Saúde e educação precisam unir forças em prol de crianças e adolescentes
Saúde e educação precisam unir forças em prol de crianças e adolescentes

15/10/2021, 10:25 • Atualizado em 21/12/2023, 17:30

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Webinar da série Cuidando do Coração mostrou que só com políticas públicas efetivas e intersetoriais é possível incentivar a prática de atividade física e a nutrição saudável

Nesta quarta-feira, 13 de outubro, aconteceu mais um webinar da série Cuidando do Coração, realizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), cujo objetivo é promover a educação de equipes de saúde dedicadas à atenção primária de municípios brasileiros nos assuntos relativos à prevenção das doenças cardiovasculares.

Sob o tema “Educação e saúde: crianças e adolescentes”, o encontro foi moderado pela cardiologista Carla Lantieri, coordenadora geral e pesquisadora principal do programa SBC vai à Escola, além de médica assistente da disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC).

“Crianças e adolescentes são seres que trazem em sua essência a magia da alegria, da felicidade, da saúde. Trazem suas brincadeiras, seus sonhos e estão conosco para que no futuro possam também nos orientar e se tornarem adultos. Mas dentro desse item, a saúde faz-se importante. Sabemos hoje que a saúde da criança e do adolescente precisa ser olhada com cuidado por todos”, disse Carla na abertura.

Para falar sobre a preocupação com a obesidade e a inatividade física, foi convidada a educadora física Katia de Angelis, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Ela também é professora livre docente do departamento de Fisiologia da Unifesp, vice-coordenadora e orientadora do PPG em Medicina Translacional da mesma universidade, bem como orientadora do PPG em Ciências da Reabilitação e em Medicina da Universidade Nove de Julho.

Katia mostrou que a sociedade está mais moderna e digitalizada, mas mais parada. “Dados indicam que crianças chegam a ficar 17 horas por semana na frente de dispositivos eletrônicos. A expectativa é que a próxima geração viva cinco anos a menos que a geração anterior. Precisamos de multiplicadores, pessoas que ajudem a transmitir a informação de uma vida saudável e tornar essa população mais ativa”, disse.

Entre os benefícios dos exercícios físicos citados estão: controle do peso corporal, controle da pressão arterial e manutenção da densidade óssea, além de melhora na mobilidade articular, no perfil de lipídeos, na resistência física e na força muscular.

Outro dado importante: tirar uma pessoa do comportamento sedentário reduz em 40% o risco de doenças. Quanto mais exercício se faz, mais este risco é reduzido. Importante ressaltar que crianças e adolescentes devem praticar 300 minutos de atividade física por semana.

Por isso é fundamental que, na escola, haja a prática de exercícios e que, em casa, os adultos reforcem a atenção para evitar o comportamento sedentário. O ideal é intercalar momentos de inatividade física com momentos fisicamente ativos, por exemplo, a cada 15 ou 30 minutos parado, realizar 15 minutos de atividade física. “Para que a prática seja incorporada no dia a dia, é preciso descobrir o que cada um gosta de fazer. Há tantas opções, temos de buscar isso e se dar esse tempo”, recomendou Katia.

Outras mensagens importantes de sua apresentação foram: é pior ser sedentário do que ter uma cardiopatia; quem se exercita vive mais, adia o envelhecimento, tem menor risco de desenvolver várias doenças, reverte problemas, mesmo após já ter iniciado o processo de doença e, consequentemente, vive melhor.

Não menos importante que a atividade física para a construção de um estilo de vida saudável é a alimentação. E para falar sobre esse assunto foi convidada a nutricionista Giorgia Castilho, consultora técnica do programa de alimentação saudável do IDEC, membro do Comitê da Criança e do Adolescente da SBC e especialista em obesidade e patologias associadas.

Segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, a inadequação alimentar é a principal causa de mortalidade cardiovascular no Brasil. Para Giorgia, só quando chegarmos efetivamente na escola e darmos as mãos de forma intersetorial é que será possível começar a trabalhar de forma efetiva a promoção da saúde. “Não dá para ser só por meio da saúde, precisamos da escola, pois é onde está o público-alvo. É necessário transformar o comportamento em idades precoces para conseguir promover saúde e reverter todo esse cenário”, destacou.

Ela citou a Portaria Interministerial nº 1010, que institui as diretrizes para a promoção da alimentação saudável nas escolas de educação infantil, fundamental e nível médio das redes públicas e privadas. O documento traz pilares importantes, como estímulo à produção de hortas escolares, restrição ao comércio de alimentos e preparações com altos teores de gorduras saturadas ou trans, açúcar livre e sal, e monitoramento da situação nutricional dos estudantes.

Também foram apresentados dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar – PeNSE, de 2019, que revelaram o alto consumo de produtos ultraprocessados por crianças e jovens e a carência de verduras, legumes e frutas na alimentação. “O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados é uma das principais causas da pandemia de obesidade hoje, que causa várias doenças crônicas”, disse.

De acordo com Giorgia, só com políticas públicas efetivas e intersetoriais começaremos a ter um ambiente que proteja nossa criança e nosso adolescente. Ela destacou como exemplos o PSE – Programa Saúde na Escola e o Proteja – Estratégia Nacional para a Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil. Indicou, ainda, três publicações do IDEC sobre ambiente alimentar, orgânicos e alimentação saudável nas escolas.

Agradecendo o excelente momento de reflexão proporcionado pelas palestrantes, Carla salientou que não podemos mais fechar os olhos para esse grande hiato que temos hoje entre ciência de bancada e o que está acontecendo na base, seja na da saúde, seja na da educação. “Precisamos unir forças. E esse é o grande objetivo do programa SBC vai à Escola, para que seja possível levar a todos os municípios do Brasil não só a prevenção das doenças cardiovasculares, como também a importância da promoção da saúde integral.”

Vale lembrar que o programa SBC vai à Escola tem como finalidade trabalhar a conscientização dos estudantes das redes municipal e estadual de ensino fundamental e médio, na promoção de saúde e na prevenção de doenças cardiovasculares. A abordagem é feita de maneira interativa e permite que a construção seja realizada via mão dupla entre especialistas e comunidade escolar.

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