Cardio-oncologia é aprovada na Residência Médica

Atualizado: 14 de Dez de 2020

Aprovação ocorreu durante a 12ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Residência Médica, onde o presidente da SBC, Marcelo Queiroga, defendeu proposta baseada na relevância epidemiológica das doenças cardiovasculares e oncológica



A cardiologia brasileira acaba de conquistar mais um feito importante. Durante a 12ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), do Ministério da Educação (MEC), ocorrida no dia 9 de dezembro, foi aprovado por unanimidade, o Ano Adicional ao Programa de Residência Médica em Cardiologia na área de cardio-oncologia.


Isso significa que os programas de residência médica em cardiologia, após o devido credenciamento pela CNRM/MEC, podem ofertar a opção de um ano adicional em cardio-oncologia aos médicos residentes que se interessarem por esse ramo da especialidade. Atualmente, a obtenção de conhecimentos específicos em cardio-oncologia somente é possível em estágios de complementação especializada ou em cursos de pós-graduação lato sensu, ofertados de maneira restrita. Com a aprovação do ano opcional será possível o treinamento no âmbito da residência médica, em centros qualificados e com bolsas, permitindo melhor aproveitamento do residente.


A proposta partiu da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e foi defendida durante a reunião plenária da CNRM/MEC pelo presidente da entidade, Marcelo Queiroga. Nos últimos anos, os notáveis avanços na terapia do câncer prolongaram a sobrevida dos pacientes, mas deixou evidentes possíveis consequências da terapia oncológica, como a cardiotoxicidade, a qual pode ser diagnosticada e tratada precocemente.


O desenvolvimento das pesquisas nesta seara tem sido intenso e um núcleo específico de conhecimento já é bem estabelecido, requerendo a formação de especialistas. Assim, a integração entre a cardiologia e a oncologia é fundamental para assegurar benefícios aos pacientes.


Segundo Queiroga, a relevância epidemiológica das doenças cardiovasculares e oncológicas, responsáveis por milhares de óbitos todos os anos e que ocupam o primeiro e segundo lugares na taxa de mortalidade no Brasil e no mundo, impõe um olhar diferenciado sobre a capacitação de recursos humanos. Ele argumentou que é necessário qualificar os especialistas para enfrentar esse grande desafio, sendo a formação no âmbito da residência médica o melhor caminho.


“A SBC tem compromisso inarredável com qualidade da formação dos cardiologistas e sua certificação. Queremos, cada vez mais, ampliar o acesso ao conhecimento, que na cardio-oncologia, atualmente, é restrito. Trabalhamos, firmemente, para ofertar um programa de educação médica continuada amplo e o acesso a fontes de pesquisas de qualidade como o Clinical Key. As pautas de interesse público são o mote da minha gestão”, afirmou o presidente da entidade.

A aprovação do ano adicional não tem vigência imediata, pois requer a publicação no Diário Oficial da União o que impedirá que seja ofertado já em 2021. Mas, a expectativa é que a partir da abertura do Sistema Informatizado da Comissão Nacional de Residência Médica (SisCNRM) para credenciamento de novos programas, de abril a agosto de 2021, as instituições de saúde poderão inserir Pedidos de Credenciamento Provisório (PCP) em Cardio-oncologia e após aprovação da CNRM/MEC, iniciar as atividades em 2022.



Durante a reunião ordinária do CNRM/MEC, foi apresentada a matriz de competência do treinamento em cardio-oncologia, que define as bases para o treinamento dos residentes. O documento descreve todo o conteúdo programático que o aluno deve assimilar durante este ano adicional. O profissional de medicina será capacitado a identificar, prevenir, diagnosticar e tratar pacientes com câncer de forma holística sobre as doenças cardiovasculares que estejam presentes ou que poderão resultar das terapias oncológicas. O ensino segue os princípios de abordagem integral do indivíduo, visando formar profissionais para que ofereçam a assistência médica de excelência aos pacientes oncológicos que sofrem com as patologias cardíacas.


“As doenças cardiovasculares nos pacientes com câncer são eventos cada vez mais frequentes, em decorrência de avanços na terapêutica oncológica que resultaram tanto na melhora da qualidade de vida como no aumento da sobrevida dos pacientes. Nas últimas décadas, os progressos no tratamento oncológico resultaram também na maior exposição dos pacientes a fatores de risco cardiovasculares e à quimioterapia com potencial de cardiotoxicidade. É importante a criação do ano adicional à residência médica em cardiologia para ampliar as possibilidades de acesso ao treinamento na área, pois é fundamental formar profissionais qualificados no enfrentamento das doenças cardiovasculares e das neoplasias”, assegurou a coordenadora de Acompanhamento da Gestão e Controle Interno da SBC, Gláucia Moraes.


Para o representante do Ministério da Saúde na CNRM, Alexandre Andrade, a criação do ano adicional em cardio-oncologia é estratégica, por isso é muito importante a proposição da Sociedade Brasileira de Cardiologia.


Viviane Peterle, secretária executiva da CNRM, destacou que a parceria com a SBC tem sido fundamental para o desenvolvimento de ações voltadas à cardiologia no âmbito da Residência Médica.


“A expectativa é muito positiva, porque com o envelhecimento populacional, vamos ter além das doenças cardiovasculares, aumento das doenças oncológicas, por isso precisaremos de especialistas capacitados para tratar esses pacientes. No Brasil, com aprovação da matriz de competências da cardio-oncologia, vamos fomentar a criação de programas que ofertem ano adicional em cardio-oncologia, capacitando os cardiologistas a atender as demandas da sociedade”, disse a cardiologista conselheira da CNRM, Vanessa Guimarães Campos.


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