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Terapias à base de ímãs são efetivas no tratamento da hipertensão arterial?

Um estudo realizado no Chile investiga a eficácia da utilização de campos magnéticos para controlar níveis de pressão arterial

A hipertensão arterial é uma condição que atinge mais de um milhão de pessoas ao redor do mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em três décadas, o número de adultos acima de 30 anos diagnosticados dobrou. Neste contexto, cresce a busca por tratamentos alternativos que controlam os níveis da pressão sanguínea.


Um exemplo são as terapias que utilizam ímãs. Elas têm sido conduzidas, em diferentes regiões, com a promessa de tratar a hipertensão. Um recente estudo desenvolvido na Universidade de La Frontera, no Chile, investiga a real eficácia do tratamento.


A pesquisa Possible Effects of Oriented Magnetic Fields on Human Blood Pressure é parte da tese de mestrado de Nataly Belmar Rios, e foi divulgada na última edição do International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), periódico internacional da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).


“Nós somos físicos, então o ponto de vista vem da física. Entendemos que campos magnéticos afetam somente circunstâncias que possuem alguma resposta magnética”, explica Eugenio Vogel, professor de Física na Universidade de La Frontera no Chile e orientador da tese.


Alguns relatórios prévios na literatura indicam que o sangue pode reagir a campos magnéticos. Porém, tais propostas foram feitas sem a realização de um teste empírico em humanos. Dessa forma, o estudo traz, de forma inovadora, resultados pautados em experimentações práticas.


“Nós queríamos estudar essa questão a partir de experimentos reais. Nos últimos dez anos, surgiram novos ímãs, mais fortes e menores, que não estavam disponíveis antes, o que possibilitou a pesquisa de forma mais eficaz”, diz Eugenio.


O estudo acompanhou a pressão arterial de 70 pacientes com ímãs de última geração, compostos por ferro, nióbio e boro (imãs FeNbB). Tais dispositivos foram desenvolvidos recentemente e permitem a aplicação tópica em locais apropriados, como mostra a imagem à direita:

Todos os pacientes foram submetidos a dois testes ambulatoriais consecutivos de pressão arterial (PA) em um quadro de 24 horas. O primeiro teste foi realizado sem o dispositivo e o segundo com o dispositivo. Mas havia uma diferença.


As pessoas foram divididas em dois grupos de 35 cada, de forma aleatória. No teste com o dispositivo, metade recebeu o ímã, e a outra metade um placebo semelhante.


Respostas individuais, valores médios, desvios padrão e conteúdo da informação mostraram que nenhuma diferença foi encontrada entre as medições em qualquer um dos grupos.


“As estatísticas mostram que não há correlação entre os ímãs e o sangue em nenhum indivíduo. Os ímãs não fazem diferença. Não causam mal, mas não fazem diferença”, explica Eugenio.


A artéria, em média, foi exposta a campos magnéticos de pelo menos 50 mT permanentemente por um período de 24 horas. Essa é uma intensidade mais forte e uma exposição mais longa do que qualquer experimento que utilizou campos magnéticos no passado.


“Nosso ponto é que, no caso do sangue, não existe material magnético suficiente que poderia realmente responder a um campo magnético. Os ímãs não afetaram as variáveis vasculares”, ressalta Eugenio.


Os resultados podem ajudar pacientes diagnosticados com a hipertensão a buscarem por tratamentos efetivos e com respaldo científico. Como Eugenio conclui, os ímãs não prejudicam a saúde humana, mas também não trazem benefícios para o controle da hipertensão.


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