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Reduzir os óbitos por doenças cardiovasculares é o maior desafio da cardiologia

Presidente da SBC aponta que envelhecimento populacional fará aumentar os casos dessas enfermidades


Dia 14 de agosto é o Dia do Cardiologista e, para o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Marcelo Queiroga, o maior desafio da cardiologia é reduzir os óbitos por doenças cardíacas. “Meio bilhão de pessoas no mundo e 14 milhões no Brasil são acometidas por doenças cardiovasculares. O problema é grave porque essas doenças, principalmente o infarto, são responsáveis por mais de 30% das mortes no país. São mais de 380 mil óbitos todos os anos no Brasil. É um problema de saúde pública agora agravado pela pandemia da covid-19”, destaca Queiroga.


Fazendo uma análise das principais doenças que acometeram a humanidade desde o início do século passado até os dias atuais, Queiroga falou que a doença arterial coronariana é hoje a campeã em mortalidade. Ele revela que, no século 21, a transição demográfica vem se demonstrando também um desafio. “A população está envelhecendo e, com isso, aumentando a incidência das doenças cardiovasculares e de outras enfermidades, como as doenças degenerativas das válvulas cardíacas”, explica.


Queiroga também aponta a necessidade de mais atenção com a saúde cardiovascular das mulheres, que estão adoecendo mais. Segundo o cardiologista, vem aumentando as mortes por doenças isquêmicas, como o infarto do miocárdio, nas mulheres, mesmo nas mais jovens. “Devemos implementar medidas de prevenção primária e conscientizar a população sobre os sinais e sintomas dessas doenças nas mulheres, que nem sempre se apresentam da forma clássica divulgada, especialmente nas mulheres mais velhas, que são portadoras de diversas doenças, como diabetes, hipertensão e obesidade, que podem mascarar os sintomas do infarto.”


O presidente da SBC diz que é importante ressaltar que a maioria dos ensaios clínicos realizados para o tratamento das doenças cardiovasculares foram realizados com pouca representatividade feminina. Assim, é preciso estimular estudos que sejam feitos para e por mulheres, para aumentar a participação delas nas pesquisas clínicas a fim de que se consiga enfrentar as doenças cardiovasculares nelas com mais eficiência.


A presença feminina cada vez maior na cardiologia também é defendida por Queiroga. Ele revela que mais da metade dos médicos que se formam no país são do sexo feminino, mas que, na cardiologia, o cenário é diferente: 71% dos especialistas da área são homens e apenas 29% são mulheres. “Na nossa gestão à frente da SBC, é prioridade número um ampliar a participação das cardiologistas na entidade e na programação científica dos nossos congressos, simpósios, para que, com sua sensibilidade e sua capacidade de trabalho, possam enriquecer cada vez mais a cardiologia brasileira”, afirma.


Com relação à pandemia do novo coronavírus, o presidente da SBC falou que as autoridades sanitárias do Ministério Saúde têm mostrado que a cardiopatia é a comorbidade mais associada com a mortalidade em decorrência da covid-19. E que o receio da contaminação também tem feito pacientes portadores de doenças cardiovasculares, e de outras doenças agudas, que necessitam de acompanhamento médico, negligenciarem a rotina de saúde, deixando de ir ao médico.


A SBC vem acompanhando a situação por causa da redução no número de atendimentos cardiológicos de urgência em todo o país e, como não havia informações consolidadas nem uma explicação única sobre a diminuição, em parceria com a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil (Arpen-Brasil), a entidade analisou, interpretou e consolidou, com o apoio de médicos e pesquisadores das Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UFRJ), os óbitos em domicílios por doenças cardiovasculares.


As informações disponíveis no Portal da Transparência (https://transparencia.registrocivil.org.br) mostram que houve redução de 11,4% das notificações de óbitos por infarto e acidente vascular cerebral (AVC) desde o início da pandemia, e um aumento de quase 50% dos óbitos domiciliares por doenças cardíacas inespecíficas (mortes súbitas e parada cardíaca).


Outro alerta da SBC que Queiroga faz é que os portadores de doenças cardiovasculares devem continuar a fazer uso dos seus medicamentos, com prescrição médica, porque, ao suspender a medicação, essas enfermidades ficam descontroladas e os pacientes cardiopatas têm três vezes mais risco de óbito do que a população em geral quando contraído o novo coronavírus.


O presidente da SBC ainda aponta outra questão que precisa ser resolvida: o diagnóstico correto e o tratamento adequado precisam chegar a todo brasileiro, de norte a sul do país. “Médicos, profissionais de saúde e autoridades sanitárias têm de buscar soluções para resolver esse problema”, afirma Queiroga.


Nesse aspecto, ele acredita que a telemedicina pode auxiliar em muito a democratizar o acesso ao atendimento da população. A SBC, desde 2019, estabeleceu na Diretriz de Telemedicina Aplicada à Cardiologia, as recomendações para o seu emprego baseado na melhor evidência, publicada com o objetivo de esclarecer os cardiologistas, a categoria médica e a sociedade em geral sobre as bases científicas e aplicações da telecardiologia no cenário atual.


Para Queiroga, apesar de a telemedicina estar regulamentada enquanto durar a pandemia, ele acredita ser um caminho sem volta, mas, para que ela seja eficiente, é preciso que o país tenha infraestrutura para que o teleatendimento chegue a quem precisa. “São 5.570 municípios em todo o país e aproximadamente 9% deles estão em áreas remotas, sem acesso à telefonia 4G”, observa, lembrando que a telemedicina não substituiu o atendimento presencial. “Não se pode esquecer que 75% dos brasileiros são assistidos pelo SUS, que é a mais importante ferramenta para o enfrentamento da pandemia de covid-19 e todos os outros males que afetam as pessoas.”


Todos esses temas foram abordados em entrevista concedida pelo presidente da SBC ao jornalista Marcelo Campos, no programa Cidadania, da TV Senado.

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