Depressão é fator de risco para doenças cardiovasculares, aponta artigo

Atualizado: 1 de set.

Conteúdo foi citado pela recente Diretriz da Sociedade Interamericana de Cardiologia (SIAC) sobre as doenças cardiovasculares em mulheres


A depressão é considerada fator de risco para as doenças cardiovasculares (DCV), indica o artigo Depression and Cardiovascular Disease in Women, do International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), publicado na edição de julho/agosto do periódico. Tendo como principal autora a médica e ex-presidente da seção de Alagoas da SBC, Maria Alayde Mendonça Rivera, o conteúdo revela dados alarmantes. O risco de doenças cardiovasculares em mulheres com um diagnóstico de depressão ao longo da vida é entre 30% e 50% maior do que em homens, especialmente entre os jovens. Estudos indicam que alterações hormonais, como a transição menopausal, têm sido associadas com maior risco para o primeiro episódio depressivo. Além disso, a depressão em mulheres na perimenopausa foi associada a uma maior frequência de uma história de transtorno de humor.


O estudo demonstra que evidências científicas indicam a presença de biomarcadores comuns entre depressão e as doenças cardiovasculares. Estes, por sua vez, determinam um pior prognóstico para pacientes com ambas as condições, especialmente entre as mulheres. Considerando que a depressão é mais prevalente no sexo feminino e que mulheres deprimidas são mais propensas a terem problemas cardiovasculares, fatores de risco e formas mais graves de DCV do que os homens, um rastreamento sistemático para depressão e seu adequado tratamento em mulheres com suspeita ou confirmação de doenças cardiovasculares é garantido. E que ainda não existem estudos clínicos desenhados para avaliar o impacto do tratamento antidepressivo sobre os desfechos cardiovasculares no sexo feminino.

O artigo foi citado pela recente Diretriz da Sociedade Interamericana de Cardiologia (SIAC) de doenças cardiovasculares em mulheres, que recomendou a avaliação de rastreamento de depressão em todas as mulheres com sintomas cardiológicos.


A conclusão do documento é que o grau de doença e o prognóstico são mais graves quando a depressão e as DCV estão presentes que quando diagnosticadas isoladamente. Em pacientes com doenças cardiovasculares agudas ou crônicas, especialmente em mulheres, um rastreamento sistemático para depressão deve ser considerado como uma estratégia preventiva de DCV, visando reduzir o risco de eventos futuros. Além disso, ensaios clínicos randomizados para investigar o impacto do tratamento da depressão nos desfechos cardiovasculares em homens e mulheres com DCV são urgentemente necessários.


De forma geral, a prevalência de depressão varia de 1% a 17% em diferentes regiões geográficas e sua incidência é 70% maior nas mulheres do que nos homens. Hoje, a doença afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo e duas vezes mais o sexo feminino no intervalo entre a adolescência e à idade adulta. Além desse início precoce, a depressão na mulher tende a ser mais grave. Além disso, as doenças cardiovasculares (DCV) e a depressão são doenças crônicas que têm grande impacto sobre morbidade e mortalidade cardiovascular, com evidência de uma relação de mão dupla entre elas, ou seja, a doença mental pode ser um preditor de DCV e o contrário também é possível.

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