• Júlio Matos

Editorial Jornal da SBC – Edição 243 – Agosto de 2021

Caros leitores,


De 27 a 30 de agosto, foi realizado o Congresso Europeu de Cardiologia – ESC Congress 2021. O evento trouxe uma ciência inovadora, atualizações clínicas essenciais para melhorar a prática do dia a dia, um corpo docente internacional renomado e a oportunidade de conexão com colegas de todo o mundo.


A proposta do ESC Congress 2021 foi permitir aos participantes a descoberta dos últimos avanços que impactarão o nosso trabalho no ambulatório, hospital ou laboratório, ou seja, em qualquer interesse específico na cardiologia.


A nova diretriz de insuficiência cardíaca (IC), apresentada no evento, por exemplo, trouxe algumas novidades, como o enfoque em diagnóstico e tratamento em relação a cada fenótipo da doença. O diagnóstico é baseado na presença de sintomas e/ou sinais e evidência de disfunção cardíaca e é mais provável em pacientes com história de infarto, hipertensão, diabetes, uso de álcool, doença renal crônica, realização de quimioterapia e história familiar de doença cardíaca.


Também foi divulgada a nova diretriz de valvopatias. A primeira alteração é em relação a pacientes com fibrilação atrial que necessitam de cirurgia cardíaca para troca valvar. A oclusão do apêndice atrial de forma cirúrgica passa a ser indicação em pacientes com o escore CHA2DS2VASc maior ou igual a 2. Outra importante alteração é que os anticoagulantes orais diretos passam a ser primeira opção de anticoagulação em pacientes com FA e estenose aórtica, insuficiência mitral ou insuficiência aórtica.


Entre as participações de brasileiros, podemos citar nosso diretor científico, Fernando Bacal, que foi um dos moderadores da sessão “Intervenções terapêuticas e risco de morte cardíaca súbita em doenças cardíacas estruturais”. As doenças estruturais que levam à disfunção ventricular afetam a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes, com maior risco de morte súbita.


A vice-presidente do Grupo de Estudos em Cardio-Oncologia (GECO), Ariane Vieira Scarlatelli Macedo, apresentou o trabalho “Pacientes hospitalizados com hipertensão e COVID-19 moderado se beneficiam da continuação de IECA e ARBs: percepções do estudo BRACE CORONA”.


Na sessão de pôsteres, Weimar Sebba Barroso, do Departamento de Hipertensão Arterial (DHA), expôs o trabalho “Multimorbidade cardiovascular e fatores associados: o primeiro registro brasileiro de pacientes com hipertensão”.


E o editor-associado dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (ABC Cardiol), Marcio Bittencourt, expôs sobre “Porcas e parafusos do uso da TC cardíaca em cardiologia preventiva”.


Excelente ver nossos colegas cardiologistas elevando a ciência cardiológica brasileira a outro patamar.


Em nome da SBC, parabenizo os brasileiros que engrandeceram o Congresso Europeu de Cardiologia 2021.


Celso Amodeo, presidente da SBC

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