Editores-chefes das revistas ABC Cardiol e IJCS são reconduzidos para mais quatro anos no cargo

Após concurso, Carlos Eduardo Rochitte e Claudio Tinoco Mesquita permanecem na função, dando continuidade aos projetos de elevar a qualidade e a visibilidade das publicações no Brasil e no mundo


O VI concurso para seleção do editor-chefe dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (ABC Cardiol) e o II Concurso para seleção do editor-chefe do International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS) foram encerrados no dia 11 de novembro de 2021, após a arguição dos candidatos.


A comissão julgadora reaprovou Carlos Eduardo Rochitte como editor-chefe do ABC Cardiol e Claudio Tinoco Mesquita como editor-chefe do IJCS por mais quatro anos. A recondução só é permitida uma vez, isso significa que nos próximos concursos serão selecionados outros profissionais.


Dr. Carlos Eduardo Rochitte

Carlos Eduardo Rochitte é presidente do Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), professor livre docente do Hospital das Clínicas do Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), além de diretor da Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada Cardiovascular do Hospital do Coração (HCor).


Segundo ele, as propostas de gestão apresentadas em sua arguição estão relacionadas à continuidade do que já estava sendo colocado na prática na primeira gestão. “Fizemos uma série de modificações, como a implantação de um novo sistema de submissão e gerenciamento de arquivos, mais moderno, com múltiplos recursos e mundialmente aceito.”


Também houve mudanças referentes aos editores associados. Antigamente não havia praticamente nenhum estrangeiro, hoje, eles já correspondem a 30% do total. “Na linha editorial criamos, ainda, os minieditoriais, que são comentários escritos pelos revisores dos artigos publicados, o que ajuda a envolver mais a comunidade científica”, explica Rochitte. Esse fato contribuiu para o aumento do fator de impacto de cerca de um ponto para dois. Foi a primeira vez que o ABC Cardiol cruzou a barreira de dois pontos no Impact Factor.


“Para a próxima gestão, queremos continuar esse processo de modernização. Atualmente, as revistas científicas mantêm a estrutura clássica de textos editoriais muito formais com toda a informação necessária para que a pesquisa seja reproduzida por outros grupos, porque esse é seu papel. Mas hoje, do ponto de vista de divulgação da informação científica, precisamos ser mais visuais e rápidos”, conta.


Entre os projetos da gestão está a incorporação de um resumo gráfico ao artigo, ou seja, uma figura que resume todo o conteúdo e pode ser convertida em formatos diferentes para as redes sociais, facilitando a divulgação. Outra proposta é a publicação continuada, ou seja, assim que o artigo for aprovado, revisado e diagramado, ele será imediatamente publicado, sem necessidade de esperar a próxima edição ficar pronta. “Isso faz com que o autor fique mais satisfeito, porque já tem o seu texto divulgado e pronto para distribuição, fazendo com que a informação circule mais rapidamente e de forma mais eficiente.”


A terceira proposta é a gestão de marketing, aproveitando a inserção do resumo gráfico ao artigo e a maior agilidade na mídia social. “O mundo científico precisa de marketing também.” E a quarta é contar com embaixadores, pesquisadores importantes na área de cardiologia, reconhecidos na sua comunidade, que estão localizados em diferentes regiões do mundo.


Rochitte revela, ainda, que está sendo montada a família do ABC Cardiol, com revistas específicas sobre imagem e insuficiência cardíaca. E aproveita para convidar os pesquisadores para publicarem seus artigos. “Com o fator de impacto e a presença internacional crescendo, além da publicação continuada, publicar na ABC Cardiol vale muito a pena. Muitos artigos que vão para revistas medianas internacionais poderiam estar nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, com mais visibilidade”, destaca.


IJCS

Dr. Claudio Tinoco Mesquita

Editor-chefe do IJCS, Claudio Tinoco Mesquita é professor associado de Medicina da Universidade Federal Fluminense, pesquisador bolsista em Produtividade do CNPq, cientista do Estado do Rio de Janeiro, membro titular da Academia de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, coordenador do Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Pró-Cardíaco e responsável técnico pelo Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Samaritano da Barra e Vitória.


“Estamos muito felizes com a oportunidade de conduzir a IJCS pelo próximo quadriênio. A principal missão para a publicação é a sua indexação nas bases internacionais PubMed e SCIMAGO. Esta indexação aumentará a visibilidade da produção científica veiculada no periódico e atrairá pesquisas de crescente qualidade e impacto científico e social. Do ponto de vista acadêmico, a IJCS já abriga muitas publicações originadas de programas de pós-graduação na área cardiovascular”, expõe Mesquita.


Com o crescimento da sua importância científica, a IJCS vem se consolidando como um periódico com perfil multidisciplinar cardiovascular, abordando temas atuais como Covid, equidade de gênero, perfil das doenças cardiovasculares nas populações vulneráveis, impacto das novas tecnologias, como inteligência artificial, uso de wearables, impacto das mudanças climáticas e outras.


Métricas obtidas no site SCIELO sobre o IJCS, de 2017 a 2020, mostram: 390 artigos publicados, incluindo 191 artigos originais, 96 citações dos artigos do IJCS por artigos publicados no SCIELO no período, e 573.736 acessos aos documentos do IJCS no site do SCIELO. A IJCS publicou artigos que somaram 379 citações de artigos dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia.


Tendo em vista os princípios estratégicos de aumento da visibilidade científica, qualificação da produção científica, impacto social, internacionalização, sustentabilidade e igualdade de gênero, a gestão propôs sete objetivos para a IJCS no quadriênio 2022-2026.


São eles: indexação da IJCS nas bases internacionais SCOPUS, World of Science e Pubmed; obtenção de fator de impacto maior do que 1,0 ao final do quadriênio; aumento do número de submissões internacionais e de pareceristas de afiliação estrangeira; aumento da visibilidade e das interações dos seus artigos e posts nas mídias sociais; busca de fomento em editais de agências públicas e privadas para financiamento das suas atividades editoriais; busca de equilíbrio no número de homens e mulheres no corpo editorial; e estímulo à equidade de gênero nas pesquisas publicadas.


“A IJCS ainda é um periódico jovem, mas tem um trabalho sólido e recebe um número significativo de publicações, sendo considerado um periódico de potencial para promover o desenvolvimento científico na área da cardiologia”, descreve Mesquita, citando os dezenas de citações de artigos, a solidez do seu processo de revisão e a integridade científica dos seus artigos. Para ele, o futuro da IJCS está atrelado à sua indexação nas bases internacionais.


Mesquita comenta, ainda, que nunca a ciência foi tão importante como nestes últimos anos. Afinal, são múltiplos os desafios a serem enfrentados, em especial na área das doenças cardiovasculares, em que os impactos da pandemia foram imensos. “Neste momento de retomada, precisamos focar todas as energias para vencer os desafios e enfrentar o movimento anticiência, que infelizmente ganhou força, com pessoas desacreditando a ciência e os seus métodos. Todos os médicos, cientistas, profissionais de saúde e da sociedade de modo geral devem se posicionar de modo firme contra a desinformação e valorizar as informações de fontes verificadas que façam a diferença na vida das pessoas”, ressalta.


“Para finalizar, agradeço intensamente o papel dos editores, autores, revisores, integrantes da secretaria editorial e corpo editorial, membros da diretoria da SBC e mais uma infinidade de pessoas que colaboraram e colaboram para que sigamos firmes no objetivo de ser um veículo de reflexão e divulgação de ciência de qualidade na área cardiovascular”, encerra Mesquita.

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