Pesquisa utiliza Inteligência Artificial para identificar burnout em mulheres médicas no Brasil

Atualizado: 1 de set.

Cruzamento de dados realizado com 769 médicas mostrou que 61,6% delas relataram sinais como a exaustão emocional e despersonificação, característicos do burnout


Um estudo realizado recentemente e que se utilizou de Inteligência Artificial para o cruzamento de dados relacionados ao burnout, a qualidade de vida e a espiritualidade durante o contexto da pandemia de covid-19, mostrou a conexão entre estes três elementos e seus impactos na saúde emocional de mulheres médicas no país. Este levantamento, que foi realizado com 769 mulheres médicas no Brasil das mais diversas especialidades, mostrou que 61,6% delas apresentaram sinais de burnout durante o período analisado.


Coordenado pelas pesquisadoras Glaucia Maria Moraes de Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Viviana Lenke da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) e Maria Sanali Paiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e publicado na edição de agosto do período científico ABC Cardiol, este estudo se mostra inédito pois utilizou um modelo que permite calcular diversas variáveis que aparentemente não possuem relação. Neste caso, foram 2 desfechos (exaustão emocional e despersonificação) e 55 variáveis a respeito de questões como o propósito de vida (80% das mulheres disseram ter um propósito), sentimentos negativos (94% delas tiveram sentimentos negativos) e até mesmo a qualidade do sono e vida sexual.

Em relação ao uso da I.A, a autora afirma que “esta pesquisa não é só uma investigação comum de questionário mas sim, um estudo que tenta entender, através da Inteligência Artificial, as relações entre o burnout, a qualidade de vida e espiritualidade na vida das mulheres médicas. A Inteligência Artificial é justamente o ponto alto do levantamento, pois com isso podemos realmente ver a conectividade entre estes três elementos”, explica.

Além disso, o estudo mostrou também que 64% das médicas entrevistadas relataram perda ou aumento salarial de até 50% durante a pandemia. De acordo com Glaucia Moraes, esta mudança salarial se deu, pois, “muitas mulheres começaram a trabalhar mais e a ganhar mais consequentemente. Porém, isto não se refletiu em qualidade de vida para elas”, conta. Ainda, Glaucia nos explica que “já outra parte destas médicas começaram a ganhar menos, pois houve pacientes que desmarcaram consultas ou não puderam ir, entre outros problemas. Estas mudanças bruscas tiveram impacto na qualidade de vida e no emocional delas”, comenta.

Além disso, a pesquisa mostra que 73,2% das participantes acreditam que a espiritualidade traz conforto e segurança e 70,6% força espiritual em tempos difíceis. Já 67,8% disseram sentir uma boa conexão de corpo, mente e espírito, enquanto apenas 53,4% relataram paz interior e 50,7% disseram serem otimistas. O estudo reportou ainda que 72,7% das participantes encontravam força na fé e 44,3% encontravam apoio em comunidades religiosas ou espirituais.

Também, através de um levantamento bibliográfico, reportaram que a prevalência de burnout variou de 23% a 76% nos profissionais que atuaram na pandemia e, no gênero feminino, a alta carga de trabalho e preocupações relacionadas à família foram preditores de burnout. Sobre esta diferença de gênero, a autora comenta que “as mulheres trabalharam muito mais durante a pandemia, já que elas tinham também que lidar com os filhos, com a casa, a família. Então, sofreram em dobro toda esta pressão”.


Para conferir a pesquisa completa, basta acessar o link:

https://abccardiol.org/article/mulheres-medicas-burnout-durante-a-pandemia-de-covid-19-no-brasil/

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