Identificação de preditores de mortalidade na população brasileira é tema de artigo no ABC Cardiol

Atualizado: 15 de set.

Estudo focado em pacientes tratados por angioplastia primária analisou quase 30 mil casos nas cinco regiões do país


Embora exista ampla literatura em busca de definir preditores de mortalidade em doenças cardiovasculares, a compreensão do cenário brasileiro é importante para definição de medidas específicas para o país. Este é um dos objetivos do estudo Preditores de Mortalidade Hospitalar nos Pacientes Tratados por Angioplastia Primária: Um Estudo de Caso-Controle Multicêntrico, publicado na edição de setembro dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (ABC Cardiol).


Segundo Pedro Paulo Neves de Castro, do Hospital Márcio Cunha (Ipatinga/MG) e principal autor do artigo, o estudo é pioneiro no Brasil ao avaliar exclusivamente pacientes tratados por angioplastia primária. Analisando 26.990 registros, a pesquisa identificou taxa de mortalidade média de 3,3%. No entanto, a taxa de mortalidade de mulheres (4,7%) foi quase o dobro da dos homens (2,7%). “É um dado importante que chama atenção para a necessidade de direcionarmos um olhar mais especial às mulheres. Elas acabam tendo uma incidência menor, mas, quando ocorre, o infarto é bastante grave nessa população”, afirma.

A função ventricular e o sucesso do tratamento também se destacaram na análise. O estudo identificou que pacientes que obtiveram sucesso no tratamento da lesão (avaliada pelo fluxo TIMI II ou III) ou que não evoluíram com disfunção ventricular grave, apresentaram baixa taxa de mortalidade. “Isso mostra a importância do tratamento e como precisamos pensar em estratégias para o paciente chegar mais precocemente no nosso serviço”, diz Neves de Castro.

O cardiologista ainda ressalta que embora o tempo porta-balão não tenha apresentado diferenças significativas entre os grupos, o tempo de isquemia é um fator importante. “Mesmo com os esforços para reduzir o tempo porta-balão dentro do hospital, às vezes o paciente demora horas para chegar. Isso é muito mais difícil de abordar porque requer instrução e levar informação para os pacientes, conscientizando da importância da busca rápida por atendimento”.

Além do risco mais elevado em pacientes com disfunção global acentuada do ventrículo esquerdo e do sexo feminino, a pesquisa também identificou como preditores de mortalidade a classificação de Killip, o reinfarto, a idade acima dos 70 anos e o fluxo TIMI 0/I pós-intervenção.

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