Estudo aponta alto consumo de refrigerantes entre adolescentes brasileiros como risco cardiovascular

Atualizado: 30 de set.

A substituição por opções dietéticas também é frequente e preocupante, segundo a análise


Adolescentes brasileiros que consomem em média 450 ml de refrigerantes por dia apresentam risco cardiovascular associado, aponta novo estudo publicado na última edição do International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), periódico da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A pesquisa avaliou informações de quase 37 mil jovens brasileiros com idades entre 12 e 17 anos. Os dados são da base do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) e o recorte temporal da análise abrange entre 2013 e 2014.


A pesquisa descrita no artigo Association between Cardiovascular Risk in Adolescents and Daily Consumption of Soft Drinks: a Brazilian National Study percebeu que o alto consumo está associado ao risco de hipertensão, sobrepeso e obesidade no público analisado. Com recorte transversal, um destaque da pesquisa foi a conclusão que possivelmente os adolescentes que já possuíam essas condições consumiam menos refrigerantes tradicionais, substituindo por outras bebidas industrializadas, como as versões diet e light. Ana Flávia Gomes de Britto Neves, da Universidade Federal da Paraíba e principal autora do artigo, diz que mesmo essas opções devem ser consideradas fatores de riscos cardiovasculares em adolescentes, incluindo também outras bebidas açucaradas. “Surgem oportunidades de bebidas açucaradas industrializadas substitutivas dos refrigerantes que parecem saudáveis, mas o que vemos é que fogem dessa proposta. O estudo levanta esse questionamento: os adolescentes já estão percebendo a necessidade de reduzir o consumo dos refrigerantes tradicionais, mas a informação sobre as outras opções ainda não está bem difundida”, afirma.

Em alguns países já existem políticas públicas que funcionam como inibidoras do consumo excessivo das bebidas açucaradas. No Reino Unido, o chamado sugar tax tem reduzido a ingestão de 6500 calorias advindas de refrigerantes por pessoa a cada ano desde sua implementação em 2018. Ana Flávia diz que esse é um dos grandes desafios da Saúde Pública no Brasil, mas ressalta que mesmo em países cujas ações já foram efetivadas ainda existe o problema de substituição por bebidas consideradas mais saudáveis. “Os sucos industrializados também apresentam quantidade elevada de açúcar em sua composição, enquanto as bebidas dietéticas contêm muito sódio. Ainda há um longo trabalho de conscientização a ser realizado acerca da temática”.

A pesquisa também levanta pistas para estudos futuros. Ana Flávia destaca em especial a necessidade de realizar análises prospectivas que sejam representativas do cenário nacional. “Sabemos que alimentação não é o único fator que predispõe os riscos cardiovasculares. Por isso, estudos que levem em consideração outros fatores, como tempo em tela, arbitrariedade e estilo de vida seriam interessantes”, afirma Ana Flávia.

Leia o estudo completo clicando aqui.

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