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Apesar de serem a maioria, mulheres recebem menos financiamento para pesquisas do que homens

Atualizado: 18 de jan.

Dados mostram divergências entre a distribuição de financiamento para fundos de pesquisa na área científica no Brasil entre 2010 e 2021




Luísa Guimarães, Vital Agência de Comunicação, Assessoria da Sociedade Brasileira de Cardiologia, São Paulo, SP, Brasil.


Dados evidenciam que o investimento em projetos acadêmicos no Brasil se dá de forma divergente para mulheres e homens pesquisadores. O assunto é levantado no editorial Science Gender Gap: Are We in the Right Path?, publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), periódico da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). A publicação avalia a distribuição de fundos para projetos financiados pelo Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT) entre 2010 e 2021.


A partir do levantamento realizado no DECIT, órgão que financia a maior parte das pesquisas no Brasil, foi constatado que existe uma desigualdade entre o investimento nos projetos realizados por homens e naqueles realizados por mulheres.


“Vimos que a maior parte dos projetos são ganhos pelas mulheres, em número, porém, os valores desses projetos são muito maiores para os homens. E isso acontece em todas as regiões, não só em São Paulo, que historicamente já possui um maior financiamento em comparação com outros lugares”, diz Glaucia Moraes, editora associada das revistas IJCS e ABC Cardiol e professora de Cardiologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Além do recorte de gênero, a avaliação considerou divisões por regiões e temáticas de pesquisa. Glaucia destaca que, das 20 áreas de pesquisa analisadas, as mulheres só recebem um investimento maior do que os homens em 5: “nós só ganhamos mais para pesquisas nas áreas de saúde materna infantil, educação, saúde da mulher, saúde do idoso e doenças não comunicáveis”.


Levando em consideração o contexto, a SBC vem tomando iniciativas que favorecem a equidade de gênero na pesquisa. Uma dessas ações é um curso de pesquisa que busca discutir todos os problemas da área acadêmica e oferecer qualificação para as mulheres cientistas.


Glaucia diz que as expectativas para o futuro são que o governo brasileiro invista mais em inovação e projetos científicos e que os resultados das pesquisas sejam aplicados no dia a dia clínico: “75% do atendimento no Brasil é feito pelo SUS. Eu gostaria que minhas pesquisas pudessem ser levadas até os usuários do SUS, beneficiando a população.”


Ela ainda destaca que um levantamento global, chamado Gender Gap in Science, Technology, Engineering, and Mathematics (STEM): Current Knowledge, Implications for Practice, Policy, and Future Directions, mostra que vamos levar 100 anos para conseguir aproximar a situação entre mulheres e homens na área da pesquisa, em níveis mundiais. O editorial conclui que é preciso criar um ambiente mais saudável para mulheres e homens, por meio de uma distribuição mais justa dos fundos de financiamento.

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