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Estudo REALITY – Estratégias de Transfusão Sanguínea Conservadora ou Liberal na Vigência de Infarto

  • Dr. Vinícius Esteves, MD, PhD

- Cardiologista Intervencionsita – Rede D´OR São Luiz – São Paulo

Fundamentação: A transfusão sanguínea em pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) continua sendo tema controverso, pois a literatura disponível sobre o tema é escassa e conflitante. O estudo REALITY aborda esse cenário e foi apresentado como Late Breaking Trial durante o último congresso da Sociedade Européia de Cardiologia (ESC 2020) e ainda não foi publicado até a presente data.


Metodologia: Estudo multicêntrico (França e Espanha), randomizou 630

pacientes com IAM e níveis de hemoglobina (Hb) entre 7 e 10 g/dl durante o período de hospitalização para duas estratégias distintas: restritiva (Hb ≤ 8 g/dl e alvo 8-10 g/dl) x liberal (Hb ≤ 10 g/dl e alvo > 11 g/dl). Essas estratégias foram mantidas até a alta hospitalar ou 30 dias (qual acontecesse primeiro), sendo o desfecho primário composto de morte, reinfarto, acidente vascular cerebral e revascularização emergencial. Transfusão foi permitida em caso de sangramento ativo ou quadro de choque.


Principais Resultados: No grupo de estratégia restritiva (ER) 35,7% dos pacientes receberam transfusão de ao menos 1 concentrado de hemácias, comparado a 86,7% no grupo de estratégia liberal (EL), enquanto que o número médio de unidades transfundidas foi similar entre os grupos (2,9 x 2,8). Em termos de características gerais a população de ambos os grupos foi similar, no entanto a ER apresentou menores taxas de infecção (0% x 1,5%) e lesão pulmonar aguda (0,3% x 2,2%), ambos com p = 0,03. Em relação ao desfecho primário (30 dias) a estratégia restritiva foi não inferior a liberal, com incidências de 11% x 14%, respectivamente. Uma subanálise de custo efetividade evidenciou resultados favoráveis para a ER.


Impacto Clínico: Transfusão sanguínea em pacientes cardiopatas sempre foi um assunto controverso pois o número de evidências científicas disponíveis na literatura é baixo. Esse estudo traz dados randomizados e multicêntricos com resultados de não inferioridade em relação a ser mais conservador ao indicar transfusão, o que de fato é muito importante. Do ponto de vista de segurança os resultados trazem benefícios, no entanto devemos ser cautelosos na interpretação pois o número de eventos adversos é pequeno, afetando a análise estatística. Um ponto de vista interessante é que a estratégia restritiva utilizou cerca de 55% menos de concentrados de hemácias do que a estratégia liberal, dessa forma poupando recursos para os pacientes que realmente necessitam. Esse estudo mostrou resultado de não inferioridade da ER, no entanto um novo estudo randomizado chamado MINT está em andamento nos Estados Unidos, incluirá certa de 3500 pacientes e avaliará a possível superioridade da estratégia conservadora, trazendo dados mais robustos que possam ser incorporados na prática clínica diária.

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