Dados estruturados são o futuro da prevenção

Atualizado: 12 de ago.

Embora as tecnologias já existam, as bordas do conhecimento são formas de coletar dados de qualidade para aplicação na prática clínica


As experiências com machine learning existem pelo menos desde a década de 1960. Segundo Andrei Sposito, coordenador da Comissão de Avaliação e Implementação da Inteligência Artificial na Cardiologia da SBC, com o uso de inteligência artificial (IA), é possível determinar 10% dos pacientes que terão quase 80% dos eventos e custarão 60% de todo gasto nos próximos anos com saúde. Sposito e Ronaldo Altenburg Odebrecht Curi Gismondi irão apresentar essas perspectivas durante o WWC 2022, no painel “Futuro da prevenção cardiovascular na prática clínica”, em 13 de outubro às 17h20, no Auditório 2.


O desafio é como coletar e estruturar esses dados com qualidade. O preenchimento massivo de formulários já se provou ineficaz em experiências em países como os Estados Unidos. Os wearables devices junto aos dispositivos clínicos se mostram ferramentas promissoras, mas ainda sem aplicação em larga escala. Sposito considera que a mudança necessária é cultural - tanto na classe médica quanto na sociedade. “É um desafio para nós, em termos de pesquisa e implementação dessas técnicas, mas também para os pacientes que enxergam a IA como uma espécie de ‘Matrix’, um computador do mal”.


Além da redução dos gastos, esses novos modelos são mais eficientes do que as equações tradicionais, atingindo até 0,8 na curva ROC. O acompanhamento sistemático facilitado por dispositivos colabora na análise clínica, permitindo ao médico ter uma gama mais ampla de informações à disposição. Condições como diabetes e obesidade, que mais tem aumentado e contribuído para o desenvolvimento de doença aterosclerótica, poderiam ser monitoradas no dia a dia.


Futuro além da tecnologia


Junto às novas maneiras de processar a avaliação, conhecimentos já estabelecidos como a prevenção primordial e a expansão do intervalo do cálculo de risco são técnicas que precisam integrar o planejamento de saúde cardiovascular. Segundo o Andrei Sposito, tudo isso tem impacto na sustentabilidade dos sistemas de saúde, inclusive econômica. “Se não proporcionamos saúde desde a infância, a gente quebra o sistema de saúde. E isso vem sendo discutido com muito mais pragmatismo atualmente”, diz.


No WCC 2022, serão apresentadas novas terapias para tratamento de doenças cardiovasculares. Em especial, Andrei Sposito destaca as terapias para redução da Lp(a) e para redução prolongada do colesterol adicionais aquelas que já estão disponíveis no mercado brasileiro. Outro destaque são as abordagens relacionadas à diabetes e obesidade, fatores crescentes na América Latina.


Confira a programação do congresso: https://www.sbc2022.com.br


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