Emprego do escore de cálcio na estratificação de risco cardiovascular

Atualizado: 15 de jun.

Estudo buscou avaliar custo-efetividade do emprego do escore de cálcio na orientação terapêutica para a prevenção primária na população brasileira


Na edição de junho dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (ABC Cardiol) foi publicado o estudo “Custo-Efetividade do Emprego do Escore de Cálcio Coronariano na Orientação para a Decisão Terapêutica na Prevenção Primária, na População Brasileira”. Segundo o artigo, graças às novas formas de classificar o risco de eventos cardiovasculares na prevenção primária, que são recomendadas pelas diretrizes das principais sociedades de cardiologia do mundo, observa-se aumento significativo na população elegível para o uso de estatinas.


Como exemplo dessas mudanças, a diretriz de controle de dislipidemias de 2018 e de prevenção cardiovascular de 2019 da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC) sugere o uso de um escore de risco cardiovascular (Pooled Cohort Equations — ASCVD) para estimar o risco de eventos cardiovasculares relacionados à aterosclerose em um período de dez anos.


Esse escore classifica o indivíduo, de acordo com variáveis modificáveis e não modificáveis, em alto risco (>20% de eventos em dez anos); moderado risco (7,5–20% de eventos em dez anos); borderline (5–7,5% de eventos em dez anos) e baixo risco (<5% de eventos em dez anos). Entretanto, é possível notar que essa classificação une uma população de risco cardiovascular heterogênea, já que uma parcela de indivíduos candidatos ao uso de estatina não apresenta sintomas ou sinais de doença aterosclerótica manifesta.


Por consequência, muitos dos indivíduos elegíveis à terapia farmacológica poderiam se beneficiar marginalmente dessa terapêutica em longo prazo, uma vez que o benefício acumulado do tratamento é diretamente proporcional ao risco de base. Nesse cenário, o escore de cálcio coronariano (ECC), realizado por meio da tomografia computadorizada para quantificar a carga aterosclerótica dos indivíduos, pode ser útil para reclassificar o paciente intermediário para baixo ou alto risco de eventos, evitando ou, eventualmente, até intensificando a necessidade da terapia hipolipemiante nessa população.


Dessa forma, de acordo com a pesquisa, é relevante a avaliação da efetividade e da custo-efetividade dessa ferramenta em comparação a outros mecanismos de estratificação de risco da população, com o objetivo de orientar a prática clínica, bem como direcionar estrategicamente os esforços e recursos da saúde.


Referência: ValérioRS, GenerosoG, FernandesJL, NasirK, HongJC, BittencourtMS. Custo-Efetividade do Emprego do Escore de Cálcio Coronariano na Orientação para a Decisão Terapêutica na Prevenção Primária, na População Brasileira. Arq. Bras. Cardiol. 2022;118(6):1126-31.


Leia o artigo na íntegra e confira as conclusões em: Custo-Efetividade do Emprego do Escore de Cálcio Coronariano na Orientação para a Decisão Terapêutica na Prevenção Primária, na População Brasileira

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