Cardiologista propaga prevenção e defende vacinação como formas eficazes de combate à Covid-19

Um dos mais respeitáveis especialistas do Brasil e membro da SBC, Antônio Carlos Sobral Sousa, tem usado de sua influência e conhecimento de mais de 40 anos de medicina para ressaltar que perigoso é o vírus e não a vacina


Quem acompanha a edição de fim de semana do Jornal da Cidade, um dos mais tradicionais veículos de comunicação de Aracaju, ou o Jornal do Commercio, de Recife – um dos prestigiados do Nordeste, com mais de 100 anos de existência –, já se acostumou a ler os artigos de opinião assinados por um dos mais respeitáveis cardiologistas do Brasil e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Antônio Carlos Sobral Sousa. Especialmente na pandemia, o médico tem contribuído para combater fake news, informar corretamente a população dos riscos da doença, reforçar as medidas básicas de proteção e, claro, ressaltar que perigoso é o vírus e não a vacina. Ele acompanha com preocupação a performance da Covid-19 principalmente entre diabéticos, hipertensos, cardiopatas e obesos.


“Apesar de não estar na linha de frente do tratamento da Covid-19, aprendi a respeitar essa patologia. Estou convicto de que, para a sua prevenção, proteger-se é a melhor opção”, disse o médico, ainda no ano passado.


Sousa é professor titular do Departamento de Medicina e membro permanente do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e chefe da Unidade Cardiovascular do Hospital Universitário da instituição, além de coordenador do Centro de Ensino e Pesquisa do Hospital São Lucas / Rede D’Or São Luiz de Aracaju. Segundo ele, a vacinação em larga escala constitui a esperança da humanidade para impedir a circulação de um agente com o grau de transmissibilidade e virulência como o novo coronavírus.


Em artigo publicado no final de maio, o professor reiterou que a capacidade protetora das vacinas tem resistido ao tempo. Ele expôs que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), anualmente, mais de três milhões de indivíduos são salvos, no mundo, graças às imunizações contra a influenza, a difteria, o tétano, a caxumba e o sarampo.


Segundo o médico, o Programa Nacional de Imunizações brasileiro é, reconhecidamente, um dos mais eficientes do mundo, graças à capilaridade proporcionada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Todavia, no contexto da atual pandemia, ele ainda não deslanchou, provavelmente, por não se dispor de doses suficientes de vacinas para atender à grande demanda do país. Não bastasse esse infortúnio, um número significativo de brasileiros ainda hesita em receber os imunizantes.


Esta última afirmação, sobretudo, resume um fato fortemente ameaçador ao país por causa dos movimentos antivacinas, que colaboram em grande parte para a redução dos índices de vacinação. A falta de vacina configura-se em potencial risco a vidas e modos de viver em todo o planeta. A ação desses grupos encontra espaço na autonomia adquirida pela população para a prática não científica da medicina, baseada em causos não comprovados, disseminados via redes sociais ou sites geridos por leigos.


“A influência de negacionistas, o receio de eventuais efeitos colaterais cujos relatos são propagados, erroneamente, nas redes sociais, além da insuficiência de imunizantes, têm prejudicado, significativamente, o programa de imunização. Qual seria a solução? Educação, meus caros, pois, como dizia o erudito filósofo grego Epicteto: ‘Só a educação e a ciência libertam’; hoje, acrescento mais um ponto: elas também salvam”, expressa o eminente cardiologista, seguro de que esse é o caminho e, precisamente, o escopo para salvar vidas.


Com perfil ativo nas redes sociais, o médico e professor Sousa utiliza sua formação e influência para ensinar, alertar e ajudar. Ele já enfatizou, por exemplo, que, conforme previsão dos especialistas, a segunda onda da Covid-19 tem sido mais devastadora, comprovadamente, do que a primeira, para a maioria das cidades brasileiras.


Segundo o médico, a escassez de leitos de UTI, em especial para a população mais carente, tem escancarado a fragilidade do sistema de saúde brasileiro e deixado desesperados inúmeros familiares de pacientes daqueles que necessitam de tratamento intensivo.


“O que parecia bem distante se aproximou, sorrateiramente, passando a vitimar um número crescente de pessoas conhecidas. A variante brasileira do novo coronavírus tem maior poder de transmissão e, seguramente, é mais agressiva, colocando o nosso país na vitrine por contribuir com, aproximadamente, 11% do total mundial de vítimas pela doença. A presença, novamente, de um médico no comando do Ministério da Saúde, renova as esperanças de dias melhores para o nosso país. Contudo, as medidas de segurança bem como a vacinação sem dúvida são as armas mais efetivas para o enfrentamento dessa pandemia”, declarou Sousa, referindo-se ao também cardiologista e presidente licenciado da SBC, Marcelo Queiroga, que assumiu a pasta governamental em março passado.


Reconhecimento


Em mais de quatro décadas de atuação em favor da vida, Sousa já recebeu cerca de 80 prêmios e títulos honoríficos. Destacam-se entre eles o prêmio “Egas Armelin”, conferido pelo Departamento de Ecocardiografia da SBC – Depeco – em 1989; o Cidadão Honorário do Município de Itabaiana, em 2003; o de membro da Academia Sergipana de Medicina, em 2005; a homenagem de “Médico Amigo”, pela Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, em 2013; o Fellow of American College of Cardiology, em 2009; o prêmio Mérito SBC – Destaque Docente, em 2014; o troféu Professor Lauro Maia, conferido pela Sociedade Médica de Sergipe, em 2015; o troféu Professor José Augusto Barreto, outorgado pela SBC – Regional de Sergipe – em 2017; o de membro da Academia Sergipana de Letras, em 2018; a Medalha da Ordem do Mérito Parlamentar, conferida pela Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, em 2018; o de membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, em 2019; a homenagem da SBC Alagoas, em 2019, e a de membro da Academia Sergipana de Educação, em 2019.


Para o insigne Dr. Sousa, a área de Cardiologia é uma das mais destacadas no estado de Sergipe, a julgar pela participação ativa dos profissionais nos principais eventos da especialidade, tanto no Brasil quanto no exterior. Pessoalmente, o médico e professor já atuou como palestrante oficial em mais de 500 congressos, simpósios e seminários nacionais e internacionais, participou várias Bancas de Defesa de Mestrado / Doutorado, além da publicação expressiva de artigos em revistas médicas indexadas, capítulos de livros e livros.


Em entrevista no ano passado para o portal JLPolítica, o renomado médico foi convidado a responder, filosoficamente e na prática, o que é um bom médico. Sua resposta ecoa como inspiração para aqueles que estão iniciando a trajetória e ecoa como orgulho para os colegas de profissão.


“Um bom médico é aquele que consegue, com humildade, ‘escutar’ a alma do paciente. Na esteira de tal intelecção, assim me pronunciei no dia de minha posse, na cadeira 38, da Academia Sergipana de Medicina, ao ensejo do discurso de louvação ao patrono Walter Cardoso: “O médico é o servidor da vida, o missionário da bondade. Tem nas mãos o maior dos privilégios – praticar o humanismo integral pelo saber, compreensão, paciência e humildade”, finaliza o cardiologista de escola.

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