A relação entre HDL e anticorpos contra LDL oxidada como um novo mecanismo de cardioproteção

Estudo com pacientes do Hospital das Clínicas da Unicamp traz dados inovadores sobre a relação entre HDL e LDL oxidada


Os níveis de HDL relacionam-se positivamente aos níveis séricos de anticorpos contra LDL oxidada (oxLDL), o que pode contribuir para atenuar a evolução de doenças cardiovasculares e a progressão de placas ateroscleróticas. Esse é o principal resultado da pesquisa Associação Positiva entre Autoanticorpos contra LDL Oxidada e HDL-C: Um Novo Mecanismo para Cardioproteção de HDL?, publicada na última edição do ABC Cardiol, periódico nacional da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

No ambiente das placas ateroscleróticas, ocorre a produção de anticorpos contra o LDL oxidado, numa tentativa de proteção do organismo contra a forma modificada da partícula, mais aterogênica. A possível contribuição da HDL para este processo foi um dos pontos que induziu a análise dos autores.


“A formação de anticorpos contra o LDL oxidado é estimulada por uma resposta imunológica local, mediada principalmente por Th2 e interleucina 5, duas substâncias que têm sua produção aumentada pelo HDL, como já era do nosso conhecimento”, afirma Joaquim Barreto, médico e doutorando no Laboratório de Biologia Vascular e Aterosclerótica da Unicamp.


Estudos anteriores exploram o lado mecanístico dessa relação, mas não de forma clínica. Alguns outros relacionam o valor do anticorpo contra LDL oxidado com o risco da doença aterosclerótica. Até o momento, no entanto, não era conhecido se havia uma relação direta entre os níveis séricos de HDL e anti-oxLDL. Os dados da atual pesquisa são pioneiros na demonstração dessa correlação.


“A hipótese central era que esse efeito que a gente conhece de modulação da resposta inflamatória e da resposta imunológica local pela HDL também se manifestaria clinicamente pelo aumento dos níveis de anticorpo contra LDL oxidado”, diz Joaquim.


A amostra coletou dados de 193 pacientes do Hospital das Clínicas da Unicamp, considerando valores de HDL-C, LDL-C, e anti-oxLDL.


“Encontramos uma relação linear, positiva e independente, com r-quadrado de 9% entre os valores séricos de HDL-C e anti-oxLDL.”, ressalta Joaquim. Em termos práticos, o resultado demonstra que, para cada aumento de 1mg/dL de HDL-C, há um crescimento correspondente de 9% na quantidade de anticorpos contra LDL oxidado.


É importante ressaltar que a relação se manteve independente de outros fatores. A análise demonstrou que idade, sexo e valores de pressão arterial, por exemplo, não interferiram de forma significativa no resultado.


Existem algumas medicações em desenvolvimento que visam modular a resposta imune da placa aterosclerótica. Ao atestar o mecanismo de proteção pelo HDL, a investigação traz um importante esclarecimento sobre esse mecanismo adicional.


De acordo com os resultados, portanto, o HDL pode atenuar a progressão da doença aterosclerótica também pela modulação da resposta imune local.


“Podemos dizer que o paciente com disfunção ou níveis muito baixos de HDL vai ser privado do benefício da HDL sobre a resposta inflamatória dessa placa, incluindo o possível benefício de aumentar a produção de anticorpos contra LDL oxidado”, afirma Joaquim.


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