A relação entre a amplitude das Ondas F com a taxa de sucesso da cardioversão elétrica

Como a análise do eletrocardiograma de pacientes com fibrilação atrial pode auxiliar de forma clínica no tratamento da arritmia cardíaca


Um recente estudo realizado no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Amplitude das Ondas F como Preditor de Tromboembolismo e de Sucesso da Cardioversão Elétrica em Pacientes com Fibrilação Atrial Persistente, levanta pistas importantes sobre a utilização da cardioversão em pacientes com fibrilação atrial.


A investigação é parte da dissertação de mestrado do cardiologista e eletrofisiologista Renan Teixeira Campelo e foi divulgada na última edição da revista ABC Cardiol, publicação nacional da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).


A hipótese inicial sugeria que a amplitude das ondas F teria correlação com variáveis clínicas, laboratoriais, eletrocardiográficas e ecocardiográficas que pudessem detectar o risco de tromboembolismo. Além disso, apontava para o impacto dessas ondas no sucesso da cardioversão elétrica (CVE).


“Nossa pesquisa foi impulsionada por um artigo de origem francesa, que examina a amplitude das ondas no eletrocardiograma de pacientes com fibrilação atrial antes e após a ablação cardíaca”, explica Renan.


A investigação sobre a amplitude das ondas em pacientes com a condição descrita não é nova, porém, os parâmetros variam de estudo para estudo. Alguns expressam correlações entre determinadas variáveis que outros não apontam.


Nesse contexto, Renan afirma que a etapa inicial da análise identificou resultados contestáveis na literatura: “objetivo foi, desde o início, realizar o estudo na tentativa de esclarecer algumas controvérsias que existiam em relação à amplitude da onda”, diz.


Para tal, 57 pacientes foram submetidos a cardioversão elétrica e ao ecocardiograma transesofágico. Os resultados não confirmaram a primeira hipótese do estudo. As análises não trouxeram resultados significativos a respeito de uma correlação existente entre a amplitude das ondas e as variáveis propostas.


Porém, ao comparar a amplitude das ondas com o sucesso da cardioversão elétrica, a segunda hipótese se confirmou. “Identificamos que pacientes com ondas mais finas no eletrocardiograma enfrentavam maior dificuldade na cardioversão elétrica, na reversão daquela arritmia”, afirma Renan.


De acordo com os resultados, um paciente com fibrilação atrial de ondas grossas, ou seja, com uma amplitude maior que 1mm, possui 11,8 vezes mais chances de ser revertido para o ritmo sinusal do que pacientes com fibrilação atrial de ondas finas.


No grupo em que o eletrocardiograma identificou ondas de baixa amplitude, foi preciso utilizar mais energia e mais choques no procedimento.


Tal dado é de extrema importância no auxílio de decisões clínicas relacionadas ao tratamento de pessoas com fibrilação atrial. Ele demonstra que a análise do eletrocardiograma, um exame de fácil acesso e baixo custo, pode ajudar a identificar o padrão das ondas nesses pacientes e, dessa forma, contribuir na decisão do médico responsável.


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