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Antihipertensivos para prevenção de doença cardiovascular em diferentes níveis de pressão arterial

  • Julio Marchini - Supervisor do pronto-socorro do Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP

Fundamentação: Uma estratégia efetiva para reduzir o risco de eventos cardiovasculares em pacientes com pressão arterial elevada ou muito elevada é a redução pressórica farmacológica. Várias entidades internacionais estabeleceram limiares de pressão arterial para classificar pacientes como hipertensos para então receberem anti-hipertensivos. É um fator de risco modificável pela terapia farmacológica nos hipertensos. A pergunta feita pelo grupo de blood pressure-lowering treatment trialists' collaboration (BPLTTC) foi se existe uma redução de eventos com anti-hipertensivos abaixo dos limiares para diagnóstico de pressão arterial?

Metodologia: O grupo BPLTTC fez uma busca de estudos clínicos randomizados controlados com pelo menos 1000 pessoas*ano de seguimento. O desfecho escolhido foi um desfecho composto por acidente vascular cerebral (AVC) fatal ou não; infarto agudo do miocárdio fatal ou não; doença cardíaca isquêmica fatal ou não e insuficiência cardíaca necessitando hospitalização. A análise foi feita de acordo com estrato de pressão arterial basal, prevenção primária ou secundária e por estudo clínico original.

Principais resultados: Encontraram 48 estudos randomizados e obtiveram dados individuais dos pacientes que totalizaram 348,854 pacientes. As medicações usadas nos estudos foram inibidores de enzima conversora de angiotensina, bloqueadores do receptor de angiotensina, betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio e diuréticos. Foram encontrados 188,583 pacientes de prevenção primária e 160,271 pacientes de prevenção secundária. A média de idade não tem diferença estatística com 65,4 anos no grupo de prevenção primária e 65,7 anos no grupo de prevenção secundária. O sexo feminino está mais representado no grupo de prevenção primária constituindo 49% dos pacientes enquanto que 33% no grupo de prevenção secundária. O estudo incluiu 3,6% de pacientes com pressão arterial sistólica inicial abaixo de 120mmHg na prevenção primária e acima de 10% de pacientes com pressão arterial sistólica inicial abaixo de 120mmHg na prevenção secundária.

Houve uma redução significativa do desfecho primária com uma razão de risco de 0,90 (intervalo de confiança de 95% de 0,88–0,92) no resultado geral. O resultado se manteve na prevenção primária e secundária e nos componentes individuais do desfecho primário. A razão de risco para redução de AVC foi de 0,87 (0,84–0,90); para doença cardíaca isquêmica foi 0,93(0,90–0,96); insuficiência cardíaca foi de 0,86 (0,82–0,91) e para morte cardiovascular foi de 0,95 (0,91–0,99).

Conclusão: Foi encontrado um efeito de tratamento relevante em todos os níveis de pressão arterial sistólica e espectro de doença cardiovascular.

Impacto Clínico: Esse é um estudo impressionante pelo seu tamanho e pelos dados de pacientes individuais que conseguiu obter. A implicação do estudo é que não há necessidade de diagnóstico de hipertensão arterial, mas que pressão arterial é um fator de risco modificável por antihipertensivos. Temos muitas perguntas que ainda não estão claras. Não acreditamos que este estudo indica tratamento de pacientes jovens e sem comorbidades; afinal todos os pacientes foram arrolados nos seus respectivos estudos clínicos randomizados em virtude de seus respectivos critérios de inclusão. Além disto, os autores não apresentaram ainda interações do efeito de acordo com o sexo do paciente ou sua idade. Este estudo é sugestivo que poderemos oferecer redução de eventos cardiovasculares com aumento de indicação de controlar este fator de risco em mais pacientes.

#HIPERTENSAO_ARTERIAL

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