Cardiopatia, divulgando as estratégias terapêuticas disponíveis na época.


Novamente após uma década, o DCM/SBC revalidou seu compromisso publicando o Posicionamento para Gravidez e Planejamento Familiar na Mulher Cardiopata, resultado da experiência e do empenho de especialistas que trabalham na elaboração de protocolos que contribuem para decisões terapêuticas durante o período gestacional, bem como para aconselhamento no planejamento familiar da mulher cardiopata.


Segundo a presidente do DCM/SBC, trata-se de uma obra de grande magnitude que abrange desde as modificações fisiológicas da gravidez, parto e puerpério, aspectos gerais que englobam avaliação materna e fetal, avaliação pré-concepção do risco materno-fetal, exames subsidiários isentos ou não de radiações, farmacocinética durante a gravidez, gravidez e prótese valvar, cardiopatias congênitas, hipertensão pulmonar, cardiomiopatias, incluindo a periparto e outras, sendo finalizado com um capítulo sobre Planejamento Familiar.

“Diante do exposto, o que nos deixa feliz é que o nosso posicionamento tem sido fonte de pesquisa para elaboração de vários protocolos e é muito bem citado em outras publicações nacionais e internacionais distribuídas pelos variados continentes. E podemos nos regozijar de estar contradizendo Peter Michel, que em conferência, em 1887, fez a seguinte citação: ‘Jeune fille, pas de marriage! Femme, pas de grossesse! Mère, pas d’allaitement!’, que interpretada seria: ‘Donzela cardiopata, não casar, se casar, não engravidar, e se engravidar, não amamentar’”, comemora Celi.


A Comissão Organizadora do I Simpósio Internacional de Doenças Cardiovasculares na Mulher é composta por grandes nomes da cardiologia brasileira: Alexandre Jorge Gomes De Lucena (PE); Cláudia Maria Vilas Freire (MG); Elizabeth Regina Giunco Alexandre (SP); Glaucia Maria Moraes de Oliveira (RJ); Orlando Otávio De Medeiros (PE); Maria Alayde Mendonça Rivera (AL); Marildes Luiza de Castro (MG); Maria Cristina Costa de Almeida (MG); Maria Elizabeth Navegante Caetano da Costa (PA); Regina Coeli Marques de Carvalho (CE); Sheyla Cristina Tonheiro Ferro da Silva (SE); Thais De Carvalho Vieira (SE) e Walkíria Samuel Ávila (SP).


“Como presidente do DCM/SBC e também do evento, e em nome da comissão organizadora, convido todos os colegas cardiologistas, clínicos, obstetras, ginecologistas, estudantes e profissionais da área da saúde interessados no tema, para participarem deste evento virtual, de inscrição gratuita, repleto de valiosas atualizações, preparado com muito esmero, com palestrantes nacionais e internacionais de indubitável conhecimento científico. Está imperdível”, convida Celi.


I Simpósio Internacional de Doenças Cardiovasculares na Mulher

Dia 30 de outubro, de 8h às 18h, com transmissão virtual e gratuita

Inscrições, programação completa e mais informações AQUI

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