Estudo busca identificar fatores de risco para infecção da ferida pós-operatória de cirurgia cardíaca pediátrica
Estudo busca identificar fatores de risco para infecção da ferida pós-operatória de cirurgia cardíaca pediátrica

13/03/2024, 18:38 • Atualizado em 12/03/2024, 10:12

 

Análise revela fatores não modificáveis e recomendações para prevenção eficaz em pacientes pediátricos com cardiopatia

 

A escassez de estudos focados na identificação dos fatores de risco para a infecção do sítio cirúrgico (ISC) na população pediátrica com cardiopatia motivou a publicação de um artigo publicado na ABC Cardiol. 

 

Trata-se do “Fatores de Risco para Infecção da Ferida Operatória em Pacientes Submetidos à Cirurgia Cardíaca Pediátrica

 

De acordo com estudos nacionais, a ocorrência de ISC ocupa o 3º lugar entre as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), compreendendo 14% a 16% das diagnosticadas em pacientes hospitalizados.

 

Segundo dados publicados na literatura internacional, a incidência da ISC após cirurgia cardíaca na população pediátrica varia entre 0,2% e 4,8%.

 

O presente estudo reúne dados de pacientes com idade entre um ano completo e 19 anos e 11 meses, submetidos a cirurgia cardíaca entre 2011 e 2018.

 

Os fatores preditores para infecção do sítio cirúrgico após cirurgias cardíacas na população pediátrica identificados incluem idade jovem (lactente), presença de síndrome genética e pacientes pertencentes às categorias de risco níveis 3 e 4, segundo o RACHS-1.

 

“Eles têm implicações na prática clínica e nas estratégias de prevenção, pois são pacientes que requerem maior vigilância para prevenir ISC”, destaca Anna Christina de Lima Ribeiro, autora do artigo.

 

Todos os fatores de risco identificados no estudo são considerados não modificáveis, portanto, é fundamental que os fatores modificáveis estejam em conformidade com protocolos recomendados e baseados em evidências, como ela destaca.

 

“Dentre estes indicadores, podemos citar o tempo de internação pré-operatório, que deve ser o menor possível, preferencialmente menor que 24 horas, estabilidade clínica e a conformidade com todas as recomendações de prevenção”, diz Anna.

 

O estudo ressalta que seria apropriada a elaboração e aplicação de protocolos de vigilância específicos com checklist de indicadores pré, intra e pós-operatórios, que se mostram apropriados para a população com maior risco para ISC.

 

Outro ponto de destaque no artigo aborda o achado inesperado do valor mais elevado da PCR nas primeiras 48 horas após a cirurgia foi demonstrado como fator protetor para a ocorrência da ISC.

 

Tradicionalmente utilizada como marcador de infecção e eventos cardiovasculares, a proteína C reativa, atualmente, está sendo apontada por novas evidências como uma proteína com papel ativo e relevante nos processos inflamatórios.

 

Ela se mostra como uma resposta do hospedeiro a infecções, incluindo a via do sistema complemento, apoptose, fagocitose, liberação de óxido nítrico e produção de citocinas. Na presença de cálcio, a PCR liga-se a polissacarídeos nos microrganismos e ativa a via clássica do complemento promovendo a opsonização de patógenos.

 

“Na prática clínica, a utilização de biomarcadores como PCR no pós-operatório de cirurgia cardíaca infantil requer uma análise cuidadosa, atrelada à situação clínica do paciente para evitar diagnósticos equivocados de infecções, abuso do uso de antimicrobianos e seleção de microrganismos multirresistentes”, destaca Anna.

 

Ela explica que são necessários estudos prospectivos multicêntricos para confirmação e consolidação dos achados do presente estudo, incluindo os que dizem respeito aos dados da evolução dos valores da PCR no pós-operatório de cirurgia cardíaca infantil.

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