Relação entre disautonomia e doença de Chagas é avaliada em novo estudo

A pesquisa é a primeira a analisar os índices de variabilidade da frequência cardíaca no domínio do tempo em doentes com cardiomiopatia chagásica


Estudo publicado na última edição do International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS), periódico da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), avaliou a relação do grau de disautonomia com arritmias ventriculares em doentes com cardiomiopatia chagásica. Foram observados 43 pacientes, sendo 23 classificados como de baixo risco e 20 como de risco intermédio-alto, com variabilidade da frequência cardíaca (VFC) avaliada utilizando a monitorização Holter.

Segundo os autores do artigo Dysautonomia Evaluation by Holter in Chagas Heart Disease, “a comparação dos resultados entre os grupos de estratificação de risco não mostrou diferenças nos índices de VFC, nem no domínio do tempo nem no da frequência. Contudo, os resultados mostraram um aumento significativo do número de arritmias em função do aumento do risco”.

A pesquisa inédita é a primeira a analisar os índices de VFC no domínio do tempo em pacientes com cardiomiopatia chagásica crônica e a segunda a analisar o domínio da frequência em diferentes riscos de mortalidades de acordo com o Escore de Rassi. As análises foram realizadas em monitoramentos de longo prazo de 24 horas e de curto prazo de 5 minutos em repouso e após testes autônomos: respiração profunda e manobra de Valsalva.

Os autores concluem que “os resultados atuais mostram que a avaliação de VFC pela monitorização Holter não detectou qualquer diferença nos padrões de disautonomia em pacientes com cardiomiopatia chagásica crônica estratificada em diferentes categorias de risco. Houve um aumento progressivo na taxa de arritmias em função do aumento do risco de mortalidade, o que poderia ter dificultado o desempenho do método utilizado”.


Doença de Chagas no WCC 2022

Debates sobre doença de Chagas e suas implicações cardiovasculares integram a programação do World Congress of Cardiology (WCC 2022), que será sediado no Rio de Janeiro de 13 a 15 de outubro. No primeiro dia de congresso, acontece a atividade especial do Departamento de Fisiologia Cardiorrespiratória da SBC (DFCVR), Fisiopatologia das complicações cardiovasculares de doenças infecciosas, no auditório 14, às 10h40 do dia 13 de outubro.

No segundo dia de congresso, 14 de outubro, duas atividades debatem o tema. A atividade especial da World Heart Federation (WHF), Doenças tropicais negligenciadas e outras doenças infecciosas que afetam o coração, ocorre às 9h, no auditório 8 e discute também o RHD e a gripe. A mesa redonda Ressonância magnética cardíaca (RMC) na prática clínica do cardiologista clínico comenta a avaliação de prognóstico na doença de Chagas, às 10h40, no auditório 15.

Para se inscrever no congresso, clique aqui.


135 visualizações