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Continuar ou Suspender IECA ou BRA em pacientes hospitalizados com COVID-19: BRACE Corona

  • Ariane Vieira Scarlatelli Macedo - Cardiologista – Rede D’OR São Luiz – SP

Fundamentação: A enzima conversora de angiotensina ligada à membrana (ECA2) é o receptor funcional para SARS-CoV-2, o vírus responsável pela doença COVID-19. A expressão de ECA2 pode aumentar devido à regulação positiva em pacientes usando inibidores da enzima conversora de angiotensina ( IECA) e Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRAs). Há evidências observacionais conflitantes sobre o potencial impacto clínico dos IECAs e BRAs em pacientes com COVID-19. Algumas investigações pré-clínicas levantaram preocupações sobre sua segurança em pacientes com COVID-19. Por outro lado, dados preliminares levantam a hipótese de que os inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS) poderiam beneficiar os pacientes com COVID-19 ao diminuir o dano pulmonar agudo e prevenir a inflamação pulmonar mediada pela angiotensina-II. Dado o uso frequente desses agentes em todo o mundo, evidências de ensaios clínicos randomizados são urgentemente necessárias para orientar o manejo de pacientes com COVID-19.


Metodologia: Apresentado online pelo Chair do estudo, Prof Renato Lopes, no último congresso da Sociedade Européia de Cardiologia (ESC) em 01/09/20, BRACE CORONA trouxe dados importantes por ser o primeiro estudo randomizado que avalia o papel de continuar ou interromper IECA e BRAs em pacientes com COVID-19. Estudo fase 4, realizado em 29 centros no Brasil, randomizado que testou duas estratégias: interromper temporariamente o inibidor da ECA / ARB por 30 dias versus a continuação dos inibidores da ECA / ARBs em pacientes que estavam tomando esses medicamentos cronicamente e foram hospitalizados com um diagnóstico confirmado de COVID-19. O desfecho primário foi o número de dias vivos e fora do hospital aos 30 dias. Os pacientes que usavam mais de três medicamentos anti-hipertensivos, ou sacubitril / valsartan, que haviam apresentado hospitalização por insuficiência cardíaca descompensada no último ano ou que estavam hemodinamicamente instáveis ​​na apresentação foram excluídos do estudo.


Principais Resultados: O ensaio envolveu 659 pacientes de 29 locais no Brasil. Todos os participantes usavam cronicamente um inibidor da ECA ou BRA e foram hospitalizados com COVID-19. Todos os pacientes tinham hipertensão e 1% tinha insuficiência cardíaca. Cerca de 40% eram mulheres, com idade média de 56 anos e 52% eram obesos. A gravidade do COVID-19 nas primeiras 24 horas após a apresentação foi leve para 57% e moderada para 43% Os pacientes elegíveis foram randomizados para suspensão temporária de IECA / ARB (n = 334) versus uso continuado de IECA / ARB (n = 325) por 30 dias. O número médio de dias vivos e fora do hospital foi de 21,9 dias para pacientes que interromperam os IECA / BRA e 22,9 dias para pacientes que continuaram com esses medicamentos. A proporção média de dias vivos e fora do hospital entre os grupos de suspensão e continuação foi de 0,95 (intervalo de confiança de 95% [IC] 0,90 a 1,01, p = 0,09). A diferença média entre os grupos foi de -1,1 dias (IC 95% -2,33 a 0,17). A proporção de pacientes vivos e fora do hospital ao final de 30 dias no grupo de suspensão de inibidor da ECA / BRA foi de 91,8% versus 95% no grupo de continuação. Uma taxa de mortalidade semelhante em 30 dias foi observada em pacientes que continuaram e suspenderam o inibidor da ECA / BRA (2,8% versus 2,7%, respectivamente com uma taxa de risco de 0,97).

Conclusão: Entre os pacientes hospitalizados com infecção por COVID-19 e recebendo IECA / ARB cronicamente, suspender IECA / ARB por 30 dias não teve impacto no número de dias vivos e fora do hospital.


Impacto Clínico: BRACE CORONA é um estudo desenhado e executado no Brasil, tendo como intervalo de tempo entre a idealização do estudo e apresentação no congresso europeu de cardiologia apenas 5 meses. Além disso, é um dos primeiros ensaios clínicos randomizados a serem concluídos no campo cardiovascular relacionado a COVID-19. Estes resultados endossam, agora, com dados mais confiáveis ​​e definitivos o que as sociedades médicas recomendaram com base em dados observacionais, de que os pacientes não devem interromper os medicamentos da classe dos IECAs e BRAs devido a preocupações com COVID-19 . Na prática clínica certamente não queremos ter que descontinuar esses medicamentos, a menos que sejam prejudiciais. Além disso, conforme anunciado pelo Prof Renato nos comentários após a apresentação, houve uma tendência fraca para o benefício em manter o uso destes agentes. Trata-se de um ensaio randomizado grande o suficiente para que se possa dizer com alguma certeza que esse problema está resolvido : parar um inibidor da ECA ou bloqueador do receptor de angiotensina na admissão para COVID-19 não ajuda os resultados, mesmo para grupos de alto risco, como mostrou o estudo randomizado brasileiro BRACE CORONA.

#HIPERTENSÃO_ARTERIAL

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