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Pessoas com canalopatias cardíacas e desfibrilador cardíaco em procedimentos odontológicos

Em análise rara sobre o tema, artigo investiga possíveis resultados da anestesia local odontológica em pacientes com essas condições

Como pacientes com canalopatias cardíacas reagem quando submetidos à anestesia local odontológica? Essa pergunta deu origem a uma tese de doutorado, que analisou eventos arrítmicos de pessoas nessas condições.


O estudo, piloto e randomizado, se desdobrou no artigo Favorable Safety Experience of Local Dental Anesthesia in ICD Recipients with Cardiac Channelopathies, publicado na última edição do International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), periódico da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).


As canalopatias cardíacas são doenças raras e com risco de morte súbita, como explica Ana Carolina Guimarães Oliveira, doutora em Ciências pelo programa de Cardiologia da USP e autora principal do estudo: “Elas são conhecidas como doenças-órfãs de estudos de grande impacto, incluindo os relacionados à segurança do procedimento odontológico, limitando-se a relatos de casos”.


O artigo traz, portanto, um relato relevante sobre a segurança de pacientes com essas condições submetidos a procedimentos odontológicos. O principal objetivo foi comparar os aspectos de segurança quanto aos desfechos arrítmicos, com o uso da anestesia local odontológica (lidocaína 2%) com e sem vasoconstritor (epinefrina 1:100.000).


Para isso, foram analisados 12 portadores de canalopatias cardíacas com desfibrilador cardíaco (CDI) durante o tratamento odontológico restaurador, não resultando em eventos ameaçadores à vida, tais como: taquicardia ventricular sustentada monomórfica ou polimórfica, choque por CDI ou síncope de causa presumidamente arrítmica.


“O uso da anestesia local odontológica com lidocaína, independente do

vasoconstritor, demonstrou-se seguro em doses padronizadas neste protocolo

de atendimento odontológico”, conta Ana Carolina.


Nos resultados, também não houve diferença estatisticamente significativa na pressão arterial, grau de ansiedade ou alterações eletrocardiográficas. “O tratamento odontológico foi bem tolerado nestes pacientes, sem a presença

de sintomas ou de complicações que justificassem a interrupção do procedimento”, diz a autora.


Ela entende que estes resultados, ainda iniciais, podem auxiliar os profissionais a tomarem decisões com respaldo científico: “Os médicos que seguem esses pacientes podem alicerçar suas tomadas de decisão na indicação destes pacientes para procedimentos odontológicos”.


O estudo foi realizado com uma amostra reduzida, que incluía somente pacientes com arritmias cardíacas raras. Por este motivo, Ana Carolina visualiza um desdobramento futuro: “Seus resultados preliminares favoráveis precisam ser confirmados e reproduzidos em um estudo populacional maior, de preferência com registros multicêntricos, para orientar futuros protocolos de tratamento odontológico em pacientes com canalopatias cardíacas e CDI”.


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