Sessão de exercício não promove lesão miocárdica em pacientes com angina refratária, aponta estudo

Análise realizada faz parte de estudo maior que investiga a segurança do exercício físico como parte de tratamento desse grupo de pacientes




De forma inédita no Brasil, o estudo Reabilitação Cardíaca em Pacientes com Angina Refratária investiga os efeitos da segurança do treinamento físico em pacientes com angina refratária (AR), bem como possíveis mecanismos que possam estar envolvidos com uma possível melhora.


Apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), as primeiras análises sugerem que uma sessão aguda de exercício físico prescrita no limiar de isquemia e/ou no limiar anaeróbio não promove mudança nos níveis de troponina.


Tal hipótese foi levantada e confirmada no artigo Ocorre Lesão Miocárdica após uma Sessão de Exercício Aeróbico Agudo em Pacientes com Angina Refratária?, publicado na última edição do ABC Cardiol, revista nacional da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).


“Já tínhamos muita clareza da contribuição da reabilitação cardíaca baseada em exercício físico para pacientes com doença arterial coronariana. Entretanto, no grupo de pacientes com angina refratária, isso não era tão claro”, explica Luciana Janot de Matos, cardiologista e pesquisadora colaboradora do Instituto do Coração (HCFMUSP).


O resultado ajuda a trazer segurança para a continuidade da prescrição do treinamento físico desses pacientes, os quais são pouco representados em estudos da área e em Centros de Reabilitação.


Luciana ressalta que a avaliação da troponina T cardíaca de alta sensibilidade (TnT-as) antes e após a realização de uma sessão aguda de exercício, prescrita baseada em critérios bem estabelecidos, foi o primeiro passo para compreender sobre a segurança da prescrição de exercícios nesse grupo de pacientes. A TnT-as é um importante marcador de lesão miocaŕdica, utilizado para auxílio diagnóstico do infarto agudo do miocárdio.


Durante a sessão, uma escala de 0 a 10 foi utilizada para a classificação de dor percebida pelos pacientes. O nível 3 foi o máximo permitido para continuar o exercício. O protocolo contou com cinco minutos de aquecimento, 30 minutos de exercício aeróbico contínuo e 5 minutos de resfriamento.


A sessão não alterou a quantidade de troponina T cardíaca de alta sensibilidade (TnT-as) nos 32 participantes, e não trouxe complicações clínicas, o que sugere que nenhuma lesão miocárdica foi provocada pela sessão de exercício.


Os resultados do estudo maior ainda serão analisados, mas dados preliminares apontam que o exercício feito de forma supervisionada, monitorado por eletrocardiograma e prescrito com base no teste cardiopulmonar e limiar de isquemia é possível e não causa complicações em pacientes com AR.


Os autores esperam contribuir com a literatura de forma que pacientes com angina refratária possam ter maior representatividade em Centros de Reabilitação, assim como já acontece com outros pacientes com doença arterial coronariana.


Atualmente, um dos principais motivos do não encaminhamento é a insegurança, pela possibilidade de ocorrência de eventos e baixa tolerância por parte dos pacientes, já que apresentam seus sintomas, frequentemente, aos esforços.

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